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·17 de agosto de 2026

Corinthians apresenta ação contra violência à mulher, e Tabata Amaral fala sobre patrocínio

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O Corinthians utilizou a partida contra o Cruzeiro, realizada na noite do último domingo (16), na Neo Química Arena, para divulgar uma das ações previstas em sua parceria com a Fatal Fans. Nos telões do estádio, o clube apresentou ao público o portal do Movimento Respeita as Minas, iniciativa que reúne informações de conscientização e orientação no combate à violência contra a mulher.

A divulgação aconteceu durante o duelo válido pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Dentro de campo, o Corinthians foi derrotado por 2 x 1, com Gustavo Henrique marcando o gol alvinegro. O resultado deixou a equipe na nona colocação, com 32 pontos, oito vitórias, oito empates e sete derrotas, além de 25 gols marcados e 22 sofridos.


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Foto: Divulgação / Movimento Respeita as Minas

No telão da Neo Química Arena, a campanha direcionou os torcedores ao endereço eletrônico do movimento. A iniciativa apresenta conteúdos sobre diferentes formas de violência contra a mulher, abordando agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais e sexuais. O material também reúne orientações sobre como agir diante dessas situações e informações sobre órgãos responsáveis pelo atendimento e denúncia.

Além do conteúdo informativo, o projeto procura esclarecer conceitos e expressões relacionados à violência de gênero. A ação faz parte da parceria comercial firmada entre Corinthians e Fatal Fans, cujo vínculo está previsto até dezembro de 2027.

O acordo prevê R$ 22 milhões em valores fixos, além de outros R$ 9 milhões condicionados ao cumprimento de metas contratuais. A empresa ocupa espaço no calção da equipe masculina e também aparece nos uniformes do basquete e do futsal. No futebol feminino, em vez da marca comercial, as equipes utilizam a mensagem “Respeita as Minas”.

Parceria também é alvo de questionamentos

Apesar da criação da iniciativa, a presença da Fatal Fans entre os patrocinadores do Corinthians também provocou discussões desde o anúncio do acordo. A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) abordou o tema em entrevista à TV Central do Timão e explicou sua participação, ao lado de outras representantes, em uma mobilização que questiona a publicidade de empresas ligadas a conteúdo adulto.

Ao ser perguntada sobre sua atuação no caso, Tabata afirmou que foram apresentados projetos de lei nos âmbitos federal e estadual com o objetivo de estabelecer restrições para esse tipo de publicidade em determinados espaços e situações.

“Quando a Larissa Agostini liderou esse movimento e trouxe atenção pra isso, eu entrei junto com ela e também com outras deputadas, especialmente a deputada Marina, que é deputada estadual, e a gente apresentou dois projetos de lei, um no âmbito federal e outro no âmbito estadual, pra regulamentar uma coisa que deveria ser óbvia no meu entendimento, mas que ainda não tá na lei, que é o quê? Quando a gente tá falando de espaços públicos, de bens, serviços públicos, ou de eventos e coisas que aconteçam com recurso público, com incentivo, com isenção fiscal, fica proibida a propaganda de coisas como é a da Fatal Fans, que faz ali um conteúdo adulto e que muitas vezes é um conteúdo inclusive sexualizado, pornográfico e por aí vai.

E isso vem no mistério de uma atuação que a gente já tá tendo na questão das Bets. A gente sabe que tem alguns setores que, por mais que eles sejam legalizados, e isso não é uma fala contra o Corinthians, muito menos contra as trabalhadoras que atuam nesse setor, mas são setores que trazem uma série de efeitos e questões nocivas pra sociedade. Então, qual que é o nosso entendimento? Que não basta você taxar, é importante que você proíba a propaganda. O maior exemplo que a gente tem é o do cigarro. Então, quando a gente fala do Corinthians, que é uma das maiores torcidas do Brasil, uma das camisas mais pesadas, como a gente fala, mais queridas, são camisetas que são usadas por crianças, que estão em escolas do Brasil inteiro, não só de São Paulo.

Então, o nosso entendimento é que essa camiseta não deveria estampar esse tipo de conteúdo, que pra além de taxar, a gente também precisa acabar com a propaganda, especialmente se tem recurso público envolvido de alguma forma.”

Durante a entrevista, também foi mencionado o argumento apresentado pelo Corinthians de que o clube realizou consultas antes de fechar a parceria, ouvindo, entre outros grupos, jogadoras, representantes ligados ao futebol feminino, jornalistas e especialistas. Questionada sobre essa justificativa, a deputada destacou o histórico corinthiano em pautas sociais e afirmou enxergar uma contradição entre essa trajetória e a presença da empresa como patrocinadora.

“O que eu sei, e o que o Brasil sabe, é que o Corinthians é a maior referência que a gente tem, sem demérito para outros times, quando o assunto é um histórico de defesa da democracia, quando o assunto é a defesa real das mulheres. E aqui eu não falo só do futebol feminino não, que tem que ser cada vez mais incentivado. Eu falo do combate à violência, eu falo da criação de um espaço seguro para as torcedoras mulheres.

Então me parece que é um contrassenso, que esse time que sempre se posiciona, que realmente está na vanguarda, fizemos tudo? Não, falta muito ainda, mas está na vanguarda da questão das mulheres, seja o principal time, quando a gente fala de tamanho e de espaço mesmo, a permitir que uma empresa como a Fatal Fans esteja estampada, porque não é só o jogador, é a criança que está vendo o jogo, é a criança que está aqui no estádio, é a criança que com orgulho vai para a escola com a camisa do Corinthians. Então, é claro que eu não posso falar em nome de todas as torcedoras ou de todas as mulheres, mas eu posso falar dessa história, e essa história não combina com essa decisão.”

Tabata comenta repercussão do movimento

A parlamentar também foi questionada sobre a recepção da mobilização entre os torcedores e sobre o impacto social do debate. Em sua resposta, afirmou que as manifestações contrárias ao patrocínio não representam, em sua visão, um movimento contra o Corinthians. Ela citou ainda a atuação do Ministério Público e voltou a defender a criação de regras gerais para o setor.

“Tem uma coisa que eu acho que está ficando clara, é que esse é um movimento de pessoas que tem muito carinho e respeito pelo Corinthians, e eu acho que isso faz toda a diferença. Ninguém chegou aqui para atacar o time, muito menos a história desse time, ou muito menos as pessoas que fazem esse futebol maravilhoso acontecer. São pessoas que, justamente por respeitarem e por terem tanto carinho pelo Corinthians e pela história dele, estão dizendo, gente, não faz sentido isso. Decisão errada, a gente recua, a gente muda de rota.

Então, acho que para a população está muito evidente que é justamente pelo carinho com o Corinthians, não é um ataque ao time. Então, eu estou vendo muita gente abraçar. A própria adesão do Ministério Público traz um peso e mostra que essa não é uma adesão pequena, e o que eu estou buscando, junto com a deputada Marina e também com a Lari Agostini, com os projetos, é que a gente não fique mais nesse limbo.

Quando a gente fala das Bets, que também é uma coisa que causa muito dano para a sociedade, eu ouço de todo mundo, ‘mas Tabata todo mundo faz’. Você pega a Série A, quem é que não é financiado por Bet? Beleza, a culpa não é de um time específico. Vamos, então, regulamentar, vamos limitar a propaganda. Então, o que a gente espera também é aprovar essas leis aqui em São Paulo e lá em Brasília para dizer, ó, agora não é adesão de um time individual, não. Tem regra, tem lei, está limitado. Então, eu realmente espero, até com quanto as pessoas estão abraçando essa causa, que a gente consiga aprovar as leis, tanto lá em Brasília, quanto aqui em São Paulo.”

Enquanto o debate em torno do acordo segue, o Corinthians passou a dar visibilidade ao Movimento Respeita as Minas dentro da Neo Química Arena. A divulgação realizada no domingo apresentou aos torcedores o portal desenvolvido como uma das contrapartidas institucionais da parceria, com foco em informação, conscientização e orientação sobre violência contra a mulher.

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