Território MLS
·18 de setembro de 2026
Conheça Taylor Calheira, o americano que jogou pelo Vitória e hoje brilha na MLS.

In partnership with
Yahoo sportsTerritório MLS
·18 de setembro de 2026

Taylor Calheira chegou ao Sporting Kansas City no começo desta temporada. Vindo do FC Tulsa, da USL Championship, Taylor levou um tempo até ganhar seu espaço e se adaptar à nova liga.
Depois da Copa do Mundo, a realidade do centroavante mudou. Com a saída de Dejan Joveljic, o caminho ficou aberto, e Taylor vem aproveitando as oportunidades.
A primeira assistência veio contra o St. Louis City, em agosto, e os primeiros gols logo chegaram. Nas últimas duas partidas, foram três gols marcados.
A história de Taylor, porém, começa muito antes da chegada à MLS, com uma forte ligação com o Brasil. Nascido em Towson, no estado de Maryland, nos Estados Unidos, Taylor é filho de mãe americana e pai brasileiro.
Adauto Neto veio para os Estados Unidos ainda jovem para estudar e jogar no college pela University of Mobile. Foi draftado em 2001 pelo Dallas Burn, mas encontrou sucesso jogando futebol indoor – esporte semelhante ao showbol.
Adauto foi uma grande referência no início da trajetória e no desenvolvimento do filho. O ex-jogador fundou o Brausa United Futbol Club, equipe que teve papel importante na formação do atual centroavante do Sporting Kansas City. Taylor destacou a importância do clube e, principalmente, do pai em sua trajetória:
“Meu pai sempre foi um exemplo para mim. Estar lá para apoiá-lo junto com a nossa família era sempre muito divertido. Ele me ensinou tudo o que sei. Embora tenha sido ótimo, também não foi fácil. Ele sempre foi meu treinador enquanto eu crescia, até eu chegar à faculdade. Era difícil fazê-lo ficar satisfeito, e havia muita pressão para ter sucesso. Na minha opinião, foi isso que, no fim das contas, me trouxe até aqui. Para ser profissional, você precisa sacrificar milhares de horas de trabalho duro, algo que nem sempre percebe quando é criança. Ver o sucesso dele só fez com que eu quisesse ter ainda mais sucesso e deixar minha família orgulhosa.”
Se não bastasse a grande influência do pai brasileiro em sua formação como atleta, Taylor também teve uma ligação direta com um clube do nosso país. Quando estava no ensino médio nos Estados Unidos, decidiu embarcar para um desafio completamente novo: o Vitória.
Sergio Moura, um dos amigos de seu pai e que também foi um dos treinadores de Calheira, ajudou a levá-lo ao clube baiano. Sergio trabalhou com clubes no Brasil antes de ir para os Estados Unidos, incluindo Vitória e Cruzeiro.
No Vitória, Taylor ficou por apenas quatro meses e decidiu retornar aos Estados Unidos por estar em um ano decisivo para o recrutamento universitário. Apesar do pouco tempo no clube, Calheira destacou a passagem como uma oportunidade única na vida:
“Eu tive que amadurecer muito rápido. Morei no alojamento dos jogadores no Barradão. Tive que aprender a viver sozinho em um novo país. Mas, novamente, desde o começo era tudo futebol. Eu treinava pela manhã e depois jogava futevôlei e FIFA com meus companheiros de equipe à noite.”
Um dos aspectos em que mais sentiu diferença entre o futebol de base no Brasil e nos Estados Unidos foi o cultural. Para ele, no Brasil, o futebol é tudo na vida das pessoas. Já nos Estados Unidos, existem mais opções e maior acesso a diferentes recursos, o que, em sua visão, pode tornar mais difícil manter o foco exclusivamente no futebol.
“Eu diria que existe uma diferença cultural bastante grande entre o futebol no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, futebol é tudo. É uma oportunidade para todos terem sucesso. É a paixão de todo mundo. Futebol é vida. Nos Estados Unidos, você tem acesso a tudo. Você pode ser o que quiser. Acho que é mais difícil manter o foco nos Estados Unidos. Quando os brasileiros estão em campo, eles estão lutando por suas vidas. Todos os treinos são extremamente intensos, os caras pressionam uns aos outros para serem os melhores e, se você não for bem, alguém vai tomar o seu lugar. Nos Estados Unidos, você tem acesso a tudo. Qualquer pessoa pode ir a um campo muito bom, encontrar treinadores e utilizar tecnologias de nível de elite. Acho que você tem acesso a mais coisas nos Estados Unidos. Eu diria que essas são as principais diferenças entre os dois países.”
Após essa experiência jogando no Brasil, Taylor seguiu o caminho do college. Em três anos e meio na UMBC, se destacou e acabou draftado pelo New York City FC.
Como muitos outros jovens jogadores, foi para a segunda equipe do clube para disputar a MLS NEXT Pro. Foram 24 partidas, 14 gols e uma vaga no time do ano da competição.
O bom desempenho o levou ao FC Tulsa, equipe que disputa a USL Championship. No clube, mais uma vez provou seu valor: foram 21 gols e quatro assistências.
Os gols ajudaram a levar o FC Tulsa até a final da competição, que terminou com o vice-campeonato após a derrota nos pênaltis para o Pittsburgh Riverhounds.
Taylor terminou como vice-artilheiro da USL Championship, com 17 gols, e foi novamente escolhido para o time do ano.
O Sporting Kansas City decidiu contratar o centroavante no começo de 2026. Taylor assinou contrato com o clube até o fim da temporada de 2027, com opção para 2028.
A entrevista completa:
Quando você se apaixonou pelo futebol? Houve algum momento específico em que percebeu que era algo que queria levar a sério?
Sinto que sempre fui apaixonado por futebol. Ver meu pai jogar todos os dias e querer ser como ele foi o que realmente me motivou. O futebol era meu estilo de vida e fazia parte da minha rotina diária, então eu sabia que queria ser jogador profissional um dia.
Seu pai, Adauto Neto, também foi jogador profissional e teve uma longa carreira nos Estados Unidos. Como foi crescer tendo um jogador profissional como pai, e quanto a carreira dele influenciou as suas próprias ambições?
Meu pai sempre foi um exemplo para mim. Estar lá para apoiá-lo junto com a nossa família era sempre muito divertido. Ele me ensinou tudo o que sei. Embora tenha sido ótimo, também não foi fácil. Ele sempre foi meu treinador enquanto eu crescia, até eu chegar à faculdade. Era difícil fazê-lo ficar satisfeito, e havia muita pressão para ter sucesso. Na minha opinião, foi isso que, no fim das contas, me trouxe até aqui. Para ser profissional, você precisa sacrificar milhares de horas de trabalho duro, algo que nem sempre percebe quando é criança. Ver o sucesso dele só fez com que eu quisesse ter ainda mais sucesso e deixar minha família orgulhosa. Minha mãe também é uma parte muito importante da minha trajetória. Ela estava presente em todos os jogos para me apoiar e me levantar quando eu estava para baixo.
Você teve a oportunidade de passar um período jogando no Brasil, incluindo no Vitória. Como você descreveria essa experiência e o que aprendeu jogando e treinando no Brasil?
Um dos parceiros do meu pai, que também foi um dos meus treinadores, era Sergio Moura. Ele trabalhou com clubes no Brasil antes de ir para os Estados Unidos, incluindo Vitória Bahia e Cruzeiro. Ele ajudou a me levar para o Vitória e me deu a confiança para realmente acreditar que eu poderia jogar lá. Jogar pelo Vitória foi uma experiência única na vida, e eu tive que amadurecer muito rápido. Morei no alojamento dos jogadores no Barradão. Tive que aprender a viver sozinho em um novo país. Mas, novamente, desde o começo era tudo futebol. Eu treinava pela manhã e depois jogava futevôlei e FIFA com meus companheiros de equipe à noite.
Tendo vivido o processo de desenvolvimento de jogadores tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, quais diferenças mais chamaram a sua atenção – técnica, tática, física ou culturalmente? Como você compararia o nível geral das categorias de base nos dois países?
Eu diria que existe uma diferença cultural bastante grande entre o futebol no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, futebol é tudo. É uma oportunidade para todos terem sucesso. É a paixão de todo mundo. Futebol é vida. Nos Estados Unidos, você tem acesso a tudo. Você pode ser o que quiser. Acho que é mais difícil manter o foco nos Estados Unidos. Quando os brasileiros estão em campo, eles estão lutando por suas vidas. Todos os treinos são extremamente intensos, os caras pressionam uns aos outros para serem os melhores e, se você não for bem, alguém vai tomar o seu lugar. Nos Estados Unidos, você tem acesso a tudo. Qualquer pessoa pode ir a um campo muito bom, encontrar treinadores e utilizar tecnologias de nível de elite. Acho que você tem acesso a mais coisas nos Estados Unidos. Eu diria que essas são as principais diferenças entre os dois países.
Com um pai brasileiro e tendo vivido suas próprias experiências no Brasil, o quanto você se sente conectado ao país hoje? Você ainda mantém tradições ou aspectos da cultura brasileira no seu dia a dia? E você fala português?
Tenho muito orgulho de ser brasileiro. Amo tudo sobre a cultura. Amo ouvir pagode, amo feijoada, picanha e coxinha, e amo a forma como todos tratam uns aos outros como família. Como minha mãe é americana e não fala português, nunca aprendi completamente a falar o idioma. Com minha experiência no Brasil e por meio da minha família e dos meus amigos, entendo praticamente tudo em português, mas ainda tenho dificuldade para falar, especialmente com algumas palavras e expressões. Estou melhorando a cada dia, e falar com caras como Diego e Andre no meu time ajuda muito.
Depois de tudo o que você passou para chegar até lá, o que significou finalmente se tornar jogador da MLS? Chegar à liga pareceu a realização de um sonho?
Jogar na MLS sempre foi meu sonho. Definitivamente parece um sonho realizado. Foi um caminho difícil até chegar aqui e, agora que estou jogando, não poderia estar mais feliz. Estou aproveitando cada momento.
Você recentemente marcou seus primeiros gols na MLS pelo Sporting Kansas City. Pode descrever o que esse momento significou para você, especialmente depois de toda a trajetória até chegar a esse nível?
Fiquei muito feliz por marcar meu primeiro gol na MLS. Foi mais um sonho realizado e um momento para deixar minha família orgulhosa. Espero que continue! Estamos tentando mudar a situação do time e vencer jogos, então quero fazer tudo o que puder para ajudar o Sporting KC a ter sucesso.
Há mais jogadores brasileiros na MLS do que nunca. Considerando a sua conexão tanto com o Brasil quanto com os Estados Unidos, o que você acha desse crescimento da presença brasileira na liga? O que isso diz sobre a forma como a MLS é vista no Brasil atualmente?
Todo mundo sabe que os brasileiros têm alguns dos maiores talentos do futebol mundial. Acho que diz muito sobre a liga ver como eles estão indo bem e como estão realmente mostrando sua qualidade. Acho que a liga está melhorando a cada ano e está em um nível realmente muito alto. Espero que os brasileiros continuem percebendo isso e continuem tendo oportunidades nos Estados Unidos. Todo mundo ama o Campeonato Brasileiro e o quanto ele é competitivo. Meu pai é um grande torcedor do Vasco, então nós sempre assistimos. Espero que eles possam perceber que esta liga é igualmente competitiva e, ao mesmo tempo, possam aproveitar o estilo de vida nos Estados Unidos.
Agora que você chegou à MLS, qual é o próximo objetivo de Taylor Calheira? Onde você gostaria que sua carreira chegasse daqui para frente?
Meu próximo objetivo é continuar saudável e continuar trabalhando duro. Acredito que Deus tem um plano para mim e para minha família, e isso é o que considero mais importante. Só preciso continuar construindo meu nome nesta liga, e quem sabe o que poderá acontecer no futuro.















