RTI Esporte
·20 de setembro de 2026
Copa do Brasil vale R$ 96 milhões e escancara o caos financeiro

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·20 de setembro de 2026

A final da Copa do Brasil será disputada em jogo único, em 6 de dezembro, no Mané Garrincha, em Brasília. O formato é uma novidade. O dinheiro em jogo, porém, traz uma discussão muito mais antiga.
A decisão em campo neutro tem seu charme. Brasília é a capital do país e o estádio certamente estará lotado. Torcidas divididas, clima de decisão e uma partida capaz de parar o futebol brasileiro.
Mas há uma condição básica: o campo precisa permitir futebol.
O gramado do Mané Garrincha já colecionou problemas. E seria constrangedor chegar à principal partida da competição com um terreno incapaz de sustentar o espetáculo que se pretende vender.
Não basta estádio cheio. É preciso organização, segurança, arbitragem à altura e respeito ao torcedor.
E respeito também significa preço.
A conta para acompanhar uma final fora de casa não termina no ingresso. Há passagem, hotel, alimentação e transporte. Tudo isso pode transformar uma decisão histórica em um luxo para poucos.
A procura elevada costuma aparecer como justificativa para preços elevados. É o argumento mais conveniente do futebol moderno: quanto mais apaixonado o torcedor, mais caro fica demonstrar essa paixão.
A final precisa ser uma festa. Não uma punição financeira para quem quiser estar presente.
O jogo único, por outro lado, merece ser preservado. A fórmula já é conhecida em competições sul-americanas e cria uma atmosfera especial. Também permite que uma equipe com campanha inferior conquiste o título.
É a graça e a injustiça do futebol. Se fosse uma ciência exata, bastaria entregar a taça ao líder.
A questão realmente incômoda aparece quando se olha para a premiação. A Copa do Brasil pode render cerca de R$ 96 milhões ao campeão nesta edição.
É dinheiro demais para uma competição que ainda convive com clubes que administram suas contas como se o futuro fosse problema de outra diretoria.
Por isso, o debate sobre fair play financeiro precisa deixar de ser tratado como assunto secundário. A CBF começou a colocar regras em prática em novembro do ano passado. Agora é preciso cobrar consequência.
Não é aceitável que um clube acumule dívidas impagáveis, deixe de pagar outro participante do mercado e continue disputando normalmente, como se nada tivesse acontecido.
“Mas precisa jogar para pagar as contas.”
Sim. E quem tem dinheiro a receber também precisa sobreviver.
O futebol se decide no campo. A entrada no campo, porém, deveria exigir um mínimo de responsabilidade fora dele.
O caso do Corinthians é emblemático. Atual campeão da Copa do Brasil, o clube conseguiu aumentar suas dívidas até o primeiro semestre deste ano. A taça veio. A conta também.
Então qual é a lógica de distribuir quase R$ 100 milhões sem exigir que os clubes tenham alguma responsabilidade sobre o dinheiro que gastam?
Não se trata de impedir investimentos. Trata-se de impedir que a irresponsabilidade seja transformada em modelo de gestão.
Flamengo e Palmeiras já mostraram há mais de uma década que organização financeira pode andar junto com competitividade. Não é preciso ser gênio para perceber.
O problema é que, no futebol brasileiro, ainda existe quem trate gestão como detalhe e dívida como herança inevitável.
A final de Brasília será uma boa oportunidade para mostrar que o futebol brasileiro pode fazer diferente.
Gramado decente. Ingressos acessíveis. Segurança. Arbitragem. Organização.
E, principalmente, clubes responsáveis.
Porque R$ 96 milhões podem fazer muita diferença.
Só não deveriam servir para financiar a próxima irresponsabilidade.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte







































