Central do Timão
·16 de setembro de 2026
Castán destaca influência de Diniz no Corinthians e relembra bastidores da Libertadores de 2012

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·16 de setembro de 2026

Às vésperas de mais uma decisão continental do Corinthians, Leandro Castán voltou ao passado para recordar a campanha que colocou o clube no topo da América pela primeira vez. Campeão da Libertadores de 2012, o ex-zagueiro também analisou o atual momento alvinegro e destacou a importância de Fernando Diniz, treinador com quem trabalhou durante a passagem pelo Vasco.
Nesta quarta-feira (16), às 21h30 (de Brasília), o Corinthians recebe o Estudiantes, na Neo Química Arena, pela volta das quartas de final da Libertadores. Após o empate por 1 x 1 em La Plata, uma vitória garante a classificação alvinegra, enquanto nova igualdade leva a decisão para os pênaltis.

Foto: Divulgação / Corinthians
Em entrevista ao Meu Timão, Castán relacionou o cenário atual às experiências vividas durante sua passagem pelo Parque São Jorge. Há 14 anos, o ex-defensor também disputava as quartas da Libertadores, naquela ocasião diante do Vasco, em uma caminhada que terminaria com o título invicto.
Castán recorda batalha das quartas de final em 2012
O primeiro encontro entre Corinthians e Vasco nas quartas daquela edição aconteceu em São Januário. A chuva deixou o gramado em condições difíceis, e os dois times terminaram a partida sem gols.
Para Castán, o equilíbrio não surpreendia. Corinthians e Vasco já haviam disputado o título do Campeonato Brasileiro de 2011, conquistado pelo Timão, e voltaram a se encontrar meses depois em um dos momentos mais importantes da campanha continental.
“Muitas lembranças. Quando a gente descobre que seria o Vasco, sabia que seria difícil, pois vinham brigando desde 2011 no Brasileirão. Era um time parecido, muito forte. Ali foi uma chuva, o campo ficou cheio de lama. Tem muitas fotos emblemáticas e foi uma guerra. Conseguimos um grande resultado.”
Além da preparação técnica, Castán destacou o trabalho realizado por Tite no aspecto emocional. Segundo o ex-zagueiro, o elenco havia criado uma relação de confiança que ajudou o Corinthians a atravessar os momentos de maior pressão daquela Libertadores.
“Tínhamos um grande treinador que sabia gerir bem esse lado emocional. Era 2012, não se falava tanto disso, mas o Tite estava à frente do seu tempo. Era um grupo muito fechado e amigo, e tinha um acordo que ninguém seria vilão, um correndo pelo outro. Dentro daquele time, havia muita confiança de fazer história no Corinthians e não deixamos o momento passar.”
No Pacaembu, o jogo de volta ficou marcado principalmente por uma defesa de Cássio diante de Diego Souza. O atacante vascaíno saiu cara a cara com o goleiro, que conseguiu impedir o gol. Pouco depois, Nilton ainda acertou o travessão. Paulinho, já nos minutos finais, marcou de cabeça e garantiu a vitória corinthiana por 1 x 0.
Castán contou que aquela sequência aumentou ainda mais a confiança do grupo na possibilidade de conquistar a América.
“Era um time mentalmente muito forte. Logo depois do lance que o Cássio defende, o Nilton cabeceia no escanteio a bola no travessão. A gente se olhou e sentiu que seria campeão. A confiança veio durante toda a competição, tudo que tinha plantado desde o começo do ano. Tínhamos a certeza de que faríamos história; o grupo era muito forte mentalmente.”
Saída após a Libertadores já fazia parte dos planos
A conquista continental também encerrou a passagem de Castán pelo Corinthians. Depois do título sobre o Boca Juniors, o defensor seguiu para a Roma, da Itália.
O ex-jogador explicou que atuar no futebol europeu fazia parte de seu planejamento profissional e revelou que chegou a receber uma oferta da Rússia anteriormente. Na ocasião, Tite aconselhou o defensor a permanecer até o término da Libertadores.
“São escolhas. Era o projeto da minha carreira: jogar na Europa. Eu tive proposta de um time da Rússia; o Tite me chama e fala para não ir, apenas depois da Libertadores. Eu sabia que ali seria meu último campeonato. Quando veio a Roma, me dando vaga de estrangeiro, foi a oportunidade em um mercado na Europa, chegar à Seleção e buscar a Copa de 2014. Claro, queria também ficar para o Mundial, mas é uma decisão que eu estava apenas concretizando o planejado.”
Anos depois da transferência, Castán enfrentou um dos períodos mais delicados da carreira. Durante sua passagem pela Itália, foi diagnosticado com um cavernoma, uma malformação vascular no sistema nervoso central, e precisou passar por uma cirurgia.
Ao recordar a escolha pela Roma, o ex-zagueiro citou uma coincidência que ganhou significado posteriormente em sua trajetória.
“Olhando para o futuro, eu fiquei dois anos depois doente. Eu só estava me preparando. O médico especialista da minha doença era de Roma. Nada é por acaso. Bate aquele gosto de querer estar lá (no Mundial), mas sou tranquilo quanto a isso. Eu sabia que a minha trajetória seria até a Libertadores.”
Castán vê Corinthians competitivo nas copas
A experiência de 2012 também serve como referência para Castán acompanhar o atual Corinthians. O ex-defensor evitou uma comparação direta entre as duas equipes, mas destacou o desempenho apresentado pelo Timão em competições eliminatórias.
Nesse contexto, o ex-zagueiro também falou sobre Fernando Diniz. Os dois trabalharam juntos no Vasco e construíram uma relação que ultrapassou o aspecto tático.
“Difícil comparar. Naquele time, eu era um dos mais jovens. O Alex já tinha vencido, Danilo. Tinha Liedson, Sheik, Chicão, Alessandro, e uma mescla com Ralf, Paulinho, Cássio, Jorge Henrique. Adoro o Diniz, trabalhei com ele no Vasco e admiro muito. O Corinthians está se transformando em copeiro; a gente vê na Copa do Brasil, Sul-Americana e Libertadores e compara com o Brasileiro. Tem feito grandes jogos. Contra o Estudiantes eu acredito que tem muita chance de passar, pois soube sofrer na Argentina e precisa disso. Está no caminho certo para trazer esse bicampeonato.”
Para Castán, uma das características mantidas por Diniz ao longo da carreira é a competitividade. O ex-jogador considera que o treinador conseguiu adaptar suas ideias às diferentes realidades encontradas nos clubes em que trabalhou.
“O Diniz é um dos caras que me inspirou para ser treinador. Está diferente, bem claro, mas o que não mudou é que segue sendo muito competitivo. O estilo de jogo talvez tenha mudado, mas é habilidade do treinador para se habituar onde está, com as peças que tem. Ele continua vencendo e sendo competitivo, mas segue um grande treinador.”
A convivência diária no Vasco também deixou uma impressão importante no ex-corinthiano. Ao falar sobre os treinadores que marcaram sua carreira, Castán colocou Diniz entre os principais nomes e ressaltou a relação construída com os jogadores.
“Difícil encontrar palavras. Adorei trabalhar juntos. O Tite foi um cara que tenho um carinho grande, tive grandes treinadores e o Diniz está entre eles. Você verdade no dia a dia e isso é fundamental. Aquilo que fala é o que acontece, esse é o diferencial. É um cara de caráter e você vê verdade.”
Diniz teve papel importante na reta final da carreira de Castán
A importância do atual treinador do Corinthians na trajetória de Castán também apareceu em um momento particularmente difícil. Depois dos problemas enfrentados após a cirurgia, o defensor chegou a considerar encerrar a carreira.
O reencontro com Diniz no Vasco, segundo Castán, ajudou a recuperar o prazer de jogar futebol.
“Teve muitos episódios. Estava no final da carreira, quase me aposentando e falei para ele algumas vezes que o Diniz me fez voltar a desfrutar do futebol na reta final. Eu vinha de uma cirurgia, onde não consegui mais jogar futebol, e volto para o Vasco no Brasil. O Diniz me fez o sentimento de entrar em campo e aproveitar enquanto jogava. O Diniz me fez desfrutar.”
Uso da base também recebe elogios
Além dos resultados em mata-matas, Castán destacou outro aspecto do trabalho de Diniz no Corinthians: a utilização dos jogadores formados nas categorias de base.
O ex-zagueiro citou especificamente Iago Machado. Em 2025, Castán realizou um estágio com Orlando Ribeiro Laruccia, então treinador do Sub-17, e acompanhou o defensor antes de sua chegada ao elenco profissional.
“É um time que quando chega às copas, tem se transformado. Tem suas limitações, mas o Diniz tem dado oportunidade para a garotada. O futebol brasileiro precisa disso, ainda mais o Corinthians, com problemas financeiros, a base é a solução. Em 2025, fiz estágio com o Laruccia (ex-técnico do Sub-17) e acompanhei o Iago (Machado) de perto, já sabia do potencial. Feliz em ver a estreia contra o Flamengo. Gosto disso que o Diniz tem feito. Já o Yuri faz muita falta; a esperança é que volte para continuar com o trabalho. Ele é muito importante para esse time.”
Por fim, Castán também comentou a discussão em torno das formações utilizadas pelo treinador. Para ele, a disposição inicial tem importância menor do que a maneira como os jogadores se movimentam dentro do sistema.
“A questão da estrutura (formação) pouco importa, mas como mexe as peças nessa estrutura. É como você manipula dentro da estrutura.”
História construída no Corinthians
Castán chegou ao Corinthians em 2010 e ganhou espaço progressivamente no sistema defensivo. Após assumir a titularidade, participou da campanha do título brasileiro de 2011 e se consolidou como uma das peças importantes da equipe comandada por Tite.
No ano seguinte, formou a defesa do time que conquistou de maneira inédita a Libertadores. Depois da final contra o Boca Juniors, deixou o clube rumo à Roma e seguiu sua trajetória no futebol europeu.
Agora, 14 anos depois daquela campanha, o ex-zagueiro acompanha um novo mata-mata de Libertadores do Corinthians. Desta vez, com Fernando Diniz, um treinador que marcou sua própria carreira, comandando o Timão na tentativa de superar o Estudiantes e seguir na busca pelo segundo título continental.







































