Esporte News Mundo
·01 de julho de 2026
CEO ex-Santa Cruz e Bahia, Pedro Henriques analisa consolidação das SAFs no Brasil: ‘Não é fórmula mágica’

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·01 de julho de 2026

Com os primeiros anos de aplicação prática das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil, o modelo entra em uma fase de maior maturidade e passa a ser avaliado pelos resultados obtidos dentro e fora de campo. Para Pedro Henriques, ex-CEO de Santa Cruz e Bahia, o sucesso de uma SAF depende muito menos da estrutura jurídica e muito mais da qualidade da gestão.
Na avaliação do executivo, a SAF é uma alternativa consolidada para clubes que buscam crescimento estruturado, mas não representa uma necessidade absoluta.
“A SAF é uma alternativa consolidada e cada vez mais recomendável para quem busca crescimento estruturado, mas não vejo como necessidade absoluta. Há clubes associativos bem geridos que não só sobrevivem, como prosperam. O que esses casos provam é que a virtude não está no modelo jurídico, mas na gestão”, afirmou.
Pedro cita exemplos como Flamengo, Palmeiras e Mirassol para reforçar que clubes associativos também podem alcançar resultados expressivos quando possuem organização, planejamento e eficiência administrativa.
Para ele, a grande oportunidade da SAF está na possibilidade de estruturar clubes que historicamente enfrentaram dificuldades de gestão, além de permitir uma alavancagem financeira capaz de acelerar processos de crescimento. No entanto, faz um alerta: dinheiro, sozinho, não transforma um clube.
“SAFs, especialmente no primeiro momento, não podem ser pensadas apenas sob o aspecto financeiro. É preciso pensar muito bem sobre o projeto proposto e, tão importante quanto isso, quem vai geri-lo”, destacou.
Entre os pilares indispensáveis para o sucesso de uma SAF, o executivo aponta uma equipe técnica qualificada, capacidade real de investimento e um diagnóstico profundo da realidade do clube antes da implementação do projeto.
“Não adianta ter promessas midiáticas e marketeiras de aportes gigantes. É preciso investimento estratégico, que sustente o projeto além do período de transição e respeite prioridades estruturantes, como saneamento de dívidas e infraestrutura”, ressaltou.
Após acompanhar de perto a evolução do modelo no futebol brasileiro, Pedro Henriques acredita que a principal lição aprendida pelo mercado é que a SAF está longe de ser uma solução automática.
“A SAF pode ser um catalisador, mas só gera mudanças práticas se agregar elementos novos além de dinheiro. O dinheiro, puro e simples, tende a amplificar o que já existe. Se o projeto tem equipe técnica boa, diagnóstico sério e planejamento estratégico, o dinheiro acelera o crescimento. Se não tem, a SAF pode acabar acentuando problemas, como crescimento de dívida”, explicou.
O ex-CEO de Santa Cruz e Bahia também chama atenção para um erro que, em sua visão, ainda é recorrente entre clubes em dificuldades financeiras: a falta de uma análise criteriosa sobre quem será o investidor.
“SAF não é varinha de condão. É uma ferramenta que, se for utilizada sem projeto e sem gente certa para executá-lo, não necessariamente resolverá o problema.”
Segundo Pedro Henriques, a consolidação das SAFs no Brasil passa agora por uma etapa de maturidade, na qual governança, planejamento estratégico e profissionais especializados tendem a ser fatores muito mais determinantes para o sucesso do que simplesmente a mudança do modelo jurídico.







































