Central do Timão
·24 de setembro de 2026
Corinthians deixa parcelas de acordo tributário em aberto e corre risco de perder benefício

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·24 de setembro de 2026

O Corinthians entrou na mira da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) após deixar de quitar três prestações previstas em um acordo de transação tributária firmado com a União. A negociação havia reduzido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões o valor da dívida. Caso o clube não coloque os pagamentos em dia, existe a possibilidade de o acordo ser cancelado. A soma das parcelas vencidas chega a R$ 20,494 milhões.
A inadimplência ocorreu durante a atual gestão, comandada por Osmar Stabile. O clube cumpriu os pagamentos previstos entre fevereiro e maio, mas interrompeu os repasses referentes aos meses de junho, julho e agosto. O acordo firmado no começo de 2026 teve como objetivo reorganizar débitos acumulados pelo Corinthians com a União durante cerca de 20 anos.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
A própria documentação da negociação estabelece que a “falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas” pode levar à rescisão da transação. Diante do atraso, a PGFN comunicou oficialmente o Corinthians em 14 de agosto e determinou que a situação fosse regularizada, sob risco de rompimento do acordo.
Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da PGFN ao ge, a notificação foi enviada ao clube justamente “para regularização, sob pena de rescisão da transação”. O órgão é responsável por defender os interesses da União em processos relacionados a questões fiscais e também atua na cobrança administrativa e judicial de débitos, incluindo impostos e contribuições previdenciárias. A instituição ainda presta assessoria ao Ministério da Fazenda.
A direção corintiana afirma, internamente, que busca alternativas para resolver os valores pendentes. O problema, porém, ocorre às vésperas de uma nova obrigação: a próxima prestação do acordo tem vencimento previsto para o dia 30 deste mês.
A parte da dívida referente aos débitos não previdenciários foi dividida em 120 prestações. Cada parcela, atualmente, corresponde a R$ 4.829.616,18. Como três pagamentos não foram realizados, o montante em aberto nessa categoria alcança R$ 14.488.848,54.
Já os débitos previdenciários foram distribuídos em 60 parcelas. Nesse caso, cada prestação é de R$ 2.001.982,48, fazendo com que os três pagamentos não realizados representem uma pendência de R$ 6.005.947,44.
Os valores definidos no acordo não permanecem necessariamente fixos, pois as parcelas sofrem atualização de acordo com a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira.
Uma eventual rescisão também traria outra consequência para o Corinthians. O clube poderia ficar impedido, durante dois anos, de aderir a uma nova transação tributária, inclusive para negociar débitos que não estejam relacionados ao acordo atualmente em vigor.
A negociação com a PGFN também esteve no centro de uma controvérsia envolvendo a aprovação das contas corintianas de 2025. Embora a transação tenha sido formalizada somente em 2026, os efeitos financeiros da renegociação foram considerados pela gestão na contabilidade do exercício anterior. Com isso, o acordo provocou uma redução de R$ 217,428 milhões no valor da dívida bruta apresentada pelo clube.
O cenário financeiro do Corinthians permanece delicado. O endividamento total está próximo de R$ 2,8 bilhões, enquanto o clube registrou um déficit de R$ 246 milhões apenas nos primeiros seis meses deste ano. Além dos compromissos tributários, há relatos de atrasos em despesas e obrigações rotineiras da instituição.
A situação também alcança o futebol profissional masculino. A diretoria corintiana tem pendências relacionadas a dois meses de direitos de imagem dos jogadores, além de valores referentes a férias e premiações pela participação na Conmebol Libertadores e no Campeonato Brasileiro. Em setembro, inclusive, o pagamento dos salários registrados em CLT sofreu um atraso de aproximadamente uma semana.







































