Central do Timão
·01 de outubro de 2026
Corinthians amplia prazo para regularizar acordo com a União após atraso de parcelas

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·01 de outubro de 2026

O Corinthians conseguiu evitar, ao menos por enquanto, o risco de rompimento do acordo firmado com a União para renegociar suas dívidas tributárias. Mesmo tendo deixado de pagar as quatro parcelas mais recentes da transação, o clube conseguiu negociar uma extensão do prazo junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e mantém o acordo ativo.
A situação ocorre em um cenário financeiro delicado para o clube, que acumula um passivo superior a R$ 2,8 bilhões. A informação sobre a negociação com a PGFN foi divulgada pelo Meu Timão.

Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Em setembro, o Corinthians já havia recebido uma notificação da Procuradoria por causa da ausência de pagamento das parcelas referentes a junho, julho e agosto. O contrato estabelece que a “falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas” pode provocar a rescisão da transação.
Diante do risco de perder os benefícios obtidos na renegociação, a diretoria alvinegra pediu mais tempo para regularizar os quatro pagamentos pendentes. O clube argumentou que está trabalhando para reorganizar suas obrigações financeiras e citou, entre os fatores envolvidos, as tratativas mantidas com a Caixa Econômica Federal sobre o débito relacionado à Neo Química Arena.
As conversas com a Caixa ganharam força em setembro, quando o Corinthians apresentou uma proposta para que o banco assuma os naming rights do estádio como contrapartida pelo perdão da dívida. O débito do clube com a instituição financeira é estimado atualmente em aproximadamente R$ 630 milhões.
Enquanto as negociações avançam, Corinthians e Caixa entenderam que seria necessário interromper temporariamente os pagamentos trimestrais referentes à Arena. A medida evitou que o clube tivesse de desembolsar, em setembro, uma quantia estimada entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões.
Os registros do Sispar, sistema utilizado pela PGFN para parcelamentos e negociações, apontam que o Corinthians não quitou as prestações de junho, julho e agosto, além da parcela de setembro, cujo vencimento ocorreu no último dia 30.
No caso dos débitos previdenciários, cada prestação corresponde a R$ 2.001.982,48. Já as parcelas relacionadas aos débitos não previdenciários têm valor de R$ 4.829.616,18.
Somados os quatro pagamentos que permanecem em aberto, o débito do Corinthians com a União chega a aproximadamente R$ 27,3 milhões, sem considerar os encargos incidentes sobre os valores atrasados.
A manutenção do acordo é considerada importante porque uma eventual rescisão faria com que a dívida original voltasse a ser considerada integralmente, descontando apenas os valores que já foram pagos pelo clube. Com isso, também seriam retomadas as medidas de cobrança judiciais e extrajudiciais.
Além disso, uma ruptura da transação impediria o Corinthians de realizar uma nova negociação com a PGFN durante dois anos. A restrição seria válida mesmo para uma eventual tentativa de renegociar outros débitos.
O acordo com a União foi aprovado em fevereiro e proporcionou ao Corinthians um abatimento de 46,6% sobre uma dívida que estava estimada em R$ 1,2 bilhão. O montante reunia aproximadamente R$ 1 bilhão em débitos não previdenciários, R$ 200 milhões em obrigações previdenciárias e R$ 15 milhões referentes ao FGTS.
Na época da formalização da transação, o clube projetava uma redução de aproximadamente R$ 200 milhões em seu passivo.
As tratativas para chegar ao acordo começaram em 2024, mas as principais evoluções ocorreram ao longo de 2025. A negociação acabou sendo concluída posteriormente, com a previsão de que cerca de R$ 679 milhões fossem pagos pelo Corinthians por meio de diferentes modalidades.
O cronograma estabelecido prevê 60 parcelas para os débitos previdenciários e 120 prestações para os débitos não previdenciários. Para o FGTS, foram definidas 60 parcelas, acompanhadas de um desconto de 30%. Já os créditos referentes às contribuições sociais seriam quitados à vista, com redução de 70%.
Como parte das condições para a transação, o Corinthians precisou apresentar garantias à União. Entre elas estão valores que o clube tem a receber por meio da Timemania.
O Parque São Jorge, sede social corinthiana, também foi utilizado como garantia da operação. O imóvel foi avaliado em R$ 602,2 milhões dentro dos termos do acordo.
A transação tributária também passou a ser alvo de discussões internas no Corinthians durante a análise das contas de 2025. Conselheiros questionaram a forma como os efeitos da renegociação foram considerados nas demonstrações financeiras, já que o acordo foi formalizado em 2026, mas teve seus impactos contabilizados no exercício anterior.
O Conselho de Orientação (Cori) apresentou ressalvas relacionadas ao relatório elaborado pela Parker Russell, empresa responsável pela auditoria independente das demonstrações financeiras do clube.
A negociação com a União também esteve relacionada a um pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. Os responsáveis pela iniciativa sustentaram que, em abril, o Corinthians utilizou o Parque São Jorge como garantia da operação sem seguir, segundo eles, os procedimentos exigidos pelo Estatuto do clube.
Entre as regras citadas está a necessidade de aprovação por quórum mínimo e maioria qualificada dos conselheiros para determinadas operações envolvendo o patrimônio corinthiano.







































