Central do Timão
·10 de setembro de 2026
Corinthians fecha acordo com Carlos Leite, mas dívida com empresário chega perto de R$ 100 milhões

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O Corinthians e o empresário Carlos Leite chegaram a um entendimento para colocar fim a uma das três ações judiciais existentes entre as partes. Somadas, as pendências envolvendo o clube e o agente chegam a aproximadamente R$ 100 milhões.
O processo encerrado por meio do acordo está relacionado a valores que o Corinthians deixou de pagar pela intermediação da contratação de Felipe Bastos, em janeiro de 2017, além de quantias referentes aos direitos de imagem do ex-jogador, com vencimentos a partir de agosto de 2018.

Foto: Reprodução
No fim de agosto, os representantes jurídicos de Carlos Leite apresentaram uma proposta para solucionar o caso sem a necessidade de prolongar a disputa na Justiça. O Corinthians, que havia sido condenado a desembolsar R$ 10,2 milhões, decidiu não recorrer da sentença.
A decisão de não apresentar recurso levou em consideração o histórico de outros processos envolvendo a mesma discussão. A defesa do clube já havia sido rejeitada em ações semelhantes. Com a solução consensual, o Corinthians também evita novos gastos relacionados a custas judiciais e honorários advocatícios.
Pelo acordo, entretanto, Carlos Leite concordou que o valor reconhecido seja incluído no Regime Centralizado de Execuções (RCE) do Corinthians. Dessa maneira, o empresário não poderá cobrar a quantia por meio de uma execução individual e receberá conforme o cronograma estabelecido pelo mecanismo utilizado pelo clube para organizar seus pagamentos aos credores.
A homologação do acordo ocorreu na última sexta-feira, por decisão do juiz Miguel Ferrari Júnior, responsável pela 43ª Vara Cível de São Paulo.
Apesar da resolução de um dos processos, a maior parte dos valores devidos pelo Corinthians a Carlos Leite permanece pendente. Atualmente, o clube ainda possui cerca de R$ 81,1 milhões registrados no RCE em obrigações relacionadas a acordos firmados com o empresário desde 2014.
Esse montante está dividido em duas outras disputas judiciais, nas quais empresas ligadas ao agente conseguiram decisões favoráveis. Os valores foram incorporados ao regime centralizado de pagamentos do Corinthians.
Uma das ações envolve a RC Consultoria & Assessoria Esportiva LTDA. Quando o processo foi iniciado, em janeiro de 2024, a cobrança era de aproximadamente R$ 22,7 milhões. Com a incidência de juros, multas e correções, o débito chegou a cerca de R$ 26,5 milhões.
A cobrança reúne uma série de negócios realizados ao longo dos anos. Entre eles estão a intermediação da renovação de Cássio, em agosto de 2014, a contratação de Fagner, em janeiro de 2015, além das negociações que envolveram Ramon Motta e Elias. Também fazem parte da relação os direitos de imagem de Felipe Bastos e Matheus Matias.
A segunda ação está vinculada à B&C Consultoria & Assessoria Esportiva LTDA. O processo começou com uma cobrança de aproximadamente R$ 33,4 milhões, também em janeiro de 2024. Após a aplicação de juros, multas e correções, o valor atualizado alcançou R$ 54,6 milhões.
Nesse caso, a relação de débitos é ainda mais extensa. A empresa cobra valores referentes a diversas intermediações envolvendo jogadores que passaram pelo Corinthians, incluindo diferentes renovações de Cássio e Fagner, além das negociações envolvendo Camacho, Mateus Vital, Jonathas, Matheus Matias, Gil e Renato Augusto.
A origem das atuais disputas está relacionada a uma tentativa de acordo realizada no fim de 2023. Em novembro daquele ano, durante os últimos meses da gestão de Duilio Monteiro Alves, o Corinthians havia acertado uma forma de quitar as pendências existentes com Carlos Leite e alguns de seus sócios.
A solução previa a utilização de créditos que o clube teria a receber da Brax Produções e Publicidade LTDA. A empresa havia adquirido os direitos de exploração das placas publicitárias nos jogos do Corinthians como mandante pelo Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2029.
O acordo, porém, não avançou como planejado. A Brax não aceitou participar do contrato firmado entre o Corinthians e os empresários na condição de anuente da cessão dos créditos.
Segundo Carlos Leite, essa condição teria sido exigida pelo então presidente Augusto Melo como parte das negociações envolvendo a empresa. Sem a conclusão do mecanismo previsto no acordo, os pagamentos não foram realizados da maneira inicialmente estabelecida.
O empresário afirma ainda que tentou encontrar uma solução diretamente com o Corinthians, mas não recebeu uma resposta. Diante disso, optou por recorrer à Justiça para cobrar os valores. As ações foram protocoladas em fevereiro de 2024.
A relação entre Carlos Leite e o Corinthians não se limita à intermediação de atletas. O empresário também já realizou empréstimos ao clube ao longo dos anos.
Um dos primeiros episódios ocorreu em 2008, durante a primeira passagem de Mano Menezes pelo Corinthians. Na ocasião, Leite antecipou R$ 600 mil para auxiliar nas contratações do lateral-esquerdo Wellington Saci e do meio-campista Eduardo Ramos. Posteriormente, os dois jogadores passaram a ser representados pelo empresário.
Anos depois, em 2017, durante a administração de Roberto de Andrade, Carlos Leite firmou com o Corinthians um contrato de mútuo no valor de R$ 4,1 milhões. O acordo previa juros de 1,94% ao mês.
Com a incidência dos encargos, a quantia cresceu significativamente ao longo do período e chegou a R$ 8,31 milhões no fim de 2021. Essa obrigação, entretanto, já foi totalmente quitada pelo clube.
A relação financeira entre Corinthians e Carlos Leite atravessou diferentes administrações. Desde o surgimento da primeira dívida, o clube passou por seis presidentes: Mario Gobbi, Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves, Augusto Melo e, atualmente, Osmar Stabile.
Mesmo com o encerramento de uma das ações, portanto, o Corinthians ainda terá de lidar com outras duas disputas envolvendo empresas ligadas ao empresário. Os débitos restantes seguem submetidos ao Regime Centralizado de Execuções, mecanismo que concentra as cobranças e estabelece uma ordem para o pagamento dos credores.


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