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·18 de fevereiro de 2026
Como brasileiro Vinícius Júnior se tornou símbolo da luta contra o racismo

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·18 de fevereiro de 2026

O atacante Vinícius Júnior denunciou na terça-feira um insulto racista proferido pelo jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica. Desde que chegou ao Real Madrid em 2018, o brasileiro foi alvo de vários ataques, tornando-se um símbolo na luta contra a discriminação.
O jogo de ida do mata-mata de acesso às oitavas de final da Liga dos Campeões (1 a 0 para o Real Madrid) parou por dez minutos após o gol do Vini. Os jogadores deixaram o campo depois que o brasileiro relatou ao árbitro François Letexier que Prestianni o havia chamado de “macaco”.
O jogador argentino de 20 anos, que cobriu a boca com a camisa enquanto falava, nega ter proferido insultos racistas contra o astro do Real Madrid.
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Desde que chegou ao clube merengue em 2018, vindo do Flamengo, Vini Jr. se tornou um porta-voz da luta contra o racismo. Os incidentes de grande repercussão têm acontecido com o jogador de 25 anos, principalmente na Espanha.
Em janeiro de 2023, torcedores do Atlético de Madrid penduraram um boneco com a imagem de Vinícius em uma ponte perto do centro de treinamento do Real Madrid, nos arredores da capital espanhola.
Quatro meses depois, o brasileiro confrontou torcedores que o insultavam no Mestalla, estádio do Valencia. Incidente que gerou comoção mundial e apoio ao jogador em sua luta contra o racismo.
“Não sou vítima de racismo. Eu sou algoz de racistas”, escreveu Vini na rede social X em 2024, depois que três torcedores do Valencia foram declarados culpados de tê-lo insultado naquele dia.
“Essa primeira condenação penal da história da Espanha não é por mim. É por todos os pretos”, acrescentou.
Em 2025, um tribunal condenou cinco torcedores do Valladolid que também proferiram insultos racistas contra Vinícius em uma partida de 2022. A sentença foi por cometerem um crime de ódio: a primeira desse tipo na Espanha em um estádio de futebol.
Houve outros incidentes, o mais recente envolvendo torcedores do Albacete que entoaram cânticos racistas contra o atacante do lado de fora do estádio, antes da eliminação do Real Madrid na Copa do Rei, em janeiro.
Mas o jogo da Champions contra o Benfica foi a primeira vez que o atacante do Real Madrid acusou outro jogador de racismo. “Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos”, escreveu Vini Jr. nas redes sociais.
O atacante francês Kylian Mbappé, seu companheiro de Real Madrid, pediu que Prestianni fosse banido da competição. “Esse cara não merece jogar na Liga dos Campeões de novo. Essa é a minha opinião”, disse Mbappé aos repórteres.
Muitos se perguntam por que Vinícius é alvo frequente de insultos racistas e não outros jogadores do Real Madrid.
“Essas coisas acontecem em todos os estádios onde ele joga”, disse à Amazon Prime o técnico do Benfica, José Mourinho, transferindo a culpa do incidente para o brasileiro.
Não há dúvida de que Vini é provocador, tanto pelo seu estilo de jogo quanto pelo seu comportamento, mas isso jamais deveria justificar insultos racistas.
O jogador foi a principal arma ofensiva do Real Madrid durante vários anos, pelo menos até a chegada de Mbappé, e continua sendo o melhor driblador da equipe.
Como atacante que encara os defensores com sua habilidade, Vini é mais caçado em campo, o que inflama os ânimos nas arquibancadas, onde muitos acreditam que ele simula faltas.
Vini é um jogador que tem personalidade e é sempre muito expressivo. Suas constantes reclamações com os árbitros geram irritação nos torcedores e nos jogadores adversários.
Às vezes, ele se dirige diretamente aos torcedores locais que estão vaiando. Os racistas veem os insultos como uma forma de tentar desestabilizá-lo, irritá-lo e fazê-lo perder o foco.
As comemorações de gol de Vinícius às vezes são criticadas: contra o Benfica, ele festejou em frente à torcida portuguesa, dançando ao lado da bandeirinha de escanteio.
Os torcedores atiraram objetos nele das arquibancadas e foi na discussão que se seguiu que ocorreu seu bate-boca com Prestianni.’Baila, Vini. E, por favor, nunca pare”, escreveu Mbappé no X. “Eles nunca nos dirão o que devemos ou não fazer”.
*Com conteúdo da AFP.









































