Central do Timão
·27 de agosto de 2026
Corinthians incorpora inovação tecnológica e conhecimento científico à formação de atletas da base

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·27 de agosto de 2026

O Corinthians vem adotando uma abordagem cada vez mais baseada em ciência e tecnologia para desenvolver seus jogadores das categorias de base. O objetivo é fazer com que a formação dos atletas seja acompanhada de maneira mais precisa desde os primeiros anos até a possível chegada ao elenco profissional.
Para isso, o clube utiliza informações coletadas durante a rotina dos jovens, avaliações individuais e dados produzidos nos treinamentos. A partir desse material, os profissionais do Núcleo de Inovação Tecnológica em Ciências do Esporte estruturaram uma série de protocolos que ajudam a acompanhar a evolução física, técnica e psicológica dos jogadores ao longo da formação.

Foto: ©Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians
A iniciativa reúne especialistas de diferentes setores, incluindo preparação física, fisiologia, nutrição e odontologia. A proposta é estabelecer referências comuns para o trabalho e evitar que cada categoria siga um modelo completamente diferente.
Com uma metodologia integrada, o Corinthians consegue acompanhar de forma mais detalhada o histórico de cada atleta e utilizar essas informações para orientar as etapas seguintes de sua formação.
O projeto é conduzido por Arthur Plácido, coordenador de treinamento de força, Michael de Paula, fisiologista da base, e Walmir Cruz, coordenador de performance do clube. Para Walmir, a aplicação da ciência ao futebol também ajuda a colocar o Corinthians em uma posição de destaque no mercado.
“Inovação significa pesquisa, tecnologia significa futuro. O Corinthians está atento em tudo que acontece no Brasil e no mundo. Estamos capacitados para colocar as coisas boas aqui dentro do nosso mercado. Ter o foco na ciência do esporte é muito importante porque as pessoas vão te ter como exemplo. Vão ver o Corinthians fazendo determinados processos e avaliações e perguntar o motivo disso”, disse em entrevista ao ge.globo.
A estrutura das categorias de base está concentrada em dois pontos: o Parque São Jorge e o CT destinado aos jovens jogadores. Entre o sub-13 e o sub-20, os atletas desenvolvem suas atividades no complexo localizado próximo ao CT Joaquim Grava, utilizado pelo futebol masculino profissional.
O acompanhamento começa ainda durante os treinamentos. Os jogadores passam por diferentes tipos de avaliação e coleta de dados, incluindo o monitoramento por GPS nas atividades em campo, testes de força realizados na academia e exames voltados a diferentes aspectos da preparação.
Com esse conjunto de informações em mãos, os profissionais conseguem identificar características que precisam ser desenvolvidas individualmente. Dessa maneira, um jogador pode receber um trabalho específico para ganhar força, melhorar a velocidade, aumentar a agilidade ou evoluir em algum outro aspecto necessário para sua trajetória.
A participação dos próprios atletas também faz parte da metodologia. Eles têm acesso às informações e são orientados sobre os procedimentos aos quais serão submetidos, buscando entender a finalidade de cada ferramenta utilizada pelo clube.
“O atleta chega muito novo, quase como uma folha em branco, e nós vamos preenchendo essa folha ao longo do tempo. Nós os levamos para a sala de reunião e explicamos tudo o que vão realizar no clube para que entendam as ferramentas. Hoje, como temos grupos grandes, eles mesmos manuseiam os tablets, entram em seus perfis na academia, respondem aos questionários psicofisiológicos diários e acompanham as métricas. É um trabalho de conscientização para que criem pensamento crítico e entendam o porquê de cada processo”, pontuou o fisiologista Michael de Paula.
Uma das consequências desse acompanhamento mais detalhado pode ser observada no controle de lesões. Depois de registrar somente cinco problemas musculares na temporada anterior, a base do Corinthians conseguiu reduzir ainda mais esse número no período seguinte.
“Do sub-14 ao sub-20, nós tivemos apenas uma lesão de posterior de coxa e um estiramento de adutor. A partir do momento em que você vê um resultado positivo desses, com os garotos rendendo no campo e o número de lesões caindo drasticamente, os treinadores realmente passam a acreditar no processo de olhos fechados. Nós não montamos os treinos táticos, mas as comissões técnicas hoje confiam muito nas informações que passamos para dosar a intensidade dos trabalhos”, destacou Walmir Cruz.
A grande quantidade de informações acumuladas ao longo desse processo também abriu uma nova frente de trabalho para o Corinthians. O banco de dados construído a partir das avaliações físicas, cardiorrespiratórias, de velocidade e de força passou a ser utilizado na produção de estudos científicos.
Atualmente, o Núcleo de Inovação Tecnológica em Ciências do Esporte possui seis trabalhos submetidos a periódicos internacionais de alto impacto. Outros dez estudos ainda estão sendo desenvolvidos pela equipe.
Um dos primeiros trabalhos produzidos pelos profissionais analisou diferenças de força entre atletas de diferentes categorias e posições.
“O primeiro artigo que escrevemos comparou a força isométrica entre diferentes categorias e posições de jogo. Vimos que existe uma diferença de força muito marcante a cada dois anos (do sub-15 para o sub-16, e deste para o sub-20). Isso é um achado muito interessante. No futebol de alto rendimento é muito difícil coletar dados, a maioria dos estudos científicos é feita com atletas amadores ou de nível moderado. Com as nossas publicações, outros clubes do mundo poderão olhar nossos trabalhos e entender se esses modelos geram as mesmas respostas com atletas de elite”, afirmou Arthur Plácido.
Caso os estudos sejam aprovados e publicados, o impacto poderá ir além da formação dos jogadores. A intenção é fazer com que o Corinthians também seja reconhecido pela produção de conhecimento relacionado ao futebol de alto rendimento.
A estratégia pode fortalecer a imagem do clube no cenário esportivo e acadêmico, além de permitir que os métodos utilizados na base sejam analisados e eventualmente sirvam de referência para outras instituições.
“A ciência do esporte muda muito rápido e nós estamos atentos a tudo o que acontece no mundo para trazer o que há de melhor para cá. Quando começarmos a publicar esses artigos em série, será muito bom para a imagem do Corinthians. Mostraremos que trabalhamos com a realidade científica do futebol de base, e serviremos de referência para que outros clubes também possam aplicar esses métodos”, finalizou.


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