AVANTE MEU TRICOLOR
·06 de janeiro de 2026
Casares consegue justificar apenas R$ 1 de cada R$ 5 recebidos em sua conta, aponta polícia

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Relatório da Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que consta no inquérito aberto pela Polícia Civil que investiga movimentações financeiras feitas pelo São Paulo e seu presidente, Julio Casares, mostra que o dirigente foi capaz de justificar apenas 19,3% de toda as transações de sua conta.
Ou seja, de cada R$ 5, Casares explica a origem de apenas R$ 1.
Segundo denúncia revelada pelo ‘UOL‘, o Coaf identificou depósitos em dinheiro na conta de Casares que somam R$ 1,5 milhão entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
O valor representa cerca de 47% da renda do dirigente no período e supera o montante recebido como salário do clube. Os depósitos foram feitos de forma fracionada, prática classificada pelo Coaf como ‘smurfing’.
Há registros de múltiplos depósitos no mesmo dia, inclusive de valores muito próximos ao limite de notificação automática ao órgão. Casares justificou ao banco que se tratavam de “recursos recebidos em espécie do São Paulo, referentes a bonificação dos campeonatos [sic]”.
Segundo a investigação, “a atipicidade deixa de ser pontual e revela-se estrutural”. Com um salário de R$ 27.505,32 no São Paulo, Casares recebeu no período um total a título de salário de R$ 617.506,90. No período, sua conta movimentou R$ 3.197.499,41, uma média de R$ 110 mil por mês.
Ou seja, segundo o relatório, “a renda oficial do titular foi capaz de justificar apenas 19,3% de toda a movimentação financeira da conta. Existe, portanto, um excedente sem lastro salarial de R$ 2.579.992,51”.
O relatório diz ainda que, “em termos práticos, para cada R$ 1,00 que entrou na conta com origem comprovada (salário), outros R$ 4,00 entraram sem lastro em folha de pagamento, sendo esta diferença suprida, majoritariamente, pelos depósitos em espécie de origem não identificada”.
Do montante, cerca de R$ 1,5 milhão tiveram origem em depósitos em espécie. Isso significa que 47% de todo o dinheiro que entrou na conta não possui rastro eletrônico de origem, tendo sido entregue em guichês de caixa e terminais de autoatendimento.
Foi por conta desta movimentação incompatível que o alerta de Compliance do Banco Bradesco notificou o Coaf.
Por meio de seus advogados, Casares afirmou ao ‘UOL’ que “todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e legítima”. O clube declarou que acompanha o caso e está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos conforme solicitado.
Além da denúncia envolvendo Casares, a Polícia Civil investiga movimentações financeiras feitas pelo próprio São Paulo.
De acordo com relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) obtidos pelo portal, o clube realizou 35 saques em dinheiro vivo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, totalizando R$ 11 milhões. As retiradas ocorreram a partir de contas de titularidade do São Paulo, sendo 33 no Bradesco e duas no Banco Rendimento.
Os documentos não indicam o destino final dos valores. Procurado, o Tricolor afirmou ao site que apresentará a contabilidade integral das operações e sustentou que “não existem saques sem registro e a devida contabilização de quem deu origem aos gastos”. A Polícia Civil confirmou a existência da investigação, mas não forneceu detalhes e solicitou que o procedimento tramite sob sigilo, pedido ainda não atendido.
O relatório aponta que, em 2021, foram sete saques que somaram R$ 1,5 milhão. Em 2022, seis operações chegaram a R$ 1,2 milhão. Em 2023, outras seis retiradas totalizaram R$ 1,4 milhão. O maior volume aparece em 2024, com R$ 5,2 milhões distribuídos em onze saques, média próxima de R$ 500 mil por operação. Já em 2025, até 25 de novembro, houve cinco saques, que alcançaram R$ 1,7 milhão.
Segundo o Coaf, os dois primeiros saques de 2021 teriam sido feitos por um funcionário do clube; posteriormente, passou a ser utilizada uma empresa de carros-forte, responsável por 28 das 35 operações. A investigação considera que essa mudança pode ter dificultado a identificação dos envolvidos.
O Coaf ressalta que operações em espécie interrompem a trilha de auditoria eletrônica, dificultando a identificação do beneficiário final e a comprovação da destinação dos recursos. Tanto o Bradesco quanto o Rendimento classificaram os saques como movimentações atípicas e incompatíveis com práticas de mercado. O relatório também aponta falhas em cinco operações, em que não houve identificação do responsável pelo saque.
Até o momento, a investigação não aponta correlação entre os saques realizados pelo clube e os depósitos na conta do mandatário. O São Paulo afirma que os valores não têm qualquer relação. Os relatórios também indicam que a conta de Casares foi usada de forma recorrente para pagar despesas de sua ex-mulher, Mara Casares, incluindo 104 boletos bancários.









































