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Coluna do Fla

·24 de setembro de 2026

Clubes e federações pressionam presidente da República por possível restrição das bets

Imagem do artigo:Clubes e federações pressionam presidente da República por possível restrição das bets

Principais clubes do Brasil são patrocinados por bets


Times e federações de futebol do Brasil articulam uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a possível publicação de uma Medida Provisória que pode restringir as atividades das empresas de apostas. Os dirigentes temem que a medida afete diretamente os investimentos das bets no futebol brasileiro.

O Governo Federal avalia proibir ao menos parte das operações das casas de apostas. Atualmente, os jogos de cassino on-line representam uma parcela significativa do faturamento dessas empresas.


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O QUE O GOVERNO PRETENDE MUDAR NAS BETS?

Segundo informações do ge, a possível Medida Provisória não deve proibir as apostas esportivas. Ainda assim, os clubes avaliam que a restrição aos cassinos on-line pode reduzir a capacidade financeira de algumas empresas.

Consequentemente, os dirigentes temem uma queda nos investimentos destinados ao futebol. Afinal, nos últimos anos, as bets assumiram papel importante no mercado de patrocínios das equipes brasileiras.

Por isso, clubes e federações querem apresentar os impactos da medida diretamente ao presidente Lula. A intenção é pressionar o Governo Federal antes de uma eventual publicação da MP.

CLUBES JÁ SE MANIFESTARAM CONTRA A POSSÍVEL RESTRIÇÃO?

Na última semana, os principais clubes do país divulgaram um manifesto conjunto sobre o assunto. No documento, as equipes alertaram para o possível “fim do futebol brasileiro” caso o governo avance com a medida.

A reação nas redes sociais, porém, não acompanhou a posição dos clubes. Um levantamento realizado pela consultoria Bites, a pedido de O Globo, apontou que a maior parte dos comentários sobre o manifesto foi negativa.

A pesquisa analisou publicações de Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. No caso do clube de São Januário, mais de 90% dos comentários foram contrários às bets. Além disso, o levantamento apontou rejeição de 86% nas publicações do Flamengo. Já nos posts dos clubes paulistas, o índice chegou a 85%.

QUANDO A MEDIDA PROVISÓRIA PODE SER PUBLICADA?

Inicialmente, existia a expectativa de que a MP fosse publicada nesta segunda-feira (21). No entanto, a possibilidade diminuiu. Isso acontece porque Lula está em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Enquanto isso, clubes e federações buscam uma audiência com o presidente para apresentar os argumentos. Além disso, tentar evitar mudanças que, na avaliação dos dirigentes, podem afetar o mercado de patrocínios do futebol brasileiro.

FLAMENGO SE PRONUNCIA

O Flamengo, que assinou a carta “fim do futebol brasileiro” na última quinta-feira (17), voltou a se pronunciar sobre o tema apostas na terça (22). O Rubro-Negro deixou claro que é a favor do fim das bets ilegais e apoiou o Governo Federal para este trabalho.

“O futebol brasileiro acompanha com atenção as discussões sobre o futuro do mercado de apostas no país e considera importante reafirmar uma posição que já apresentada de forma clara pelas entidades do setor: é preciso combater de forma rigorosa o jogo ilegal, e não desmontar o mercado legal, regulado e fiscalizado pelo Estado. O Brasil decidiu regular as apostas. Houve um amplo processo de discussão, seguido pela deliberação e aprovação do Congresso Nacional, e a regulamentação estabeleceu regras para a operação das empresas, mecanismos de fiscalização e medidas de proteção aos consumidores. Desde então, clubes e demais agentes do futebol fizeram investimentos e assumiram compromissos considerando o ambiente regulatório criado pelo próprio Estado. É importante lembrar que uma eventual proibição ou interrupção abrupta desse mercado não significaria apenas a perda de receitas futuras. Existem contratos de patrocínio já firmados, muitos deles de longo prazo, além de compromissos financeiros e decisões de investimento e contratação de atletas assumidos com base no ambiente regulatório estabelecido no país. Uma mudança dessa natureza colocaria em risco compromissos já assumidos e poderia provocar um forte desequilíbrio financeiro nos clubes, com impacto direto sobre a sustentabilidade do futebol brasileiro. O que o futebol entende como inadequado é substituir o enfrentamento da ilegalidade pela restrição abrupta de um mercado que foi legalizado, regulado e tributado pelo próprio Estado. O mercado clandestino não oferece as mesmas garantias de fiscalização, transparência e proteção previstas no ambiente regulado. Por isso, o caminho deve ser fortalecer a fiscalização, aperfeiçoar os mecanismos de proteção e impedir a atuação de operadores ilegais, preservando a segurança jurídica de quem atua dentro das regras estabelecidas. Na avaliação do futebol, não se trata de escolher entre proteger a população e manter o mercado regulado. É possível e necessário fazer as duas coisas: combater o jogo ilegal, aprimorar a fiscalização, fortalecer mecanismos de prevenção, ampliar a informação ao consumidor e garantir atenção e tratamento para pessoas que desenvolvam comportamento de jogo problemático. A proteção à saúde e ao bem-estar da população deve ser tratada com seriedade, com políticas públicas baseadas em evidências e capazes de enfrentar os diferentes fatores que afetam a saúde financeira, emocional e social das famílias brasileiras.Essa proteção, no entanto, não deve ser confundida com a simples substituição de um mercado regulado por um ambiente clandestino, sobre o qual o Estado tem menos instrumentos de fiscalização e controle. Qualquer mudança deve avaliar seus efeitos concretos sobre a população, inclusive os riscos de deslocamento da atividade para operadores ilegais, e considerar o conjunto de políticas necessárias para prevenir danos, orientar os consumidores e oferecer suporte a quem precisar”.

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