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·26 de setembro de 2026

Corinthians projeta perda de ao menos R$ 480 milhões após proibição das bets no Brasil

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

A proibição das casas de apostas no Brasil deve provocar um impacto significativo nas receitas futuras do Corinthians. Segundo informações do Meu Timão, o clube calcula que deixará de arrecadar pelo menos R$ 480 milhões com a Esportes da Sorte entre 2027 e 2029, período restante do contrato com a patrocinadora máster. A projeção pode aumentar devido aos bônus e outras receitas variáveis previstas no acordo.

A mudança ocorre após a publicação, nesta sexta-feira (25), da Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe em território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. A norma também atinge contratos de publicidade e patrocínio: novas contratações estão proibidas e materiais já contratados têm prazo para retirada. 


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Foto: Divulgação/Corinthians

Para o Corinthians, a consequência mais direta envolve justamente o espaço de maior exposição do uniforme. A Esportes da Sorte ocupa o patrocínio máster alvinegro e teve seu vínculo renovado em fevereiro deste ano até dezembro de 2029.

Contrato renovado poderia superar R$ 200 milhões anuais

O novo acordo entre Corinthians e Esportes da Sorte estabelece investimento de R$ 150 milhões por temporada, além de mecanismos de performance capazes de elevar o montante para cerca de R$ 200 milhões anuais. A parceria anterior, firmada em 2024, previa R$ 309 milhões por três anos, média de R$ 103 milhões por temporada. 

É justamente a duração do novo vínculo que coloca a projeção alvinegra na casa de quase meio bilhão de reais. Segundo o Meu Timão, o cálculo de pelo menos R$ 480 milhões considera as receitas previstas para 2027, 2028 e 2029.

O prejuízo potencial, entretanto, não necessariamente ficará limitado a esse valor. O contrato contempla bonificações ligadas ao cumprimento de determinadas metas, incluindo resultados esportivos. Por isso, títulos e outros objetivos alcançados pelo Corinthians poderiam aumentar os pagamentos da patrocinadora durante o período. 

A medida provisória também estabelece um calendário para a interrupção das atividades das empresas. Os sites e aplicativos de apostas devem deixar de operar no país a partir de 6 de outubro. No campo publicitário, contratos novos já estão proibidos, enquanto materiais previamente contratados poderão permanecer veiculados até 5 de outubro. 

Outros contratos também geram preocupação

A perda do patrocínio máster não é a única consequência financeira acompanhada pelo Corinthians. Internamente, existe preocupação sobre possíveis efeitos indiretos em outras fontes de receita ligadas ao futebol.

Uma delas envolve o contrato firmado com a Brax para exploração das placas de publicidade na Neo Química Arena durante partidas do Campeonato Brasileiro. O acordo foi ampliado em 2024 e prevê R$ 330 milhões ao Corinthians até 2029. 

Neste caso, porém, o clube não considera os valores como uma perda confirmada. De acordo com a apuração do Meu Timão, o temor está relacionado à possibilidade de redução do faturamento da empresa responsável pela comercialização das propriedades publicitárias, já que casas de apostas fazem parte desse mercado.

O modelo de negócios da Brax envolve justamente a comercialização dos espaços adquiridos dos clubes para marcas interessadas em publicidade durante as partidas. As casas de apostas já apareciam entre as empresas procuradas para ocupar essas propriedades. 

Dessa forma, qualquer possível reflexo no contrato do Corinthians ainda é uma hipótese e não deve ser somado, neste momento, aos R$ 480 milhões projetados com o fim da parceria máster.

Direitos de transmissão entram no radar

Outro ponto observado pelo clube envolve as receitas provenientes dos direitos de transmissão. Segundo o Meu Timão, o contrato firmado pelo Corinthians com o bloco Futebol Forte União (FFU) supera R$ 1 bilhão até 2029, com arrecadação anual na casa dos R$ 210 milhões e possibilidade de crescimento de acordo com o desempenho esportivo.

A preocupação, novamente, não significa que o Corinthians perderá esses valores. O questionamento está nos possíveis efeitos da retirada das casas de apostas do mercado publicitário do futebol brasileiro, já que empresas do setor também compram espaços comerciais relacionados às transmissões das competições.

Portanto, diferentemente do contrato diretamente mantido com a Esportes da Sorte, eventuais impactos sobre receitas de televisão e publicidade de campo ainda não possuem valores definidos.

Corinthians já antecipou receitas da patrocinadora

A mudança acontece em um momento de pressão sobre o caixa alvinegro. Segundo apuração do Meu Timão, o Corinthians antecipou receitas da Esportes da Sorte referentes aos meses de outubro, novembro e parte de dezembro de 2026. O montante originalmente previsto para o restante do ano gira em torno de R$ 20 milhões.

O clube também vem recorrendo à antecipação de outras receitas. Ainda segundo a publicação, o Corinthians receberá R$ 10 milhões em outubro referentes a uma parcela antecipada dos direitos de transmissão negociados por meio do FFU.

O cenário ganha peso diante das obrigações financeiras atualmente acumuladas pelo clube. O Corinthians apresenta dois meses de direitos de imagem em atraso com jogadores e integrantes da comissão técnica do futebol profissional, além de premiações pendentes. 

De acordo com o balancete do primeiro semestre citado pelo Meu Timão, a instituição encerrou o período com déficit de R$ 246 milhões e dívida total de aproximadamente R$ 2,8 bilhões.

Assim, a necessidade de substituir uma receita anual que poderia alcançar R$ 200 milhões surge em meio a um cenário no qual o Corinthians já busca alternativas para reforçar o fluxo de caixa. Enquanto o impacto direto projetado pelo clube com o contrato da Esportes da Sorte parte de R$ 480 milhões, possíveis consequências em outros acordos comerciais ainda dependerão da reorganização do mercado publicitário do futebol após a proibição das casas de apostas.

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