Central do Timão
·19 de agosto de 2026
Corinthians estuda antecipar 30% das receitas de 2027

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·19 de agosto de 2026

Em busca de alternativas para reorganizar o caixa nos próximos meses, o Corinthians avalia antecipar até 30% das receitas previstas para 2027. A possibilidade está prevista no estatuto do clube e passou a ser considerada pela diretoria diante das dificuldades financeiras enfrentadas atualmente e da ausência, até o momento, de propostas por jogadores nesta janela de transferências.
A medida permitiria que a atual administração utilizasse antecipadamente uma parcela dos recursos referentes ao primeiro ano da próxima gestão. O Corinthians realizará eleição presidencial em novembro de 2026 e, internamente, existe o entendimento de que o presidente Osmar Stabile pode recorrer ao mecanismo estatutário.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
A possibilidade está estabelecida no artigo 117 do estatuto do Corinthians e também está de acordo com a Lei Geral do Esporte. Para adotar a medida, a diretoria não precisaria submeter a decisão à análise do Conselho de Orientação (CORI), nem realizar uma votação no Conselho Deliberativo.
O texto do estatuto estabelece que a administração pode antecipar ou comprometer até 30% das receitas correspondentes ao primeiro ano do mandato seguinte. O valor que eventualmente poderia ser utilizado pelo Corinthians, no entanto, ainda não está definido.
Isso porque o cálculo deverá considerar a previsão orçamentária para 2027, que ainda não foi apresentada pelo departamento financeiro do clube. Para 2026, desconsiderando negociações de atletas, o orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo estabeleceu uma expectativa de R$ 806 milhões em receitas.
Cenário financeiro pressiona diretoria
A discussão sobre a antecipação ocorre em um período no qual o Corinthians acumula diferentes compromissos financeiros. Atualmente, o clube possui três transfer bans ativos, sendo dois aplicados pela Fifa e um pela CBF.
Além das restrições relacionadas ao registro de novos jogadores, o Corinthians possui um mês de direitos de imagem do elenco em atraso e também tem pendências referentes a férias e premiações.
Outro ponto de atenção está relacionado ao Regime Centralizado de Execuções (RCE). Mesmo após o pagamento das cinco primeiras parcelas, a atualização dos débitos incluídos no regime elevou o montante para R$ 237,4 milhões.
Dentro desse cenário, a diretoria também acompanha a atual janela de transferências como uma possível fonte de entrada de recursos. Apesar de ainda restarem três semanas para o fechamento do período de negociações, o Corinthians não recebeu propostas por seus principais jogadores até o momento.
A venda de atletas ocupa espaço importante no planejamento financeiro elaborado para a temporada. Nos últimos balancetes divulgados pelo clube, Osmar Stabile apontou uma projeção de 25 milhões de euros em negociações de jogadores ao longo de 2026, quantia equivalente a aproximadamente R$ 150,68 milhões na cotação atual.
O presidente também atribuiu parte do resultado deficitário registrado nos quatro primeiros meses do ano à ausência das receitas previstas com transferências e repasses de direitos de atletas.
Sem a concretização dessas negociações até agora, a diretoria procura outras maneiras de gerar fluxo de caixa e cumprir os compromissos financeiros nos próximos meses. O clube também possui valores a receber de parceiros comerciais.
A antecipação de receitas de 2027, portanto, aparece entre as possibilidades estudadas pela gestão, mas ainda depende da definição do orçamento do próximo exercício para que seja possível estabelecer qual quantia poderia ser comprometida.







































