Papo na Colina
·27 de janeiro de 2026
Como uma decisão de Guardiola acabou beneficiando o Vasco no mercado

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·27 de janeiro de 2026

Uma decisão tomada a milhares de quilômetros de São Januário acabou tendo impacto direto no mercado do Vasco. O movimento partiu de Pep Guardiola, no Manchester City, e rapidamente desencadeou uma reação em cadeia no futebol europeu.
Ao buscar um novo nome para reforçar seu ataque, o City mexeu com estruturas consolidadas da Premier League. Um desses efeitos colaterais foi sentido pelo Bournemouth, que se viu obrigado a ir ao mercado para repor uma peça-chave de seu elenco.
Foi nesse contexto que o Vasco apareceu como beneficiado indireto. A joia Rayan passou a ser vista como solução ideal, abrindo caminho para uma negociação histórica para o clube carioca.
A contratação de Antoine Semenyo pelo Manchester City marcou mais um capítulo da filosofia agressiva de Pep Guardiola no mercado. O atacante ganês, que vinha em grande fase no Bournemouth, foi adquirido por cerca de 72 milhões de euros, valor que chamou atenção não apenas pelo montante, mas pelo impacto esportivo imediato.
Utilizando a camisa 42 — número que carrega simbolismo no clube por ter sido usado por Yaya Touré —, Semenyo rapidamente correspondeu à aposta. Em apenas cinco dias desde o anúncio oficial, ele somou dois gols e uma assistência em dois jogos pelo City. Contra o Newcastle, inclusive, teve um gol anulado de forma polêmica, o que ampliaria ainda mais seus números iniciais.
A decisão de Guardiola teve efeito direto no Bournemouth. O clube perdeu um de seus principais jogadores ofensivos em plena temporada, abrindo uma lacuna difícil de preencher no elenco que disputa a Premier League.

Foto: Divulgação/Manchester City
Sem Semenyo, o Bournemouth se viu obrigado a agir rapidamente. A saída do atacante deixou um buraco evidente no setor ofensivo, especialmente em um momento em que o clube ocupa posição intermediária na tabela e busca estabilidade na competição.
Com caixa reforçado pela venda ao Manchester City, a diretoria inglesa passou a mapear o mercado em busca de um jogador jovem, com potencial de impacto imediato e margem de valorização futura. Foi nesse cenário que o nome de Rayan, do Vasco, ganhou força.
Aos 19 anos, o atacante brasileiro se encaixava perfeitamente no perfil buscado pelos ingleses: força física, velocidade, capacidade de atuar pelos lados do ataque e números expressivos na temporada 2025, quando marcou 20 gols pelo clube carioca.
A negociação com o Bournemouth foi concluída por 35 milhões de euros, sendo 28,5 milhões fixos e outros 6,5 milhões atrelados a metas esportivas. O valor coloca Rayan como a maior venda da história do Vasco, superando o recorde anterior de Paulinho, negociado em 2018 por 18,5 milhões de euros.
Mesmo com a divisão dos direitos econômicos — 70% para o Vasco, 20% para o jogador e família e 10% para empresários —, o clube garantiu um ingresso imediato próximo de €20 milhões, além de possíveis bônus e ganhos futuros via mecanismo de solidariedade da FIFA.

Foto: Matheus Lima/Vasco.
Hinestroza estava encaminhado com o Boca Juniors, mas o Vasco atravessou as conversas e fechou a contratação do atacante em três dias. Antes de embarcar para o Brasil, o jogador de 23 anos explicou a negociação:
— Sim, eu sempre estive firme na proposta do Boca, em ir para o Boca, aí chegou o Vasco, já não dependia mais de mim. Eles conversaram entre si e tomaram a decisão. Esperei com paciência junto da minha família, porque já estávamos preocupados com a situação, pois eu estava há muitos dias sem treinar. No final, chegou-se a um acordo com o Vasco e estou muito feliz por esse passo na minha carreira.
O Vasco vai pagar em torno de US$ 5 milhões (perto de R$ 30 milhões) por 80% dos direitos econômicos do atacante colombiano. Hinestroza fez a melhor temporada da carreira pelo Atlético Nacional em 2025. Foram sete gols marcados e nove assistências em 57 jogos, além dos títulos do Campeonato Colombiano e da Copa Colômbia.
A transferência de Rayan é um exemplo claro de como decisões tomadas no topo do futebol europeu reverberam diretamente na América do Sul. Um movimento estratégico de Guardiola, pensado exclusivamente para fortalecer o Manchester City, acabou alterando o planejamento de clubes intermediários da Premier League e, por consequência, de equipes brasileiras.
Para o Vasco, o efeito dominó representou um divisor de águas. O clube bateu recorde de venda, reforçou o caixa, ganhou margem para investir no elenco e consolidou sua imagem como formador e vendedor de talentos em escala internacional.
O caso também evidencia a crescente integração dos mercados globais, onde escolhas feitas por treinadores de elite influenciam trajetórias, finanças e projetos esportivos muito além das fronteiras europeias. No fim da cadeia, São Januário colheu frutos de uma decisão tomada por Guardiola em Manchester.
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