Território MLS
·16 de agosto de 2026
CF Montréal domina, mas volta a desperdiçar chances e empata com o DC United

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Prince Owusu marca e comanda o ataque canadense, mas Montréal não transforma amplo domínio em vitória no Stade Saputo
O CF Montréal voltou da pausa da Leagues Cup com uma semana diferente ao seu redor. Alexis Sánchez foi apresentado à torcida, o clube estreou seu novo uniforme retrô em referência ao Montréal Impact e o Stade Saputo recebeu um público empolgado com o momento vivido fora das quatro linhas.
Dentro delas, porém, um problema conhecido voltou a aparecer.
O Montréal foi superior ao DC United, controlou boa parte da partida, criou oportunidades suficientes para vencer, abriu o placar com Prince Owusu, mas novamente pecou na eficiência. Tai Baribo empatou para os visitantes e decretou o 1 a 1 pela 19ª rodada da MLS.
O resultado leva o Montréal aos 17 pontos e mantém a equipe na parte de baixo da Conferência Leste.
A primeira oportunidade foi do DC United. Aos 10 minutos, Kimito Nono, em sua estreia, cruzou para a área. Após o corte da defesa, a bola voltou ao jogador, que encontrou Louis Munteanu. A finalização de fora da área, porém, não levou grande perigo a Thomas Gillier.
Pouco depois, Jackson Hopkins voltou a procurar Munteanu pelo alto. Desta vez, o atacante conseguiu o cabeceio, mas mandou para fora.
A resposta do Montréal veio aos 16 minutos e em uma ótima construção coletiva. Victor Wanyama encontrou Noé Streit, que tocou de primeira para Fabian Herbers. O meia abriu com Denny Pereira, e o cruzamento rasteiro encontrou Prince Owusu. O centroavante finalizou bem, obrigando Sean Johnson a fazer a defesa.
O DC ainda teve uma oportunidade após cobrança de falta. A defesa canadense não conseguiu afastar completamente e Tyler Boyd apareceu em boas condições, mas cabeceou para fora.
Aos poucos, o Montréal passou a instalar sua pressão no campo adversário. Aos 36, recuperou a posse no ataque e Luca Petrasso cruzou para Hennadiy Synchuk, que finalizou por cima.
O Montréal voltou melhor para a segunda etapa.
Em uma das boas construções da equipe, Petrasso encontrou Owusu, que deu um toque de peito para Herbers. O alemão virou o jogo para Synchuk, que partiu para cima da marcação, cortou para dentro e finalizou para a defesa de Sean Johnson.
A pressão resultaria no primeiro gol. Após escanteio curto, Synchuk colocou a bola na área e o Montréal reclamou de um toque de mão de Keisuke Kurokawa. Depois da revisão no VAR, a arbitragem marcou o pênalti.
Prince Owusu assumiu a cobrança e marcou seu 11º gol na MLS em 2026: 1 a 0 Montréal.
A vantagem, entretanto, durou pouco.
O DC trabalhou a bola no campo ofensivo até encontrar espaço entre as linhas. Silvan Hefti apareceu por dentro e acionou Nono, que cruzou para Tai Baribo. O atacante ganhou pelo alto e cabeceou para empatar.
Depois do 1 a 1, o Montréal voltou a acumular oportunidades.
Aos 77 minutos, Owusu participou novamente da construção e abriu para Synchuk. O ucraniano trouxe para dentro e bateu rasteiro, levando perigo ao gol de Johnson.
Pouco depois veio uma das melhores oportunidades da partida. Após construção iniciada por Brayan Vera, Owusu tabelou com Daniel Ruiz e cruzou rasteiro. Matthew Longstaff apareceu completamente livre no meio da área, mas finalizou em cima de Sean Johnson, que fez uma grande defesa.
Owusu continuou comandando praticamente todas as ações ofensivas. Aos 80, recebeu pela esquerda e colocou outra bola rasteira na área. Synchuk apareceu em boas condições, mas não conseguiu transformar a oportunidade em gol.
Nos minutos finais, a pressão aumentou. Em um cruzamento de Petrasso, o corte da defesa acabou deixando a bola atravessar a área e Olger Escobar apareceu para finalizar na trave.
Ainda houve tempo para outra chegada. O Montréal recuperou a posse no ataque, Synchuk encontrou Owusu e o camisa 9 novamente colocou a bola rasteira para Escobar, que escorregou no momento da finalização.
Fim de jogo no Stade Saputo: CF Montréal 1 x 1 DC United.
Os números ajudam a explicar a frustração do Montréal. Foram 20 finalizações, sete no alvo e 1.88 de xG contra apenas sete chutes e 0.56 de xG do DC United.
Foi, com distância, o melhor jogador do Montréal.
E não apenas pelo gol. Owusu terminou a partida com duas finalizações no alvo, quatro chances criadas e três grandes chances criadas. Para um centroavante, foi uma atuação extremamente completa.
Ele apareceu para finalizar, mas também saiu da área, segurou a bola, tabelou, abriu espaços e serviu seus companheiros. Principalmente na reta final, várias das melhores oportunidades do Montréal passaram pelos seus pés.
Com Alexis Sánchez prestes a ficar disponível, será interessante acompanhar como Philippe Eullaffroy pretende encaixar os dois. Pelo que Owusu vem produzindo, principalmente em eficiência, é difícil imaginar esse ataque sem ele.
A evolução de Brayan Vera merece cada vez mais atenção.
Depois de também ser utilizado como lateral, o colombiano vem se estabelecendo na zaga e fez novamente uma boa partida. É um defensor agressivo, confortável com a bola e que consegue contribuir quando o Montréal adianta suas linhas.
Dentro de uma equipe que gosta de pressionar no campo adversário, essas características fazem diferença. Vera atravessa um dos seus melhores momentos desde que chegou ao clube.
Era uma partida importante para o Montréal também por tudo que aconteceu durante a semana.
Alexis Sánchez foi apresentado no Stade Saputo, o novo uniforme retrô trouxe novamente referências ao Montréal Impact e houve uma movimentação muito maior em torno do clube. Era uma boa oportunidade para acompanhar essa empolgação com uma vitória.
Ela não veio.
E, diferentemente de alguns dos resultados recentes, esse é mais difícil de justificar apenas pela qualidade do adversário.
O Montréal teve um retorno complicado depois da Copa do Mundo. Enfrentou Nashville e Inter Miami, primeiro e segundo colocados da classificação geral da Supporters’ Shield, e perdeu ambos por apenas um gol, em partidas equilibradas. Depois, empatou com o New England Revolution, terceiro colocado da Conferência Leste.
Foram adversários difíceis e atuações que mostraram evolução.
Contra o DC United, entretanto, o Montréal precisava transformar essa evolução em três pontos.
Foram 67% de posse, 20 finalizações, sete chutes no gol e 1.88 de xG. O adversário produziu apenas 0.56. Mesmo assim, o placar terminou empatado.
É um problema que acompanha o Montréal desde o trabalho de Marco Donadel: existem partidas em que a equipe joga bem, cria mais e merece um resultado melhor, mas não consegue transformar sua superioridade em vitória.
E isso começa a pesar na tabela.
Individualmente, a atuação ofensiva deixou pontos positivos. Na minha visão, foi uma das melhores — se não a melhor — apresentações recentes do trio formado por Hennadiy Synchuk, Prince Owusu e Noé Streit. Enquanto Sánchez ainda não estreia, é a formação ofensiva que mais me agrada.
Fabian Herbers também fez uma partida interessante.
Já o meio-campo não teve a mesma força. Denny Pereira esteve melhor do que em outras oportunidades, mas ainda me incomoda vê-lo como titular frequente dessa equipe. Matthew Longstaff é essencial para o funcionamento do Montréal e, quando disponível, precisa estar em campo. Victor Loturi e Samuel Piette também continuam sendo opções importantes, além de Olger Escobar.
A chegada de Sánchez naturalmente vai provocar mudanças, mas o Montréal já mostrou que possui peças para jogar bom futebol. Agora precisa resolver uma questão muito mais básica: aproveitar as oportunidades que cria.
Porque a situação começa a exigir resultados.
Com o empate, o Montréal chega a 17 pontos em 19 partidas e ocupa provisoriamente a 13ª colocação da Conferência Leste. O Philadelphia Union ainda joga na rodada e possui 16 pontos em 18 jogos, enquanto o Atlanta United voltou a vencer e chegou aos 15.
A distância para trás diminuiu. Está na hora de o Montréal começar a transformar as boas atuações em pontos.
O CF Montréal volta a campo já na quarta-feira (19), às 20h30, quando visita o Columbus Crew no Lower.com Field pela MLS.
O DC United, por sua vez, chega a seis partidas consecutivas sem perder, embora tenha vencido apenas uma delas. A equipe permanece na nona colocação da Conferência Leste, com 24 pontos, dentro da zona de classificação para o Wild Card dos playoffs.
Também na quarta-feira, às 20h30, o DC recebe o New England Revolution no Audi Field.
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