Jogada10
·17 de junho de 2026
Conselheiros cobram transparência de presidente sobre venda da SAF do Botafogo

In partnership with
Yahoo sportsJogada10
·17 de junho de 2026

A estabilidade política do Botafogo enfrenta um novo momento de questionamento interno. Um grupo composto por 41 conselheiros do clube carioca assinou e enviou um ofício formal direcionado ao presidente da instituição, João Paulo Magalhães. O documento cobra total transparência por parte da diretoria executiva em relação ao processo de venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Os nomes exigem a participação ativa dos órgãos de controle estatutário para chancelar o negócio.
O movimento da oposição ocorre logo após o clube assinar um acordo vinculante com a GDA Luma, no último dia 5 de junho. O contrato prevê a alienação da SAF pelo montante total de US$ 105 milhões (aproximadamente R$ 503 milhões na cotação atual). O cronograma financeiro estabelece que o primeiro aporte injetará US$ 25 milhões (cerca de R$ 130 milhões) de forma imediata nos cofres alvinegros.
Os signatários do ofício expressaram um temor real com a falta de lastro e a segurança jurídica da transação bilionária. Os conselheiros argumentam que a venda não pode ocorrer de forma isolada pela diretoria, necessitando obrigatoriamente da apreciação do Conselho Fiscal, do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral de Sócios. O grupo relembra o rito adotado na fundação da SAF, em 2022, para exigir que o atual processo siga o mesmo padrão de legitimidade institucional.
“O envolvimento institucional fortalece a legitimidade, a transparência e a segurança jurídica da operação, reduz riscos de questionamento e resguarda o Botafogo e a própria Diretoria, razão pela qual os signatários entendem como necessária a submissão da matéria aos órgãos estatutários competentes, assegurando discussão e deliberação em consonância com os princípios de governança que devem nortear decisões dessa natureza.”, diz o documento.
O modelo de negócio desenhado pela atual gestão do Botafogo apresenta contornos complexos de engenharia financeira. No acordo estabelecido com a GDA, o clube associativo se comprometeu a transferir o controle acionário para o empresário Gabriel de Alba, dono da empresa investidora. A companhia havia emprestado dinheiro ao Alvinegro em fevereiro deste ano, período em que a instituição esportiva operava sob a gestão do norte-americano John Textor.
A diretoria do Botafogo alega que Textor penhorou as suas ações diretamente com a GDA como garantia daquele empréstimo inicial. Por causa disso, a associação optou por negociar com o grupo americano para tentar mitigar os termos prejudiciais do contrato assinado pelo ex-gestor.
Contudo, a transição definitiva para as mãos de Gabriel de Alba ainda esbarra em arestas burocráticas no exterior. A GDA ainda não alcançou um consenso financeiro com a empresa Eagle para adquirir os ativos do grupo. Atualmente, o Botafogo busca costurar um acerto de valores com o Lyon e com a própria Eagle com o objetivo de encerrar as disputas judiciais em andamento e transferir o comando de forma segura.

Gabriel de Alba deve se tornar o novo dono da SAF do Botafogo – Foto: Ethan Miller/Getty Images







































