Coluna do Fla
·29 de setembro de 2026
Clubes ameaçam parar o Brasileirão após suspensão das bets

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·29 de setembro de 2026

Dirigentes querem transição de seis meses a um ano para o fim da publicidade das casas de apostas e tentam levar a CBF para a ofensiva
Dirigentes de clubes brasileiros passaram a discutir a paralisação do Brasileirão em reação à medida provisória que proibiu as bets no país. Segundo o Estadão, a ideia ainda está em debate e funciona como instrumento de pressão sobre o Governo Federal.
O principal objetivo é arrancar do governo um período de transição de seis meses a um ano para o fim da publicidade das casas de apostas. Além disso, os clubes querem usar a ameaça para obter medidas além da linha de crédito a juros baixos negociada antes da MP.
A articulação também mira a CBF. Os dirigentes querem a confederação ao lado dos clubes na pressão. Por isso, interpretaram como sinal importante o movimento do Sinafut, que pediu para participar do processo contra a MP no Supremo Tribunal Federal (STF).
O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), que representa clubes e federações, protocolou o pedido nesta segunda-feira (28). A entidade quer integrar as ações relatadas pelo ministro Luiz Fux contra a Medida Provisória 1.394/2026.
Na petição, o sindicato pede a suspensão da MP até que o Congresso delibere ou o STF julgue as ações. Caso isso não ocorra, solicita a prorrogação de todos os prazos por, no mínimo, seis meses.
Como alternativa adicional, o Sinafut propõe transição até 31 de dezembro de 2026 para os contratos do futebol profissional. O pedido inclui patrocínio, publicidade, naming rights, transmissão e licenciamento.
A leitura dos dirigentes sobre a CBF tem base concreta. A diretoria do Sinafut inclui dois vice-presidentes da confederação, que comandam as federações do Amazonas e do Pará. Além disso, a própria CBF vendeu à Betano os naming rights do Campeonato Brasileiro.
O sindicato também argumenta que a MP revogou mecanismos de combate à manipulação de resultados previstos na lei de 2023. Entre eles, estavam a comunicação de indícios às autoridades e a suspensão cautelar de apostas em eventos suspeitos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a MP na sexta-feira (25), em São Paulo. Desde então, clubes não podem firmar novos contratos de publicidade com bets. Pelas regras da Fazenda, marcas e peças publicitárias precisam sair de circulação até 5 de outubro.
Para o Sinafut, a data cai na reta final das competições nacionais, quando a exposição de marca atinge o auge. Ao mesmo tempo, os clubes fecham agora os orçamentos de 2027 e dos estaduais, que começam em janeiro.
O impacto alcança boa parte da elite. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A exibem casas de apostas como patrocinadoras máster. Segundo a petição, o setor aportou cerca de R$ 1,14 bilhão nos clubes da elite em 2025, o equivalente a 7,9% do faturamento conjunto.
A ameaça de paralisação também serviria para ampliar a pauta de compensações. Até aqui, a principal alternativa discutida era uma linha de crédito com juros baixos. Entretanto, o BNDES negou participação em qualquer debate sobre financiamento a clubes. Em nota, o banco citou vedação estatutária para esse tipo de operação.
O governo, por sua vez, planejava reunir dirigentes para medir o prejuízo causado pela MP. O Ministério do Esporte chegou a convocar clubes e federações para um encontro nesta terça-feira (29). Contudo, a pasta adiou a reunião, que ainda não tem nova data.
O Flamengo aparece entre os clubes mais expostos. A Betano paga R$ 268,5 milhões por temporada ao Rubro-Negro, em contrato válido até o fim de 2028. Como o Coluna do Fla mostrou, a patrocinadora já sinalizou informalmente a intenção de encerrar o vínculo.
O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estimou em R$ 400 milhões o impacto nas receitas do clube no próximo ano. Em entrevista ao Metrópoles, ele admitiu que a diretoria não tem alternativa pronta:
“É muito difícil, no curto prazo, a gente dizer o que pode fazer, porque está sendo uma medida muito drástica. Eu estaria mentindo se dissesse que a gente tem um plano B para isso. Não temos.”
No STF, Fux pode decidir sozinho ou levar o caso ao plenário. Antes disso, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu 72 horas para se manifestar. Além do Sinafut, entidades do setor de apostas, como ANJL e IBJR, já pediram a suspensão imediata da MP. Depois, o texto ainda precisará passar pelo Congresso para virar lei.







































