RTI Esporte
·03 de outubro de 2026
Cassiano Carvalho: São Paulo x Corinthians confirma a qualidade do futebol feminino no Brasil

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·03 de outubro de 2026

Antes de mais nada, sou admirador e consumidor do futebol feminino. Não resta dúvida de que as mudanças colocadas em prática pela Fifa e pela CBF, no Brasil, fortaleceram ainda mais a modalidade. Neste sábado, 3, vamos acompanhar a final do Campeonato Brasileiro Feminino entre São Paulo e Corinthians, às 16h30 (de Brasília), no Morumbis.
As Soberanas largaram na frente no primeiro jogo e fizeram 2 a 1 nas Brabas dentro da Neo Química Arena. Autora de um dos gols da vitória, Isa classificou como “um feito muito grande”. Concordo plenamente, pelo peso do Corinthians no futebol feminino.
Contudo, o momento é do São Paulo, a vantagem é das Soberanas, mas futebol, como diz o velho poeta: “é uma caixinha de surpresas”. Além disso, do outro lado estará um time que busca o seu oitavo título da história, o sétimo consecutivo.
Nem preciso lembrar que estamos falando de um dos dérbis mais famosos do mundo. Mas aí vai aparecer um mala dizendo: “Sim, mas no futebol masculino”. Tem razão, e é justamente nesse ponto que tenho que tocar.
Quem trabalha no futebol feminino, seja diretores, técnicos e técnicas, jogadoras, não tem a menor intenção de fazer comparações com o futebol masculino. Isso é coisa de quem não atua no meio e quer lacrar.
Para os desinformados, cerca de 40 mil ingressos foram vendidos para a decisão até o momento. O recorde de público no Brasileirão Feminino pertence justamente à dupla, na final do Campeonato Brasileiro de 2024. Essa informação acaba de derrubar mais uma narrativa: “Ninguém se importa com o futebol feminino”.
É claro que vários fatores precisam ser levados em consideração: é uma final; é um clássico; é no meio de uma Data Fifa; é no final de semana; é em ótimo horário. Mais uma vez, concordo com tudo. E acho que é nesse ponto que a CBF ainda falha.
Como eu disse no começo do texto, sou consumidor do futebol feminino. Mas não dá para achar aceitável jogos escondidos numa sexta-feira, 21h, por exemplo. Ou, em outros casos, partidas concorrendo com futebol masculino. Futebol é futebol. O futebol feminino começa a cair no gosto do torcedor e a Copa do Mundo Feminina de 2027 será um grande aliado.
Mas a CBF precisa usar a Data Fifa como exemplo e estudar melhor os horários das partidas. É preciso analisar a tabela do futebol masculino para dar maior visibilidade ao futebol feminino. Januário de Oliveira, um dos grandes narradores da nossa história, ficou imortalizado por afirmar que é bola de rolando, “que o povo gosta”. Se tem bola rolando, tem público.
Hoje Soberanas e Brabas vão entregar uma grande final para quem for ao Morumbis ou acompanhar de casa. O torcedor é torcedor do São Paulo ou Corinthians, não é torcedor do time masculino ou feminino. Então, precisamos ter a chance de escolher acompanhar os dois.
É claro que não dá para montar uma tabela ideal em todos os jogos. Mas, com boa vontade, dá para prestigiar os craques e as craques. Se organizar direitinho, todo mundo torce.
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