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·17 de fevereiro de 2026
Comissão de Ética do São Paulo agenda ‘julgamento’ de ex-diretores envolvidos em Escândalo do Camarote

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A Comissão de Ética do São Paulo agendou para a próxima segunda-feira (23) a audiência que julgará os ex-diretores Mara Casares e Douglas Schwartzmann, afastados de seus postos após terem sido flagrados em áudio vazado negociando a venda de um camarote institucional no Morumbi para um show da cantora colombiana Shakira, em março do ano passado.
O colegiado irá decidir se os dois acusados, que são investigados agora também pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual, infringiram as normas internas do clube no caso. Caso sejam condenados, poderão até mesmo serem expulsos do quadro associativo.
Mara não faz mais parte da vida política são-paulina. Além do cargo de diretoria de eventos, abdicou também de sua cadeira no Conselho Deliberativo. Schwartzmann, ex-diretor da base, saiu do cargo administrativo, mas se manteve como conselheiro.
A ex-mulher do ex-presidente Julio Casares é quem mais vem enfrentando problemas com as investigações policiais. No final do mês passado, um caderno apreendido na casa de Rita de Cássia Adriana Prado, uma das protagonistas do escândalo, deu novos contornos às autoridades.
Embora o conteúdo esteja sob sigilo, investigadores apontam que as anotações ajudariam a detalhar o funcionamento do esquema e indicam que ao menos um camarote do São Paulo era desviado de forma sistemática.
A operação foi conduzida pela 3.ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Desmanches Delituosos (Dicca) e também teve como alvos Schwartzmann, ex-diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, ex-mulher do ex-presidente Júlio Casares e então diretora feminina, cultural e de eventos.
O caderno apreendido traria mais elementos sobre a engrenagem que sustentava o esquema, que pode ter duração maior do que se supunha inicialmente. “Os documentos arrecadados autorizam visualizar a gravidade dos fatos e a extensão dos fatos, inclusive a abrangência temporal, muito mais tempo que se imaginava”, afirmou o promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães, ressaltando que a investigação ainda não está concluída.
Na residência de Mara, a polícia ainda apreendeu R$ 28 mil em espécie e um computador, além de documentos considerados importantes para o avanço do inquérito. Por meio de nota, o São Paulo declarou que “é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”.
Paralelamente, o jornal ‘O Estado de S. Paulo‘ apurou que os negócios envolvendo Adriana e Mara no clube aconteceriam ao menos desde 2023.
Atualmente licenciada da diretoria, Mara teria atuado em parceria com Adriana na intermediação da venda de espaços e ingressos para jogos e shows no Morumbi, além de outros eventos do São Paulo.
A defesa de Mara afirma que ela mantém colaboração irrestrita com as autoridades e que a lisura de seus atos será comprovada.
A linha do tempo traçada por polícia e Ministério Público indica que a atuação conjunta das duas não se limitou ao camarote 3A no show da cantora Shakira, citado no áudio divulgado em dezembro.
Fontes ouvidas pelo periódico relatam a presença de Adriana como intermediária ainda em 2022. A própria Adriana reúne trocas de mensagens e e-mails com diretores do clube e teria procurado opositores de Casares para negociar o material.
Mara foi flagrada junto de Schwartzmann em uma polêmica de repasse de um espaço no estádio tricolor para um show da cantora colombiana Shakira, em março. Ambos foram flagrados em gravações telefônicas feitas pela denunciante, que se sentiu lesada após alegar “ter sido roubada” por uma quarta envolvida.
A licença de Mara, contudo, foi em um momento oportuno à gestão Casares. Aconteceu um dia depois da aprovação do orçamento são-paulino para 2026, na qual ela votou aprovando as contas previstas pelo ex-marido.
Apesar de licenciada agora, Mara continuará sendo investigada pelo caso em duas frentes.
Na primeira, ela será alvo de inquérito policial instaurado a mando do Ministério Público Estadual de São Paulo.
O promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, da Comissão de Turismo e Desporto do MP-SP, viu indícios claros de crimes que envolvem, sim, o São Paulo e não apenas na relação de consumo entre as outras partes envolvidas.
“O primeiro crime é corrupção privada do esporte, que é um crime previsto na nova Lei Geral do Esporte, em vigor desde 2023. Esse crime, na verdade, pressupõe a manipulação de interesses privados em detrimento do patrimônio do clube, das agremiações”, disse Carneiro.
“E um segundo crime, que também é muito grave, é o de coação no curso do processo. Porque você ligar para uma pessoa e intimidar para que ela retire um processo sob pena de que as coisas ganhem repercussões, como sugerem as gravações, é um indicativo de crime”, completou o promotor.
A sugestão do Ministério Público é que sejam ouvidos os três envolvidos no áudio (Douglas Schwartzmann, Mara Casares e a denunciante) e todos os citados, inclusive Marcio Carlomagno, superintendente geral do São Paulo.
“Todo o dinheiro de uma agremiação arrecadado, seja em praça esportiva em razão do futebol ou de outra atividade esportiva tem que reverter para o clube. E não para favorecimento de interesse privado de quem deveria gerir o clube. A polícia vai tomar os próximos passos”, disse.









































