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·03 de setembro de 2026

Com contas em atraso, Fluminense tenta avançar em projeto de SAF

Imagem do artigo:Com contas em atraso, Fluminense tenta avançar em projeto de SAF

O Fluminense enfrenta um cenário de pressão financeira nos bastidores em meio às negociações para a criação de uma futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O clube tem pagamentos pendentes com jogadores e credores, foi advertido pela CBF por atrasos em compromissos financeiros e busca aumentar o valor do aporte inicialmente oferecido por um possível investidor.

Um dos principais pontos de atenção envolve os direitos de imagem dos jogadores. O pagamento, normalmente realizado no dia 28, ainda não havia sido efetuado. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o elenco foi comunicado de que não existe, até o momento, uma previsão para a quitação dos valores.


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A dificuldade financeira não se limita aos atletas. O Fluminense também possui parcelas pendentes referentes a negociações com outros clubes. É o caso da contratação de Savarino, adquirida junto ao Botafogo em janeiro por aproximadamente US$ 5 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 26,4 milhões na cotação da época.

A situação chegou também aos órgãos de controle do futebol brasileiro. Na última semana, o Fluminense recebeu uma advertência de grau mínimo da CBF por atrasos relacionados a dívidas com clubes, empregados e autoridades públicas.

Na Declaração de Solvência apresentada pela própria instituição, a gestão tricolor reconheceu a existência dos débitos em atraso. O reconhecimento foi considerado uma circunstância atenuante no procedimento.

O momento chama atenção porque o clube fez investimentos expressivos no elenco durante 2026. Cerca de R$ 151 milhões foram destinados a contratações ao longo da temporada.

Rodrigo Castillo foi o jogador que mais pesou no investimento, com custo aproximado de R$ 52 milhões. Savarino, Guilherme Arana, Jemmes e Julián Millán também foram contratados em operações que ficaram entre R$ 21 milhões e R$ 24 milhões.

Na janela do meio do ano, o Fluminense também contratou Thiago Silva e Hulk, dois dos principais reforços da temporada e que chegaram ao clube com alguns dos maiores salários do elenco.

Venda de Bernal não compensou investimentos

No caminho contrário às despesas, o clube negociou Facundo Bernal com o Real Betis por cerca de R$ 62 milhões.

Mesmo com a venda, o balanço direto entre as contratações e negociações de jogadores deixou um déficit aproximado de R$ 79 milhões. Para melhorar as receitas e reduzir o impacto dos investimentos, a diretoria trabalha com a expectativa de uma premiação significativa na Libertadores.

É nesse ambiente de caixa pressionado que a possibilidade de transformação do Fluminense em SAF ganha ainda mais relevância. Essa é uma das principais promessas da gestão do presidente Mattheus Montenegro. O clube já recebeu uma proposta, mas as negociações continuam porque a diretoria deseja melhorar as condições apresentadas pelo possível investidor.

O valor inicial discutido é de R$ 500 milhões, mas o Fluminense tenta elevar esse aporte e modificar outros pontos do acordo antes de encaminhar uma nova versão ao Conselho Deliberativo.

A intenção é concluir as negociações e, somente depois, apresentar o projeto aos conselheiros.

Para o Fluminense, portanto, a discussão sobre a SAF acontece em um momento especialmente sensível. O clube precisa encontrar soluções para o fluxo de caixa no curto prazo, ao mesmo tempo em que avalia uma mudança estrutural que pode determinar os rumos administrativos e financeiros da instituição nos próximos anos.

A eventual entrada de um investidor não representaria apenas uma injeção imediata de dinheiro. O modelo também deverá estabelecer regras sobre gestão, investimentos no futebol, controle societário, responsabilidades financeiras e proteção do patrimônio do clube.

Enquanto o acordo não é definido, a diretoria terá de lidar com os compromissos atuais e encontrar alternativas para manter o funcionamento financeiro do Fluminense sem comprometer o planejamento esportivo da temporada.

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