Jogada10
·17 de maio de 2026
Como chega o Uruguai para a Copa do Mundo

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Renovada, sem as estrelas que colocaram a seleção novamente entre as melhores do mundo, o Uruguai chega à Copa do Mundo para dar vez a uma nova geração e um comandante mais que conhecido. Afinal, Marcelo Bielsa dirigiu a Celeste ao longo do ciclo, com altos e baixos, além de momentos de tensão com o elenco.
No primeiro desafio da “Era Bielsa”, empate com o Japão. Depois, a seleção emplacou três vitórias seguidas, contra Coreia do Sul, Nicarágua e Cuba. Na estreia das Eliminatórias, bateu o Chile, mas perdeu para o Equador na rodada seguinte. Entretanto, na sequência, empatou com a Colômbia, fora de casa, e venceu Brasil, Argentina, na Bombonera, e a Bolívia, fechando 2023 na liderança da qualificatória.
Nos primeiros amistosos de 2024, empate com o País Basco e derrota para a Costa do Marfim. Porém, na preparação para a Copa América, goleou o México e foi com moral para a competição. No torneio, venceu Panamá, Bolívia e Estados Unidos, terminando com 100% de aproveitamento na fase de grupos. Nas quartas, eliminou o Brasil nos pênaltis, após empate no tempo normal. Entretanto, a campanha parou na semifinal, com derrota para a Colômbia, em partida marcada por muita confusão. Por outro lado, ficou com a terceira colocação, ao bater o Canadá, também nas penalidades.
Só que no retorno das Eliminatórias, as coisas começaram a azedar na Celeste. Na despedida de Suárez, empate sem gols com o Paraguai, em pleno Centenário. Mesmo resultado do duelo contra a Venezuela, em Maturín. No mês seguinte, derrota para o Peru, que ainda não havia vencido ninguém no torneio, e mais um empate contra o Equador. Em meio a isso, uma crise gerada por declarações de Agustín Cannobio, hoje no Fluminense, contra Bielsa.

Uruguai teve dificuldades depois da Copa América – Foto: Divulgação/AUF
Com o extracampo pegando fogo, o treinador entrou muito pressionado para os últimos compromissos de 2024. A Celeste tinha pela frente a Colômbia, algoz da Copa América. Em uma partida muito tensa no Centenário, com dois gols nos acréscimos, o Uruguai venceu por 3 a 2 e esfriou a crise que rondava a seleção. Na partida seguinte, ficou no empate em 1 a 1 contra o Brasil, que trouxe mais tranqulidade para a equipe.
Porém, a Celeste ainda tinha dificuldades para vencer nas Eliminatórias. Nos primeiros jogos de 2025, perdeu para a Argentina, empatou com a Bolívia e sofreu uma nova derrota para o Paraguai. Em um jogo que tinha um caráter decisivo, o Uruguai se reencontrou com a vitória, ao bater a Venezuela por 2 a 0, com grande atuação de Arrascaeta. A vaga uruguaia foi confirmada na penúltima rodada, com triunfo sobre o Peru. Por fim, a seleção encerrou a campanha empatando sem gols com o Chile.
Após os altos e baixos, o Uruguai iniciou os testes para a Copa vencendo República Dominicana e Uzbequistão. Porém, na sequência, empatou sem gols com o México e sofreu uma dura goleada de 5 a 1 para os Estados Unidos, que trouxe uma nova pressão para cima de Bielsa. Nos últimos amistosos, empates contra Inglaterra e Argélia e o sentimento de que nem tudo ainda está ajeitado. No momento, a Celeste ocupa a 17ª posição do ranking da Fifa.
Sem as estrelas de Suárez e Cavani, o Uruguai começa a apresentar uma nova safra de jogadores, para que a seleção não sofra com uma intersafra, igual nos anos 90. Neste cenário, quem tem destaque no cenário no internacional e se candidata a protagonista da Celeste é Federico Valverde.

Valverde se tornou protagonista depois da saída de Suárez – Foto: Divulgação/AUF
Apesar de não ser nenhum jovem, já que está com 27 anos, o meia chega em outro patamar com relação a disputa da última Copa. Afinal, Valverde está consolidado como titular do Real Madrid e é considerado um dos melhores em sua posição em todo o mundo. Agora a missão é assumir, pela primeira vez, a liderança da seleção em uma competição internacional, já que Luís Suárez ainda estava no elenco da Copa América. Com a camisa Celeste, o jogador atuou em 73 partidas, desde 2019, e marcou nove gols.
Sem dúvidas, Marcelo “El loco” Bielsa é uma das figuras mais singulares do futebol na atualidade. Com seu temperamento diferenciado e um jeito que atrai fãs e desafetos, o treinador volta ao Mundial após comandar o Uruguai ao longo do ciclo. O argentino havia voltado a ter destaque no cenário internacional ao comandar o Leeds, durante 2018 e 2022, com o retorno do clube inglês à Premier League após 16 anos.

Bielsa encarou momento complicado durante as Eliminatórias – Foto: Divulgação/AUF
Essa será a terceira Copa de Bielsa. Em sua estreia, em 2002, comandou a Argentina, após estar na Albiceleste durante todo o ciclo. Entretanto, a passagem terminou em frustração, com a eliminação da fase de grupos e a derrota na final da Copa América, em 2004, contra os reservas do Brasil. Três anos depois, o treinador assumiu o Chile, conseguindo a classificação para o Mundial após 12 anos. Por outro lado, na África do Sul, avançou para as oitavas de final, na qual reencontrou a Seleção Brasileira e sofreu uma nova derrota. Pela Celeste, o técnico tem 36 jogos, com 15 vitórias, 14 empates e sete derrotas e chega pressionado na América do Norte.
O Uruguai tem um passado glorioso dentro da competição. Afinal, o país sediu a primeira edição do torneio e a seleção se sagrou campeã, vencendo a Argentina na final. Depois de boicotar as Copas de 34 e 38, a Celeste retornou em 1950, onde conquistou o bicampeonato, na histórica decisão no Maracanã, o “Maracanazzo”, ao bater o Brasil, de virada. Além disso, o Uruguai considera as conquistas na Olimpíadas de 1924 e 28 como mundiais, já que a Fifa organizou as competições.

Uruguai silenciou o Maracanã na conquista de 1950 – Foto: Reprodução
Depois disso, a Celeste nunca mais conseguiu chegar a uma decisão. Na edição seguinte, foi até a semifinal, onde caiu para a Hungria. Inclusive, o retrospecto se repetiria em 1970 e 2010, sendo eliminada por Brasil e Holanda, respectivamente. Em outras edições, como 1962, 1974, 2002 e em 2022, a seleção não passou da fase de grupos. Por outro lado, em 1966 e 2018, ficou nas quartas de final, para Alemanha Ocidental e França, respectivamente. Já em 1986, 1990 e 2014, o Uruguai não passou das oitavas, caindo para Argentina, Itália e Colômbia.
Rochet; Varela, Ronald Araújo, Giménez e Mathías Oliveira; Ugarte, Valverde, Maximiliano Araújo, Cannobio e De la Cruz; Viñas (Darwin Nuñez).
O Uruguai é conhecido pela sua tranquilidade e alto índice de desenvolvimento humano dentro da América do Sul. O país tem uma área de 176.215 km² e uma população de 3.444.263 habitantes, sendo que mais da metade vive na região da capital, Montevideu. Atualmente, o presidente uruguaio é Yamandú Orsi.
No passado, o Uruguai chegou a fazer parte do Brasil, em uma região conhecida como Cisplatina. Porém, a independência veio em 1825, três após a brasileira, sendo reconhecida três anos depois. Já a economia uruguaia tem muita dependência do comércio, principalmente da área agrícola.
O país tem muito reconhecimento dentro de cenário musical. Inclusive, um dos grandes nomes é de Jorge Drexler, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original com “Al otro lado del río”, em 2005, na produção “Diários de Motocicleta”, dirigida pelo brasileiro Walter Salles. Além dele, se destacam os cantores Ruben Rada, Jaime Roos, Malena Muyala e Ana Prada.

Drexler venceu o Oscar em parceria com diretor brasileiro – Foto: Reprodução/Instagram
No cinema, o Uruguai tem alguns atores que possuem participação dentro do mercado brasileiro, como César Troncoso. O país também possui artistas que despontam no cenário internacional, como Natalia Oreiro, Enzo Vogrincic e Bárbara Mori.

Celeste deve ter problemas a partir do mata-mata no Mundial – Foto: Divulgação/AUF
Apesar da campanha marcada por altos e baixos e da pressão sobre Marcelo Bielsa, a Celeste não deve ter dificuldades para passar da fase de grupos. Afinal, a seleção só tem a Espanha como grande concorrente na chave, que ainda conta com Cabo Verde e Arábia Saudita. Uma eliminação aqui seria um grande vexame uruguaio. Porém, o grande problema do Uruguai é o mata-mata, onde terá que encarar adversários maiores e, justamente, onde mora o problema da equipe nos últimos dois anos. É ver se o treinador e seus comandandos conseguem deixar a pressão no aeroporto e surprender na Copa.
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