RTI Esporte
·04 de setembro de 2026
Copa do Brasil vira palco das contradições de Grêmio, Atlético-MG, Palmeiras e Vasco

In partnership with
Yahoo sportsRTI Esporte
·04 de setembro de 2026

A Copa do Brasil chegou às semifinais com quatro camisas importantes e uma boa dose de contradição. Grêmio, Atlético-MG, Palmeiras e Vasco continuam sonhando com a taça. O problema é que alguns precisam dela muito mais do que outros.
Grêmio e Atlético-MG fazem o primeiro confronto. O Galo vive momento de ascensão, está na oitava colocação do Campeonato Brasileiro e ainda olha para a Copa Libertadores da América como um objetivo possível.
O Grêmio está três pontos acima da zona de rebaixamento. E não está sozinho no drama. Outros seis clubes também lutam para escapar do desastre.
A diferença é brutal. Enquanto um calcula as possibilidades de chegar à Libertadores, o outro calcula quantos pontos ainda precisa para não conhecer a Série B de perto.
O time do português Luís Castro teve seu melhor desempenho pós-Copa justamente contra o maior rival. Ótimo para o torcedor. Péssimo para quem tenta usar uma vitória como diagnóstico de recuperação.
Uma partida não apaga meses de problemas. Muito menos transforma instabilidade em planejamento. Se o Grêmio quiser fazer da Copa do Brasil uma salvação, terá primeiro de provar que consegue sobreviver ao próprio Brasileirão.
O Atlético-MG, ao contrário, chega com uma perspectiva menos dramática. A equipe subiu de produção e pode encontrar na competição a oportunidade de dar algum sentido a uma temporada que ainda não convenceu.
Do outro lado, o Palmeiras aparece como favorito para vencer a Copa do Brasil. Lidera o Brasileirão, disputa a Libertadores e chega à semifinal com uma estrutura competitiva que seus adversários certamente gostariam de ter. Só que futebol não aceita currículo como resultado.
Favoritismo não entra em campo. E muito menos garante vaga na final.
O Vasco é o contraponto perfeito. Está na zona de rebaixamento, ainda procura reforços e convive com uma instabilidade que já deixou de parecer circunstancial.
Mas há uma ironia difícil de ignorar: apesar de tudo isso, o Vasco chegou à terceira semifinal consecutiva da Copa do Brasil. É o atual vice-campeão.
O clube consegue, portanto, ser candidato ao rebaixamento no Brasileirão e candidato ao título na Copa do Brasil. É uma façanha curiosa. Ou um retrato bastante preciso da desordem que tomou conta da temporada.
Enquanto a tabela nacional expõe suas fragilidades, a Copa continua oferecendo ao Vasco a chance de fingir que os problemas podem esperar.
E há mais.
A possível aquisição da SAF do Vasco por Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, adiciona um ingrediente político e empresarial ao confronto.
Não será isso que decidirá uma bola. Mas é difícil imaginar que o assunto desapareça simplesmente porque a partida começou.
Por tudo isso, imaginar uma final entre Atlético-MG e Palmeiras já é querer resolver em setembro o que só será decidido em novembro.
Até lá, treinador pode cair. Jogador pode sair. Lesão pode aparecer. O Brasileirão pode mudar completamente o cenário.
Atlético-MG e Vasco ainda disputam a Sul-Americana. O Palmeiras tem a Libertadores. O Grêmio tem uma batalha particular contra o rebaixamento.
A Copa do Brasil, portanto, oferece quatro histórias diferentes.
Para o Palmeiras, pode ser mais um título. Para o Atlético-MG, uma chance de consolidar a reação. Para Vasco e Grêmio, pode ser muito mais do que isso.
Pode ser a oportunidade de esconder, por algumas semanas, aquilo que o Brasileirão insiste em mostrar.
E essa talvez seja a maior contradição de todas.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte







































