Calciopédia
·26 de fevereiro de 2026
Com enorme susto, a Fiorentina superou o Jagiellonia e avançou às oitavas da Conference League

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Nunca algo é fácil para a Fiorentina. A equipe violeta pisou no gramado do Artemio Franchi para encarar o Jagiellonia, na volta dos playoffs da Conference League, protegida por um 3 a 0 construído na Polônia e por uma sequência rara de três vitórias consecutivas na temporada. Entretanto, transformou uma eliminatória aparentemente controlada em uma noite de tensão extrema. Diante de um adversário agressivo e sem nada a perder, a vantagem evaporou em pouco mais de 50 minutos. A reação, porém, veio na prorrogação: mesmo derrotada por 4 a 2, a Viola avançou às oitavas de final graças ao placar agregado de 5 a 4.
Paolo Vanoli optou por uma formação conservadora, estruturada em 4-1-4-1, com Dodô adiantado pelo lado direito para proteger a vantagem e controlar o ritmo. O plano, no entanto, encontrou resistência desde o início – e a atuação do brasileiro, por exemplo, foi um verdadeiro fiasco. O Jagiellonia pressionou alto e deixou claro que não pisaria no Franchi para administrar o inevitável. Ainda assim, as primeiras chances foram italianas, com Piccoli. Uma delas de cabeça, em escanteio cobrado por Mandragora, e outra finalização no primeiro poste – ambas defendidas por Abramowicz.
O equilíbrio durou pouco. Aos 23 minutos, o Jagiellonia abriu o placar e mudou completamente o clima do confronto. Pululu – ausente na ida – e Mazurek tabelaram, e o atacante polonês infiltrou entre dois defensores para finalizar sob Lezzerini. A Fiorentina tentou reagir, mas a insegurança cresceu.
Vanoli apostou em formação mais cautelosa, mas não funcionou: a Fiorentina jogou no lixo a vantagem que tinha (Getty)
Antes do intervalo, um susto enorme: o goleiro violeta saiu mal, socou a bola e Vital arriscou por cobertura, por cima. Nos acréscimos, o roteiro do primeiro tento se repetiu, tendo Pululu e Mazurek como protagonistas. A conclusão do polaco, desviada em Comuzzo, enganou o arqueiro. O placar amplamente favorável aos visitantes recolocava tensão real em uma eliminatória que parecia resolvida a favor do italianos.
O diagnóstico do primeiro tempo foi claro: a estratégia conservadora não funcionara. Vanoli agiu no intervalo, lançou Harrison e De Gea – no caso, o goleiro foi acionado porque Lezzerini teve um problema físico – e empurrou a equipe para frente. Mas a reação não veio a tempo. Logo aos 49 minutos, o contra-ataque polonês encontrou o angolano Pululu novamente como pivô, e Mazurek completou sua noite perfeita com o terceiro gol. Uma tripletta que igualava o agregado em 3 a 3 e mergulhava o Franchi em incredulidade.
A partir daí, o jogo ficou ainda mais nervoso para os mandantes. A Fiorentina pressionou sem lucidez, acumulou cruzamentos e viveu de lampejos. Nos acréscimos, Kean – recém-entrado no lugar de Piccoli – teve a chance de evitar a prorrogação, mas hesitou na finalização e desperdiçou duas claras oportunidades seguidas. O arremate na lua foi um banho de água fria na torcida gigliata, que poderia ter se livrado da tensão do tempo extra. O empate agregado levou o confronto à prorrogação, onde a partida assumiu contornos ainda mais caóticos.
Só na prorrogação Fagioli e Kean conseguiram dar alívio à torcida violeta, mesmo com derrota para o Jagiellonia (Getty)
Foi então que a Viola encontrou o gesto técnico que precisava. Aos 107 minutos, após saída errada de Abramowicz, Fagioli dominou no peito e acertou um chute potente, encobrindo um mar de adversários no meio do caminho, para recolocar a Fiorentina em vantagem na eliminatória e aliviar a tensão acumulada. O tento mudou o ambiente e abriu espaço para mais. Pouco depois, Gosens cabeceou forte e fez o arqueiro espalmar pela linha de fundo. No escanteio cobrado pelo próprio Fagioli, Kean concluiu torto e a pelota ainda bateu em Romanczuk, morrendo na rede. O gol contra do capitão polonês acalmou os ânimos, mas apenas parcialmente – afinal, o que marca esta década gigliata é a afeição por emoções desnecessárias.
O Jagiellonia, portanto, não esmoreceu. Aos 118, um erro de De Gea – incapaz de segurar o chute nada irresistível de Imaz, de longa distância – gerou o quarto gol polonês e encenou o drama nos instantes finais. Mas foi por pouco tempo, já que o desespero visitante terminou com a expulsão de Vital por reclamação. A inferioridade numérica dos visitantes encerrou qualquer possibilidade de última reação, mesmo com Abramowicz avançando à área nos minutos derradeiros.
A Fiorentina avançou, mas com cicatrizes. A eliminatória que parecia uma formalidade virou advertência sobre gestão emocional e controle de vantagem em jogos europeus, algo que tem sido recorrente e foi corriqueiro mesmo nas campanhas de vice-campeonato da Viola na Conference League. O prêmio foi a vaga nas oitavas, contra Strasbourg ou Raków Czestochowa; a prioridade imediata, porém, permanece doméstica. Fora da zona de rebaixamento após a recente recuperação, a Viola precisa consolidar sua posição na Serie A antes de voltar a olhar para a competição europeia – em que segue viva, ainda que à sua maneira: entre o sofrimento e a sobrevivência.









































