Jogada10
·19 de maio de 2026
Como chega o Brasil para a Copa do Mundo

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·19 de maio de 2026

De longe, o ciclo da Seleção Brasileira não foi o que deixou o torcedor empolgado e com expectativas para a Copa do Mundo. Afinal, o Brasil teve a sua pior campanha nas Eliminatórias, teve quatro treinadores no comando e chega à América do Norte ainda rodeado de dúvidas e incertezas sobre o que poderá entregar no Mundial.
A Seleção iniciou o ciclo sob o comando de Ramon Menezes, com a promessa de que Carlo Ancelotti chegaria. Com um time completamente alternativo, perdeu para o Marrocos por 2 a 1 no primeiro amistoso. A primeira vitória veio na goleada sobre a Guiné, por 4 a 1, porém, no duelo seguinte, derrota para Senegal por 4 a 2.
Para o começo das Eliminatórias, troca no comando. Fernando Diniz assumiu o cargo, dividindo a função com o Fluminense. Em sua estreia, uma grande atuação e goleada de 5 a 1 contra a Bolívia, na partida em que Neymar se isolou na artilharia histórica da Seleção. Entretanto, no jogo seguinte, muita dificuldade e vitória contra o Peru apenas nos acréscimos.

Seleção teve comando ruim nas Eliminatórias – Foto: Vitor Silva/CBF
A sequência seria ainda pior. Empate em Cuiabá contra a Venezuela. Depois, derrotas para Uruguai, no jogo da lesão de Neymar, Colômbia e Argentina, sendo esta a primeira da Seleção como mandante na história das Eliminatórias. Além disso, uma crise atingiu a CBF e o presidente Ednaldo Rodrigues foi afastado do cargo. Ancelotti renovou com o Real Madrid e uma nova troca aconteceu. Sem vencer há quatro partidas, Diniz deixou o cargo e Dorival Júnior assumiu, sendo o terceiro treinador em menos de um ano.
Na estreia do novo técnico, uma vitória contra a Inglaterra, em Wembley, com o brilho de Endrick. Depois, um empate em 3 a 3 contra a Espanha, em um jogo com protestos contra a arbitragem. Antes da Copa América, a Seleção venceu o México, com mais um gol salvador de Endrick, e empatou com os Estados Unidos em 1 a 1. As atuações acenderam um sinal de alerta e o Brasil não conseguiu evoluir no torneio. Estreia com empate contra a Costa Rica, goleada para cima do Paraguai, mais um empate com a Colômbia e eliminação para o Uruguai, nas quartas de final, nos pênaltis.
Passado o torneio, o foco voltou para as Eliminatórias. Sem brilhar, o Brasil venceu o Equador em Curitiba, com gol de Rodrygo. Depois, perdeu para o Paraguai em Assunção e as críticas voltaram. Pressionado, Dorival encarou as seleções com piores campanhas, precisando vencer. Em Santiago, de virada, bateu o Chile e, depois, goleou o Peru em Brasília. Entretanto, o alívio não trouxe evolução no final de 2024, que terminou com empates contra Venezuela e Uruguai.
Mais uma vez pressionado, Dorival começou 2025 convocando Neymar, que estava lesionado e foi cortado. No primeiro compromisso, contra a Colômbia, gol salvador de Vini Jr para dar a vitória por 2 a 1. Entretanto, o cenário era muito ruim e veio a tragédia em Buenos Aires. Goleada de 4 a 1 para a Argentina e fim de ciclo para o treinador.

Apesar da campanha ruim, Brasil garantiu vaga na Copa sem sustos – Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Na sequência, vieram quase dois meses de indefinição, até que Carlo Ancelotti enfim chegou para comandar a Seleção. Em sua estreia, empate sem gols contra o Equador. Porém, no segundo jogo, uma grande apresentação e vitória contra o Paraguai, que garantiu, com três rodadas de antecedência, a classificação para a Copa. No encerramento das Eliminatórias, mais uma boa atuação no triunfo por 3 a 0 contra o Chile e derrota por 1 a 0 para a Bolívia, na altitude, selando a pior campanha do Brasil no torneio.
Já nos amistosos a Seleção mostrou muita oscilação. No primeiro, goleada de 5 a 0 para a Coreia do Sul. Depois, derrota, de virada, para o Japão, por 3 a 2. Na sequência, mais uma boa atuação e vitória de 2 a 0 contra Senegal. Porém, no jogo seguinte, empate em 1 a 1 com a Tunísia. No começo de 2026, derrota para a França por 2 a 1 e um susto devido a diferença entre os Bleus. Entretanto, no último teste, vitória pelo mesmo placar contra a Croácia, com Endrick retornando e sendo salvador. De última hora, apenas na lista final, Neymar também voltou para o time, sendo uma das grandes novidades para o Mundial. Sem Militão, Estêvão e Rodrygo, a Seleção chega à Copa na sexta colocação do ranking da Fifa.
Sem a presença de Neymar durante a maior parte do ciclo, a Seleção precisou de um novo protagonista ao longo das Eliminatórias e na preparação para o Mundial. Pelas atuações com a camisa do Brasil, é difícil apontar quem é o candidato. Porém, se pegarmos o retrospecto como um todo, Vinicius Júnior tem tudo para despontar como o grande nome do time. Além disso, tem um grande destaque na causa anti-racista por conta dos ataques que sofre no futebol espanhol sem baixar a guarda.

Vini Jr ainda está devendo com a camisa da Seleção – Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Afinal, o craque surgiu como uma das grandes joias das categorias de base do Flamengo. Aos 18 anos, se transferiu para o Real Madrid, onde demorou um pouco para se estabelecer na equipe principal. Porém, quando conseguiu encaixar na equipe, não saiu mais. Vini virou um dos grandes nomes merengues, conquistando dois títulos da Champions League, marcando em ambas as finais, além de três conquistas da La Liga, duas Copas do Rei das Espanha e três Mundiais de Clubes. Ao todo, 239 jogos com 76 gols marcados pelo clube espanhol.
Entretanto, o retrospecto não é o mesmo na Seleção. Vini estreou com a Amarelinha na Copa América de 2019, sendo reserva do time que conquistou o título. Naquele ciclo, permaneceu no banco de reserva até às vésperas da Copa, quando assumiu a titularidade. Depois do Qatar, passou a ser grande estrela e esperança do Brasil, mas ainda não conseguiu ter a regularidade e atuação que o torcedor espera. Até aqui, são 47 jogos e apenas oito gols marcados.
Quando o então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, prometeu que iria trazer Carlo Ancelotti para comandar a Seleção, muita gente não botou fé. Inclusive, ao longo do ciclo, a campanha ruim e o fracasso em duas negociações, além de falta de declarações do italiano, davam a impressão que o negócio ficaria apenas no campo da fantasia. Porém, em último ato do mandatário, o treinador desembarcou e o que parecia inimaginável aconteceu: o Brasil tinha um dos maiores técnicos da história do futebol.

Ancelotti chegou ao Brasil após dois anos de promessas da CBF – Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Apesar de todo o brilho, Ancelotti chegou com a pressão de ter que arrumar a casa rápido. Afinal, a Seleção vinha de goleada para a Argentina e não tinha boas atuações. Com pouco tempo de trabalho, o italiano conseguiu a confiança do grupo, deu um salto de qualidade à equipe, garantiu a classificação ao Mundial e trouxe a esperança ao torcedor brasileiro. Além de mostrar a sua personalidade, levando até o final a questão de convocar o Neymar e bancando o questionado Danilo, por exemplo.
Essa será a primeira vez que o treinador, multicampeão no futebol europeu, estará na área técnica em uma Copa do Mundo. Por outro lado, como jogador, o então volante teve algumas frustrações com o torneio. Afinal, sofreu uma lesão que o tirou do Mundial de 82, vencido pela Itália. Já em 86 foi convocado pela Azzurra, mas não saiu do banco de reservas. Por fim, em 90, jogando em casa, se lesionou logo na estreia e entrou em campo apenas uma vez, na edição que sua seleção caiu na semifinal. Chegou a hora do treinador colocar toda a sua experiência no torneio e ajudar o Brasil a sair do jejum incômodo de títulos.
O Brasil é o único país que participou de todas as edições do Mundial e o maior vencedor, com cinco títulos. Nos primeiros torneios, em 30 e 34, eliminação ainda na fase de grupos. Porém, em 38, a Seleção conseguiu apresentar a sua força para o mundo, com uma geração comanda por Leônidas Dias, e terminou na terceira colocação, após perder para a Itália na semifinal. 12 anos depois, sediou o torneio, em uma das maiores decepções da sua história. Afinal, no último jogo, precisava apenas do empate contra o Uruguai para ser campeão, em um Maracanã lotado. Porém, de virada, perdeu por 2 a 1, no fatídico “Maracanazzo”. Já em 54, nova eliminação, desta vez nas quartas de final, para a Hungria, na “Batalha de Berna”.
Já na Copa de 58, vieram as figuras dos jovens Garrincha e Pelé, que brilharam na Suécia e garantiram o primeiro título brasileiro. Quatro anos depois no Chile, mais uma conquista, desta vez com a lesão do principal craque logo no início da competição. Porém, em 66, o brilho não foi o mesmo e o Brasil caiu ainda na fase de grupos, em uma das piores participações em Mundiais. Por outro lado, em 70, o ânimo renovou, e com a melhor seleção de todos os tempos, veio o tricampeonato no México.

Pelé foi a grande estrela do tricampeonato no México – Foto: Divulgação/FIFA
Nas Copas seguintes, o Brasil teve boas participações, terminando na quarta colocação em 74 e na terceira em 78. A grande expectativa é que o tetra viesse em 82, com uma equipe que tinha grandes nomes. Porém, a derrota para Itália, com três gols de Paolo Rossi, encerrou o sonho e provocou uma das eliminações mais dolorosas da história do torneio. Já em 86 e 90, mais quedas, para França, nas quartas, e para a Argentina, nas oitavas, respectivamente.
A redenção veio em 94. Comandado por Romário, o Brasil conquistou o tetracampeonato nos pênaltis, com um time que sofria muitas críticas. Quatro anos depois, quase veio um novo doblete, mas a Seleção perdeu para a França na decisão. Porém, em 2002, apareceu a estrela de Ronaldo, Rivaldo e da “Família Scolari”, conquistando o último título brasileiro, até aqui.

Brasil conquistou o pentacampeonao em 2002 – Foto: Reprodução
A busca pelo hexa começou em 2006, com uma Seleção que tinha grandes estrelas, mas que não mostrou muito futebol, sendo eliminada pela França, nas quartas de final. Já em 2010, nova queda, desta vez para a Holanda, na mesma. Enfim, chegou 2014, com a Copa sendo realizada no Brasil. Entretanto, o sonho de mais um título deu lugar a uma humilhação, com a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal. Depois disso, o Brasil se renovou, trouxe, com atraso, Tite para o comando. Com boas campanhas nas Eliminatórias, a Seleção chegou com favoritismo nos últimos Mundiais, mas caiu em ambos nas quartas de final, para Bélgica e Croácia, respectivamente.
Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Raphinha, Matheus Cunha (Neymar), Vini Jr e Luiz Henrique.
O Brasil é o quinto maior país do mundo, com uma área de 8.510.417,771 km², além de ser o maior da América do Sul e da América Latina. A população brasileira é de 213.421.037 habitantes, com a capital em Brasília e tendo Luís Inácio Lula da Silva como presidente.
A economia brasileira é a nona maior do mundo e tem grande destaque no cenário internacional pela exportação de produtos do agronegócio, como soja, carne bovina, laranja e café. Além disso, o Brasil também tem uma forte atuação na área dos serviços, sendo o destino de milhões de turistas todos os anos.
Diferente de outros países da região, o Brasil possui uma forte atuação do seu mercado local na área cultural e do entretenimento. Diversos cantores e atores fazem sucesso em todo o país, sem serem grandes fenômenos no exterior. Atualmente, destacam-se entre os artistas brasleiros mais acompanhados Ana Castela, Luan Santana, Thiaguinho, Gusttavo Lima e a dupla Henrique e Juliano.

Wagner Moura venceu o Globo de Ouro por sua atuação em “O Agente Secreto” – Foto: Reprodução/TV Globo
Porém, artistas brasileiros já começam a ter muita visibilidade no exterior. O grande estopim veio com Michel Teló, que virou febre com “Ai se eu te pego”. Atualmente, quem domina os cenários internacionais é a cantora Anitta e o DJ Alok. Por outro lado, no cinema, as produções do Brasil começam a ter grande notoriedade ao redor do mundo, com indicações e conquistas nas grandes premiações. Nos últimos dois anos, Fernanda Torres e Wagner Moura venceram o Globo de Ouro e receberam índicações ao Oscar. Inclusive, o filme “Ainda Estou Aqui” levou a estatueta de melhor produção em língua estrangeira.

Brasil tenta brigar pelo título, apesar do ciclo instável – Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Mesmo com a instabilidade ao longo de todo o ciclo, a Seleção chega com grandes expectativas para o Mundial. Embora não esteja entre as favoritas, o Brasil aparece entre aquelas que não se pode largar o olho, tendo enorme potencial para surpreender na briga pelo título. Inclusive, a chegada e o comando de Carlo Ancelotti reforçam essa esperança brasileira. A tendência é que a Seleção não tenha problemas para avançar na fase de grupos e nos primeiros confrontos de mata-mata. Porém, o desafio será encarar as principais seleções nos momentos decisivos do torneio.







































