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·21 de maio de 2026

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1934

Imagem do artigo:Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1934

Ainda vivendo o começo do profissionalismo no futebol, o Brasil chegou à Copa do Mundo da Itália, em 1934, ainda com alguns problemas. A participação, que ainda não foi levada muito a sério pelos jogadores, terminou de forma precoce, ainda na primeira partida, naquela que virou a pior participação brasileira no torneio.

Mais uma vez, a participação brasileira começou marcada por polêmicas. Diversos clubes haviam adotado o profissionalismo. Porém, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) ainda defendia o amadorismo e criava uma barreira com a recém-fundada Federação Brasileira de Futebol, que unia equipes profissionais que não queriam liberar seus atletas. A CBD teve que oferecer recompensas para alguns jogadores, entre eles Lêonidas da Silva, enquanto alguns clubes até chegaram a esconder seus jogadores, como o Palestra Itália, para não serem convocados pelo técnico Luiz Vinhaes. Por fim, a lista contava com apenas um remanescente de 1930: o atacante Carvalho Leite.


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Após toda a confusão, a Seleção embarcou no navio SS Conte Biancamano para uma viagem de 15 dias, cruzando o Oceano Atlântico. Durante o período, os jogadores realizaram seus treinamentos no convés da embarcação. Entretanto, vários jogadores engordaram ao longo da travessia e não tiveram tempo para recuperar a forma física.

Com a edição sendo realizada na Europa, a Copa atraiu mais seleções, principalmente do Velho Continente. Por conta disso, a Fifa teve que criar as Eliminatórias, que foram disputadas por proximidade, já que nem todos os continentes possuíam confederações próprias. Entretanto, na América do Sul, o Uruguai liderou o boicote em protesto a ausência dos europeus no primeiro Mundial, que não contou com a adesão brasileira e argentina, que se classificaram sem terem que disputar a qualificatória.

Com 16 seleções, a Fifa organizou o torneio em formato de mata-mata. Com isso, a Copa já iniciou nas oitavas de final, com um jogo extra em caso de empate. A Itália, que vivia o auge do regime fascista de Benito Mussolini, estava tomada pelo clima futebolístico e os jogadores estavam pressionados para terem bons resultados.

A única partida brasileira

O Brasil encarou logo de cara a Espanha, e não teve um bom início de jogo. Logo aos 18 minutos, a Fúria abriu o marcador com Iraragorri, de falta. Oito minutos depois, Gorostiza deu passe para Lángara marcar o segundo. Passados mais quatro minutos, Pedrosa falhou ao sair do gol e Lángara, mais uma vez, fez o terceiro. A imprensa da época atribuiu a falta de treino como fator principal para a fraca atuação brasileira na partida.

No segundo tempo, a Seleção inicou uma reaçaõ. Aos 11 minutos, Lêonidas da Silva diminuiu, aproveitando rebote do goleiro. Quatro minutos depois, Luisinho chegou a balançar as redes, mas a arbitragem marcou impedimento, para a revolta brasileira. Na sequência, Waldemar de Brito se chocou com Ciriaco na área e o juiz deu pênalti. Porém, na cobrança, Zamora defendeu o chute do próprio Waldemar e pôs fim à precoce participação do Brasil.

O resultado da partida chegou às vitrines das agências de notícias brasileiras e causou revolta da população. Inclusive, a sede do Palestra Itália foi alvo de protestos, que precisaram ser contidos pela polícia. Após a eliminação, a Seleção seguiu realizando amistosos, sendo sete na Europa, e, após o retorno de 15 dias, mais 11 no Brasil, já que a CBD havia contratado os jogadores.

Por fim, a participação brasileira em Copas terminou com apenas uma partida, com três gols sofridos e um marcado. Lêonidas da Silva, que viria a se destacar no Mundial seguinte, terminou como artilheiro solitário da Seleção, que ficou na 14ª posição na classificação geral. No torneio, a Itália se tornou campeã, vencendo a Tchecoslováquia na decisão, em uma partida que foi até a prorrogação.

Jogadores convocados

Goleiros: Pedrosa – Botafogo Germano – Flamengo

Zagueiros: Sílvio – São Paulo Luiz Luz – Americano Octacílio – Botafogo

Meias: Tinoco – Vasco Martim Silveira – Botafogo Ariel – Botafogo Canalli – Botafogo Waldyr – Botafogo

Atacantes: Lêonidas da Silva – Vasco Carvalho Leite – Botafogo Armandinho – São Paulo Waldemar de Brito – São Paulo Luizinho – São Paulo Átila – Botafogo Patesko – Nacional (URU)

Ficha técnica

Campeã: Itália Vice-campeã: Tchecoslováquia Final: Itália 2 x 1 Tchecoslováquia Artilheiro: Oldřich Nejedlý (Tchecoslováquia) – cinco gols Colocação do Brasil: 14º lugar (eliminado na primeira partida) Artilheiro do BrasilLeônidas da Silva – um gol Resultado do Brasil: Brasil 1 x 3 Espanha

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