Central do Timão
·05 de março de 2026
Coletivo protocola pedido de voto aberto na reforma do Estatuto do Corinthians

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O Coletivo Voz Corinthiana, formado por torcedores e associados do Corinthians que participaram das audiências públicas da reforma estatutária, protocolou nesta quarta-feira (5) um requerimento na Secretaria do Conselho Deliberativo (CD) solicitando que a votação do novo Estatuto seja realizada de forma nominal e aberta.
Em nota publicada nas redes sociais, o coletivo afirma que o momento institucional “não admite segredos” e defende que a reforma definirá as regras das próximas eleições e gestões do Corinthians. Para o grupo, tanto a Fiel Torcida quanto o quadro associativo têm o direito de saber como cada conselheiro se posicionará em temas considerados determinantes para o futuro da instituição.

Foto: Reprodução/Coletivo Voz Corinthiana
O requerimento, segundo o Coletivo Voz Corinthiana, é amparado por estudo técnico estruturado em três pilares. O primeiro deles é a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que estabelece princípios como transparência, moralidade e responsabilidade social na gestão esportiva. De acordo com o grupo, o sigilo em votações de grande impacto institucional afronta o dever de informação previsto na legislação.
O segundo ponto trata de governança e controle interno. Na avaliação do coletivo, o voto secreto em pautas estruturais reduz a responsabilização individual e dificulta a fiscalização por parte da torcida e dos associados. A publicidade do voto, argumentam, seria instrumento essencial de controle democrático.
Por fim, o grupo sustenta que há previsão regimental para a adoção do modelo, uma vez que o artigo 13 do Regimento Interno do Conselho Deliberativo autoriza expressamente o voto nominal, por decisão da Presidência do órgão, o que tornaria a medida juridicamente viável.
No texto, o coletivo também afirma que não aceitará que decisões com impacto “na vida de milhões de corinthianos” sejam tomadas “na sombra” e associa a transparência à modernização da governança do clube. O requerimento completo, com a fundamentação jurídica apresentada, foi disponibilizado pelo grupo em suas plataformas digitais – clique AQUI para acessar.
A votação da proposta de reforma estatutária acontece nesta segunda-feira (9), no âmbito do Conselho Deliberativo, e deverá seguir para aprovação da Assembleia Geral de sócios do clube no início de abril.
Voto do Fiel Torcedor também preocupa
Um dos pontos mais sensíveis da reforma estatutária é a possível concessão do direito de voto aos membros do programa de sócio-torcedor, medida que pode ampliar o colégio eleitoral e fortalecer a participação democrática no clube.
O texto final elaborado pela Comissão de Reforma do Estatuto, após o ciclo de audiências públicas, preserva três propostas distintas sobre o tema: a não adoção do voto ao sócio-torcedor; a concessão do direito apenas quatro anos após a aprovação da reforma; ou a liberação já para a eleição deste ano. Caberá aos conselheiros deliberar e escolher uma das três propostas.
Na última quarta-feira (4), um grupo de conselheiros e associados do Corinthians divulgou uma carta aberta em defesa da concessão do direito de voto ao Fiel Torcedor nas próximas eleições do clube.
“Defendemos que o sócio torcedor, o associado do futebol, o FIEL TORCEDOR, tenha direito de participar do processo democrático do nosso clube já nas eleições de 2026. Acreditamos que ampliar o colégio eleitoral do Corinthians é uma das medidas necessárias para alinharmos nosso amado clube com as práticas mais modernas de gestão e democracia, além de reconhecer e valorizar a força real da nossa torcida.
“Permitir que o Fiel Torcedor vote é honrar tudo o que a torcida faz, sacrifica e contribui pelo Corinthians. É reconhecer, formalmente, que o Clube existe graças ao seu povo, e que decisões importantes, como a escolha dos rumos da nossa administração, devem passar pelas mãos daqueles que mais amam e investem tempo, paixão e recursos em nosso time“, diz trecho da carta.
O documento é assinado pelos conselheiros Antônio Roque Citadini, Fernando Perino, Yun Ki Lee e Marcelo Kahan Mandel, além dos associados Alexandre Germano, Cyrillo Cavalheiro Neto, Felipe José Mendes da Silva e Wilson Canhedo Júnior.
A última reforma do Estatuto Corinthians foi realizada em 2008 e, desde então, o texto passou apenas por alterações pontuais. Nos últimos anos, contudo, o debate em torno de sua modernização ganhou força, sobretudo após a entrada em vigor da Lei Geral do Esporte.
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