Central do Timão
·04 de setembro de 2026
Corinthians nega que entregará documentos sigilosos a perito que questiona dívida da Neo Química Arena

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O Corinthians negou que irá fornecer, neste momento, documentos sigilosos relacionados ao financiamento da Neo Química Arena ao perito Anísio Costa Castelo Branco. A informação foi confirmada inicialmente à Gazeta Esportiva por Pedro Soares, diretor de Negócios Jurídicos do clube, após o especialista afirmar que receberia materiais do Timão para refazer os cálculos referentes à dívida do estádio.
A situação ganhou novos contornos na última quarta-feira, quando Anísio esteve no Parque São Jorge e se reuniu com integrantes da diretoria corinthiana. O encontro aconteceu após a repercussão de uma representação apresentada pelo perito ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na qual ele apontou uma possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal.

Foto: João Paulo – JP Drone/Neo Química Arena
Depois da reunião, Anísio afirmou à imprensa que o Corinthians disponibilizaria documentos necessários para uma nova análise. Segundo ele, seriam solicitados extratos e comprovantes, com a expectativa de que um cálculo atualizado fosse concluído dentro de uma ou duas semanas.
“O presidente disse que vai pôr em funcionamento a partir de segunda-feira. Vou fazer um ofício para franquear todos os documentos de que eu preciso, extratos, comprovantes, tudo mais. Esses documentos estando comigo, creio que em mais uma ou duas semanas esse novo número vai estar pronto para que o Corinthians possa chamar a Caixa e negociar”, disse Anísio à imprensa que estava no local.
O perito também explicou que pretende revisar os dados utilizados na primeira análise, justamente porque não teria tido acesso a todos os números que considera necessários.
“Tudo o que eu tenho lá são os números que estão nos autos. E eu não tenho muita confiança de que os números que estão lá estão certos. Tem uns números lá que não batem com os próprios números da Caixa. Até os números que eu utilizei para fazer o cálculo, vou reauditar com os números que o Corinthians vai me dar”, acrescentou.
Corinthians nega entrega de documentos
Apesar das declarações de Anísio, Pedro Soares negou à imprensa que o clube tenha disponibilizado os documentos mencionados pelo perito. O dirigente afirmou que o Corinthians está disposto a ouvir as informações apresentadas por ele, mas ressaltou que nenhum documento foi entregue.
“Gostaria de informar que não entregamos nenhum documento a não ser via da ata de comparecimento do perito ao parque São Jorge, o qual disponibilizou cópia do seu requerimento ao MPSP, acompanhado do laudo pericial que possui cálculos até agosto de 2019.
Salientamos que todas informações que possam agregar à discussão da questão são bem-vindas.
Outrossim, lembramos que já possuímos um grupo que cuida desse assunto e que estamos em negociações avançadas junto à CEF para o encaminhamento do tema”, diz a nota assinada pelo diretor de Negócios Jurídicos do clube.
Segundo informações obtidas pela reportagem, existem cláusulas de confidencialidade nos documentos assinados entre Corinthians e Caixa referentes ao financiamento da Neo Química Arena. Por esse motivo, o clube não poderia disponibilizar esse material livremente.
Ainda de acordo com as informações da Gazeta Esportiva, o Corinthians não seria obrigado a apresentar os documentos nem mesmo diante de uma solicitação do Ministério Público. O compartilhamento só ocorreria caso houvesse uma determinação judicial.
Clube tem ressalvas sobre cálculos do perito
Internamente, dirigentes do Corinthians também demonstram desconfiança em relação aos cálculos apresentados por Anísio Castelo Branco.
Um dos motivos apontados é o fato de o próprio perito reconhecer que não teve acesso a todos os extratos relacionados à operação. Além disso, as contas envolvendo o financiamento da Neo Química Arena já passaram por análises de empresas especializadas em auditoria e consultoria, entre elas Ernst & Young, Alvarez & Marsal e KPMG.
Mesmo diante das divergências, o Corinthians mantém como uma das prioridades da atual gestão a busca por uma solução para a dívida do estádio. O presidente Osmar Stabile tem tratado o tema como uma das principais questões a serem resolvidas pelo clube.
A dívida da Neo Química Arena é atualmente estimada em R$ 640 milhões, e a diretoria trabalha para chegar a um acordo com a Caixa que possibilite reduzir esse montante.
Entenda a investigação sobre a dívida da Arena
O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento para investigar uma possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal ao Corinthians no financiamento da Neo Química Arena.
A apuração teve início após a representação apresentada por Anísio Castelo Branco. No documento, o perito apontou divergências de aproximadamente R$ 255,75 milhões nos cálculos relacionados à dívida do estádio.
Até o momento, portanto, há duas posições distintas sobre os próximos passos: Anísio afirma que pretende receber documentos do Corinthians para atualizar sua perícia, enquanto o clube nega ter fornecido esse material e informa que já conduz tratativas próprias com a Caixa para buscar uma solução para a dívida.







































