Portal dos Dragões
·20 de janeiro de 2026
CCTV e cinco testemunhas não comprovam desligamento intencional do VAR no FC Porto-Braga

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O FC Porto-Sp. Braga (2-1), referente à 10.ª jornada da Liga Betclic, registou um corte no sistema VAR na fase final do intervalo, o que atrasou o início da segunda parte em 45 segundos. O Conselho de Disciplina da FPF instaurou um inquérito sobre o sucedido, que viria a ser arquivado.
Com a publicação do acórdão do processo de inquérito, fica claro que a Comissão de Instrutores analisou imagens de videovigilância e ouviu cinco testemunhas, sem conseguir obter prova suficiente de uma eventual desativação intencional do VAR. “Com efeito: não foi possível identificar, por via das imagens CCTV, qualquer ato positivo inequívoco de desligamento; e a explicação mais plausível, à luz do que foi apurado, reconduz-se a uma desconexão acidental, cuja autoria concreta não se logrou determinar e que, por si só, não permite sustentar a violação de deveres regulamentares por determinado agente ou entidade. (…) Tendo em conta a suficiência das diligências realizadas (e que dispensam a determinação de outras adicionais), crê-se não estarem reunidos dados, elementos ou circunstâncias suficientes que, ponderados entre si e inclusive mediante raciocínio lógico-racional, permitam, séria e fundadamente, admitir uma qualquer possibilidade razoável de vir a ser apurada a violação de normas regulamentares ou a prática de qualquer infração disciplinar no âmbito dos factos objeto do presente processo de inquérito”, pode ler-se na conclusão do processo.
No exame das imagens, a Comissão de Instrutores não encontrou qualquer ação que ligasse a desconexão da ficha do sistema VAR à tomada de alimentação elétrica situada num murete junto à bancada central do Estádio do Dragão, tendo-se destacado a presença de uma pessoa que mais tarde foi identificada durante as diligências.
Em primeiro lugar foi ouvido Rui Rodrigues, técnico de apoio ao VAR do FC Porto, cuja responsabilidade é “em assegurar a energia elétrica para bastecer o sistema, bem como prestar apoio se for solicitado pelos técnicos da Altice e/ou Media Pro”. O inquirido afirmou só ter tido conhecimento da falha de energia no dia seguinte ao encontro: “Soube, já depois do dia do jogo, através do Director de Campo da FC Porto SAD, que o sistema, na parte correspondente à review area, esteve sem funcionar durante um curto período, perto do início da segunda parte do jogo, porém, o funcionamento do sistema foi reposto rapidamente. Foi-lhe transmitido que não há suspeita de qualquer atuação dolosa, sendo a causa mais provável da interrupção que alguém tenha tropeçado num fio, desligando-o acidentalmente da tomada.”
José António Monteiro, técnico da Media Pro, afirmou ter “a absoluta certeza de que a ficha estava ligada à tomada no início do intervalo, tendo perfeita memória de verificar a ligação, antes de abandonar o local” e acrescentou que “tanto quanto pôde perceber, a UPS [sistema de apoio de energia] terá suportado o funcionamento dos equipamentos na review area durante cerca de 10 minutos”.
Por seu turno, Carlos Carvalho, director de segurança do FC Porto, disse não reconhecer a pessoa assinalada numa das imagens de videovigilância, cuja identificação era inicialmente desconhecida, mas aventou que se trataria do técnico responsável pelos jactos de CO2 activados na entrada das equipas em campo. Seguiu-se o depoimento de Marco Paiva, director de campo do FC Porto, que “declarou que foram examinadas todas as imagens CCTV sem que se detetasse qualquer facto que possa ter provocado tal interrupção” e “explicou que o fio chega à tomada através de uma calha técnica, que percorre o espaço entre a review area e o sobredito murete”, acrescentando que “como o fio passa por esta calha, é impossível que alguém nele tenha tropeçado, assim o desligando da tomada”. Marco Paiva identificou então a pessoa assinalada como Tiago Bernardo, colaborador da CJR – Pirotecnia e Explosivos, S.A., que prestou serviços ao FC Porto relacionados com os jactos de CO2.
Tiago Bernardo confirmou que, no âmbito das suas funções, necessita de “utilizar vários cabos/fios elétricos que se ligaram a tomadas situadas a cerca de 25 metros do local onde se encontra na sobredita imagem”, porque “só aí se encontram tomadas trifásicas, de 32 Amperes, que são as adequadas para os equipamentos em causa, e que não se confundem com as tomadas que se encontram mais próximas da review área”. “Acrescentou, ainda, que teve o cuidado de não misturar os sobreditos cabos/fios elétricos com os que estavam ligados a quaisquer outros equipamentos, e que os cobriu com tapetes de relva sintética, para eliminar o risco de alguém neles tropeçar. Perguntado, declarou que existe uma calha técnica que percorre o espaço entre a review area e o murete de vedação da bancada, e que presume destinar-se ao cabo que leva eletricidade aos equipamentos que se encontram na review area, para o qual à uma tomada dedicada, ao pé do portão que se vê na imagem, no murete já referido. Perguntado, declarou que, em teoria, não é impossível que a manipulação, por si, de quaisquer equipamentos, tenha provocado o desligamento desta ficha/cabo da respetiva tomada, porém, tendo em conta os cuidados que teve e o que observou no local, tal é muitíssimo improvável”, lê-se no documento.
Perante os factos e depoimentos, o inquiridor recomendou “o arquivamento dos autos, por concluir que, não obstante a relevância dos factos em investigação – interrupção temporária do funcionamento do sistema VAR, com atraso de 45 segundos no reatamento da 2ª parte do jogo objeto dos autos –, não foram recolhidos elementos indiciários que permitam imputar tal ocorrência a qualquer conduta disciplinarmente relevante”.
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