Jogada10
·02 de maio de 2026
Como chega a Jordânia para a Copa do Mundo

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Pela primeira vez em sua história, a Jordânia disputará a Copa do Mundo. Ao contrário do que muita gente imagina, a seleção se classificou com uma campanha sólida, garantindo a vaga com antecedência logo na primeira oportunidade que teve. Inclusive, os Cavalheiros tiveram os melhores resultados ao longo do ciclo entre os quatros streantes.
Apesar do final, a Jordânia iniciou o ciclo com mais dúvidas do que certezas. Em 2023, a seleção venceu apenas amistosos contra Filipinas e Jamaica. Porém, perdeu para adversários mais inferiores, como Azerbaijão e Líbano, e ainda sofreu uma goleada da Noruega. Nas primeiras rodadas das Eliminatórias, conseguiu um empate salvador nos acréscimos contra o Tajiquistão e perderam para a Arábia Saudita.
Porém, a grande virada veio na Copa da Ásia. Goleada contra a Malásia na estreia e empate diante da Coreia do Sul. No encerramento da fase de grupos, derrota para o Bahrein para escapar do Japão. Nas oitavas, um dos maiores jogos da história da seleção, com a vitória de 3 a 2 contra Iraque, de virada, com dois gols nos acréscimos na segunda etapa.
Nas quartas, passou pelo Tajiquistão e iria reencontrar os sul-coreanos. Com uma atuação espetacular da dupla Al-Tamari e Al-Naimat, os Cavalheiros venceram por 2 a 0 e se classificaram para a final de inédita. Na decisão, derrota para o Qatar por 3 a 1, com três pênaltis marcados para os anfitriões. Porém, o vice-campeonato já entrou para a história do país.

Jordânia disputou a final da Copa Ásia e da Copa Árabe neste ciclo – Foto: Divulgação/Jordan FA
A campanha na competição continental motivou a seleção para a sequência das Eliminatórias. No encerramento da segunda fase, quatro vitórias e a classificação na liderança do grupo. Entretanto, de forma repentina, o treinador Hussein Ammouta deixou o cargo e Jamal Sellami assumiu.
Na terceira fase, a Jordânia estreou empatando com o Kuwait e vencendo a Palestina. Na sequência, perdeu para a Coreia do Sul, em casa, e goleou Omã. No confronto direto, empatou sem gols com o Iraque e também ficou no empate com o Kuwait.
Parecia que a briga iria até o final, mas os Leões, que estavam na frente, começaram a tropeçar. Os Cavalheiros fizeram a sua parte: venceram a Palestina, empataram com a Coreia do Sul e, com três gols de Ali-Olwan, garantiram a classificação inédita com uma rodada de antecedência. Por fim, nem a derrota para o Iraque na última rodada diminuiu a festa.
Com a vaga garantida, a seleção começou a fazer testes para se preparar para o torneio. Nos primeiros amistosos, empate sem gols com a Rússia e vitória contra a República Dominicana. Porém, na sequência, três derrotas consecutivas, contra Bolívia, Albânia e Tunísia, respectivamente, e novo empate contra Mali. No final de 2025, a Jordânia disputou a Copa Árabe com o time quase completo. Com 100% de aproveitamento, os Cavalheiros chegaram a mais uma final, mas perderam para o Marrocos na prorrogação. No torneio, Al-Naimat rompeu o ligamento cruzado do joelho direito e se tornou dúvida para o Mundial.
Nos últimos testes antes da Copa, dois empates em 2 a 2 contra Costa Rica e Nigéria. Com isso, a Jordânia chega para estrear em Mundiais ocupando a 63ª posição do ranking da Fifa.
Sem dúvidas, o grande nome para o crescimento da seleção e a conquista da vaga é Musa Al-Tamari. O meia de 28 anos é o maior ídolo país e atua no Rennes, da França, sendo um dos poucos jogadores da seleção que atuam no futebol europeu. Com a camisa do Jordânia, o atleta já disputou 88 jogos e marcou 23 gols, ganhando muito destaque na campanha do vice-campeonato da Copa da Ásia.

Al-Tamari atua desde 2020 no futebol francês – Foto: Divulgação/Jordan FA
Inclusive, Al-Tamari possui uma carreira consolidada no futebol europeu. A porta de entrada foi o Chipre, através do Apoel, após defender o Shabab Al-Ordon e o Al-Jazeera, em seu país. Após isso, se transferiu para o OH Louvren, da França, onde atuou por três temporadas, até ser contratado pelo Montpellier. Desde o começo da temporada joga no Rennes, onde atuou em 29 partidas e marcou cinco gols.
Durante a Copa da Ásia, imaginava-se que Hussein Amoutta seria o responsável por construiur uma grande história com a Jordânia. Entretanto, a saída repentina do treinador colocou em xeque o sucesso do futuro da seleção. Porém, o marroquino Jamal Sellami assumiu o cargo e conseguiu expandir os feitos dos Cavalheiros com a vaga inédita na Copa.

Jamal Sellami assumiu a seleção em 2024 e garantiu feito inédito – Foto: Divulgação/Jordan FA
Aos 55 anos, Sellami disputará seu primeiro Mundial como treinador. Entretanto, o marroquino disputou a competição como jogador, em 1998, pelos Leões do Atlas. Inclusive, a Jordânia é a primeira experiência dele como técnico fora do seu páis. O comandante iniciou sua carreira na beira do gramado pelo Fus Rabat. Além disso, comandou a seleção nacional do Marrocos e conquistou o título do Campeonato Africanos de Nações (Chan), com atletas que atuam apenas nas ligas locais. Depois, passou pelo Raja Casablanca e voltou ao Rabat, antes do desafio no Oriente Médio.
Essa será a primeira participação da Jordânia em Mundiais. A seleção conquistou a vaga após deixar Arábia Saudita, Tajiquistão e Paquistão na primeira fase em que disputou. Depois, no momento decisivo, venceu o confronto direto contra o Iraque, mesmo sem triunfo em campo contra os Leões, em uma chave que ainda tinha Omã, Palestina e Kuwait.

Cavalheiros conquistaram a classificação com uma rodada de antecedência – Foto: Divulgação/Jordan FA
Entretanto, a seleção já havia ficado próxima de participar do torneio. Afinal, nas Eliminatórias de 2014, a Jordânia eliminou Nepal, China e Singapura nas fases iniciais e terminou apenas três pontos atrás da Austrália no grupo que valia a vaga no Mundial. Entretanto, os Cavalheiros ainda tinha a repescagem continental, na qual venceram o Uzbequistão, após uma disputa de pênaltis que teve dez cobranças para cada lado. Entretanto, no confronto internacional, acabaram sendo goleados pelo Uruguai por 6 a 0 em casa e o empate sem gols em Montevideu encerrou o sonho jordaniano.
Abulaia; Assaf, Nasib, Al-Arab, Mo Abualnadi e Abu Taha; Al-Rawabdeh, Al-Rashdan e Al-Tamari; Ali Olwan e Al-Naimat (Ibrahim Sabra).
A Jordãnia fica localizada no Oriente Médio, entre Israel e Iraque. O país possui uma área de 89.341 km², incluindo um dos menores litorais do mundo, com apenas 26km, e uma população de 9.531.712 habitantes. Sua capital e maior cidade é Amã. A nação é uma monarquia constitucional, sob o reinado de Abdulah II e tendo Jafar Hassan como primeiro-ministro.
O país é conhecido por ser um dos lugares mais tranquilos da região, sendo muito hospitaleiro com refugiados, principalmente palestinos. De acordo com o Banco Mundial, a Jordânia é um país de renda média-alta, tendo o turismo e a extração de fosfato e potássio como grandes fontes de recursos.
A Família Real jordaniana ocupa um lugar de destaques nas redes sociais e também por outros motivos. A rainha Rania Al-Abdulla tem um grande reconhecimento internacional, com mais de dez milhões de seguidores no Instagram. Já o príncipe Ali bin Al-hussein é o presidente da associação nacional de futebol, da Confederação da Ásia Ocidental e já se candidatou à presidência da Fifa.

Issam Alnaijar tem milhões de visualizações nas redes sociais – Foto: Divulgação
As redes sociais também contribuíram para o surgimento de um dos maiores fenômenos musicais do país. Afinal, o jovem cantor Issam Alnajjar viralizou no TikTok com a música “Hadal Ahbek”. Por conta disso, o artista fechou contrato com a gravadora Universal e já participou de uma faixa do DJ brasileiro Alok.

Cavalheiros prometem dar trabalho na fase de grupos – Foto: Divulgação/Jordan FA
Apesar dos bons resultados ao longo do ciclo, os Cavalheiros devem ter uma Copa mais complicada. Afinal, a seleção está em um grupo complicado, junto com Argentina, Áustria e Argélia. Entretanto, a Jordânia não deve ser um adversário fácil, com promessas de jogos complicados e interessantes. Inclusive, caso possa contar com seus principais jogadores, existe a esperança de roubar uns pontos, buscando uma classificação histórica.







































