Central do Timão
·11 de março de 2026
CORI critica encerramento de reunião e contesta envio direto da reforma do Estatuto à Assembleia

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·11 de março de 2026

O Conselho de Orientação do Corinthians (CORI) emitiu, na última terça-feira (10), uma nota oficial criticando a condução da reunião do Conselho Deliberativo realizada na segunda-feira (9), que tinha como pauta a votação da reforma do Estatuto do clube. No documento, o órgão afirma que o encerramento da sessão foi irregular e questiona a decisão do presidente do CD Romeu Tuma Júnior de encaminhar diretamente a proposta à Assembleia Geral de associados.
Segundo o CORI, a reunião foi inicialmente suspensa e, posteriormente, encerrada de forma abrupta após uma manifestação de Osmar Stabile, presidente do clube, que afirmou ao plenário ter sido ameaçado pelo presidente do Conselho Deliberativo. De acordo com o comunicado, a confusão que se formou após a declaração levou alguns conselheiros a solicitar a suspensão ou o adiamento da sessão. No entanto, ainda segundo o órgão, esses pedidos não foram submetidos à deliberação do plenário.

Foto: Henrique Vigliotti/Central do Timão
“O argumento lançado pelo Presidente do Conselho Deliberativo para encerrar a reunião não é verídico”, afirma a nota. O CORI sustenta que, ao contrário do que teria sido alegado, não houve recusa do Conselho em votar a proposta de reforma estatutária. O texto destaca que o plenário estava cheio, com a presença de conselheiros, convidados, imprensa e representantes de torcidas organizadas, e que em nenhum momento teria ocorrido consulta formal para votação do projeto.
Outro ponto levantado pelo CORI diz respeito à decisão de enviar diretamente a proposta de reforma para deliberação da Assembleia Geral de associados. Para o órgão, a medida contraria o Estatuto vigente.
A nota cita o artigo 45 do Estatuto, que estabelece que a Assembleia Geral pode aprovar alterações estatutárias quando for previamente reconhecida pelo Conselho Deliberativo a necessidade de mudança. Segundo o CORI, a reunião do dia 9 havia sido convocada justamente para cumprir essa etapa estatutária antes do envio do texto aos associados.
O órgão também afirma que a condução da sessão teria desrespeitado o Regimento Interno do Conselho Deliberativo. O documento estabelece que a discussão de uma matéria deve ser encerrada apenas quando não houver mais oradores inscritos ou, a critério da presidência, após três manifestações favoráveis e três contrárias.
Na avaliação do CORI, nenhum desses procedimentos foi seguido, já que o debate teria sido interrompido antes mesmo de começar. “A reunião foi encerrada por decisão exclusiva da Presidência do CD, sem que a matéria fosse sequer debatida”, afirma o texto assinado por Miguel Marques e Silva, presidente do órgão.
Resposta do presidente do Conselho
Após a divulgação da nota, o presidente do Conselho Deliberativo respondeu às críticas em mensagem enviada ao grupo interno do órgão, segundo apuração da Central do Timão.
Na manifestação, Tuma afirmou que a discussão já havia sido considerada encerrada durante a reunião. O dirigente também argumentou que o requisito estatutário para o envio da reforma à Assembleia já havia sido cumprido anteriormente. Segundo ele, o Conselho Deliberativo reconheceu formalmente a necessidade de alteração do Estatuto em duas ocasiões, conforme registro em atas aprovadas por unanimidade.
Assembleia Geral já foi convocada
Apesar da controvérsia, o presidente do Conselho Deliberativo publicou nesta quarta-feira (11) o edital de convocação da Assembleia Geral Extraordinária que decidirá sobre a aprovação ou não da reforma estatutária. A votação foi marcada para o dia 18 de abril, no Parque São Jorge, sede social do clube.
O edital informa que o Conselho Deliberativo reconheceu formalmente a necessidade de revisão do Estatuto em duas reuniões anteriores: em 1º de fevereiro de 2024 e em 24 de novembro de 2025. Segundo o documento, essas deliberações atenderiam ao requisito necessário para a convocação da Assembleia Geral com esse objetivo, em conformidade com o artigo 45 do Estatuto do clube.
Com as acusações de irregularidades, a expectativa agora recai sobre a reação do Conselho Deliberativo e sobre a possibilidade de a reforma seguir para a Assembleia Geral sem a deliberação do órgão, conforme anunciado, o que pode acirrar a tensão entre os poderes do clube e até levar à judicialização do caso.
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