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·23 de fevereiro de 2026

Comemora nação, o Flamengo cumpriu uma obrigação

Imagem do artigo:Comemora nação, o Flamengo cumpriu uma obrigação
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Um pouco como ser um doutor em letras participando ao lado de crianças no quadro “Soletrando” no programa do Luciano Huck ou um campeão de MMA inscrito num torneio de judô infantil. É um pouco como se Daniel Day-Lewis virasse garoto-propaganda da cerveja Itaipava ou um dos principais engenheiros de telecomunicações da NASA fosse ver porque o seu wi-fi está ruim.

É mais ou menos essa a situação do Flamengo ao disputar o Campeonato Carioca, um torneio onde mesmo um título invicto com goleadas em todas as partidas não seria exatamente uma grande conquista, mas qualquer tropeço, qualquer derrota, qualquer fracasso, vai sim ser lido como uma imensa e memorável humilhação.


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Um exemplo? A vitória de hoje por 3x0, sobre o Madureira, no jogo de ida das semifinais do torneio. Uma vitória com boa margem, que deixa bem encaminhada a classificação para a decisão do campeonato, mas que, você pode ter certeza, não deixou nenhum torcedor animado, não levou nenhuma bandeira pra janela, não aumentou a confiança de ninguém pro resto da temporada.

Primeiro porque, bem, é meio obrigação para o Flamengo ganhar do Madureira no Campeonato Carioca. Eu sei, você sabe, o próprio técnico do Madureira antes da partida deixou claro que a obrigação de vencer era do Flamengo e o tricolor suburbano, após a boa campanha na primeira fase, estava ali pra tentar aprontar alguma surpresa, fazer alguma graça, causar um imprevisto.

E segundo porque, apesar do placar seguro, a equipe rubro-negra, mais uma vez, não fez um grande jogo. O primeiro tempo foi um total e completo deserto de ideias, com talvez quinze minutos de pressão inicial que depois foram seguidos por meia hora dos mais loucos chuveirinhos, mais ou menos como se o melhor elenco do continente no papel fosse, na prática, aquela seleção da Grécia campeã da Eurocopa em 2004 na base do cruzamento, só que sem a intensidade na disputa ou a eficiência na bola alta.

No segundo tempo a equipe aumentou sim a intensidade, conseguiu os três gols, mas ainda assim não tem como dizer que realizou exatamente uma grande atuação. Primeiro pela evidente fragilidade do adversário e depois porque os mesmos atletas que pareciam ter voltado ao normal numa jogada realizavam ações bizarras no lance seguinte. Pedro deu bons chutes mas ainda parece disperso, Lino sofreu pênalti e deu assistência mas também tomou decisões incompreensíveis, enquanto Plata e Carrascal pareciam sob efeito de medicações não apenas não receitadas como provavelmente não aprovadas pela ANVISA.

E é dessa maneira então que o Flamengo chega ao segundo jogo da final da Recopa, diante do Lanús, precisando reverter o placar negativo sofrido fora de casa. Um ataque que parece disperso e pouco criativo, uma defesa que segue insegura, um meio de campo onde todos estão abaixo da temporada passada e um treinador que segue tentando explicar por que respondeu uma pergunta sobre racismo cometido por um argentino se estivesse numa propaganda do ministério do turismo da Argentina.

Que nesta quinta-feira, diante da própria torcida, no Maracanã, a equipe rubro-negra possa finalmente começar a dar as respostas que a torcida precisa e  vencer as partidas que realmente valem alguma coisa. Porque a Recopa não é necessariamente “obrigação”, mas jogar um futebol decente, com esse elenco e esse nível de investimento, com certeza é.

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