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·20 de fevereiro de 2026
Corinthians, São Paulo, Alisson, Marcelo Paz, Dorival Jr, os bastidores do fracasso da negociação

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Em entrevista ao UOL, Rui Costa explanou a respeito do fracasso da negociação do Alisson com o Corinthians e deu todas as nuances e responsabilidades:
“Não, Fabíola, vou falar a verdade, um tema que é muito difícil de tratar, porque eu sei que todas as palavras que eu disser aqui elas vão me gerar alguma responsabilidade com o torcedor, com o Alisson e com as minhas convicções do que eu acredito que é o papel do gestor de futebol.
Nós não somos só contratadores e dispensadores, nós somos pessoas que cuidamos dos entes humanos, nós temos que fazer uma gestão humana. O Alisson nunca entrou na minha sala, nem na sala do presidente, para dizer eu quero sair do São Paulo e ir para o Corinthians. A primeira questão que tem que ser dita é essa.
O Alisson, a partir de uma relação que construiu com o treinador do Corinthians, com o Dorival, porque foi campeão no São Paulo com o Dorival, porque tem, se não me falha a memória, quase 150 jogos com a camisa do São Paulo, porque jogou no São Paulo infiltrado, com o tornozelo quebrado, com a costela, tudo isso tem que ser dito. O Alisson, diante de um cenário de ter só mais um ano de contrato, de ter já 32 anos, surge a possibilidade, na medida em que ele não tinha tanto espaço, porque hoje o meio de campo de São Paulo é essa a realidade que está posta, de jogadores muito qualificados, de um perfil diferente do dele, ele surge essa possibilidade de ir para o Corinthians. E o Corinthians manifesta formalmente a intenção de contratá-lo.
E a partir daí, Corinthians e São Paulo se sentam à mesa, o São Paulo sabedor do significado que tem isso, eu não sou um idiota, nós construímos um processo negocial que blindasse o atleta e que ele pudesse exercer sua atividade profissional em um clube, algo que historicamente aconteceu aqui em São Paulo. Não é a primeira vez que isso acontece. E por motivos que não me cabe aqui comentar, porque eu tenho muito respeito pelo Marcelo Paz, que hoje é nosso colega, é meu colega, é um homem, um cara de altíssimo nível, e eu jamais vou comentar decisões de outros colegas, o Corinthians desiste da negociação.
Quando o Corinthians desiste da negociação, ele cria um novo cenário que cabe a nós tratarmos. O Alisson vai ter que reconquistar a torcida de São Paulo? Nenhuma dúvida disso. Mas o Alisson está integrado, treinando, se esforçando, já melhorou os seus números físicos, teve uma conversa com o Crespo, o Crespo procurou para dizer, olha, eu conto contigo, eu tenho que criar um processo de reinserção tua, desportiva, mas também humana, e é óbvio que esse é um assunto difícil, nós tentamos, houve sondagem em outros clubes, chegamos no momento que imaginávamos que era melhor ele jogar em outro lugar, mas essas negociações não são tão simples assim, porque o São Paulo só vai negociar o Alisson dentro dos seus parâmetros.
Eu não vou dar o Alisson de graça para um clube, porque de alguma maneira se entende que ele não pode jogar mais em São Paulo. Então hoje, respondendo objetivamente a tua pergunta, mas eu não podia deixar de fazer todo esse contexto. E há que se lembrar, e eu só vou tratar disso aqui, porque o próprio Alisson tratou disso publicamente, o Alisson enfrentou talvez o maior inferno que alguém possa enfrentar na sua vida, e ele o superou com dignidade, com coragem, com o apoio do São Paulo, com o apoio do torcedor, aliás, este atleta chegou na minha sala, aí sim ele foi na minha sala e disse, eu não quero receber salário nenhum, enquanto eu não estiver aqui trabalhando.
É o mesmo Alisson, né? Então o Alisson não foi para o Corinthians, porque o Corinthians decidiu que não mais o contrataria, e a partir daí ele é jogador de São Paulo, e o São Paulo tem o dever de entender como esse processo tem que ser reconstruído, nós temos um elenco curto, ou seja, ele é um jogador importante, e é assim que ele será tratado. Então o São Paulo liberou ele para negociar? Não, o São Paulo neste momento não está liberando ele para negociação. O processo de integração do Alisson passa muito pelo Crespo, e no início do ano ele também havia dito, você pode até me corrigir agora, que ele poderia sair para o Corinthians, certo? Qual é o papel do Crespo nesse processo de reintegração, se ele não é relacionado, se ele não vem jogando, passa mais pela questão interna de bastidor ou puramente técnica? Passa pela sensibilidade que o Crespo tem, e ele conversa todos os dias comigo, com o Rafinha, conversa com o presidente, de cada vez tentar entender mais o perfil do jogador brasileiro.
Muita gente esquece que o Crespo teve uma passagem rápida no São Paulo na primeira vez, ele não ficou três anos no São Paulo, ele ficou um período, saiu, voltou, e ele sabe que o jogador brasileiro tem suas particularidades. Então o mesmo treinador que teve a coragem de dizer, olha, hoje eu tenho outros atletas na frente, eu conto com ele. O mesmo treinador que disse, olha, se você tem uma proposta, que é importante, que você vai jogar muito mais, que você vai ter muito mais minutos, eu não vou te impedir de prosseguir, como a maioria dos treinadores não compromete a carreira dos atletas, ou pelo menos aquilo que eles querem ter de mais minutos de jogos.
E é o mesmo Crespo que agora, diante de tudo que aconteceu, que não foi gerado nem por ele, não foi gerado pelo Crespo isso, tem a generosidade, vamos dizer assim, o profissionalismo, de dizer, eu conto contigo aqui, nós vamos criar um caminho para que você possa reconquistar o seu espaço aqui dentro e com o torcedor. Porque o Crespo, o Rafinha, eu, presidente, sabemos o quanto isso impacta no torcedor, o fato dele ter ido num rival. Aliás, esse é outro assunto importante, né? Eu não autorizo, Fabíola, alguém a ir na tua casa.
Só quem pode autorizar alguém a ir na sua casa é você. Eu não. Então essa história que o Corinthians assustou com o Alisson chegando lá não é verdade? Bom, na medida em que a negociação estava definida, acolhida e aceita pelo Corinthians, o atleta está à disposição para fazer todos os processos inerentes a uma contratação, dentre os quais, exame médico.
Conversar com o treinador. Se o exame médico é em Paris, Bangkok, Itaim, eu não sei. Então isso é outra coisa importante que deve ser dita aqui, e, de novo, eu não quero de forma alguma fazer qualquer juízo de valor sobre o ato e a decisão do Corinthians e do seu executivo, que, repito, é uma pessoa extremamente séria, tratou esse assunto com absoluta correção.
Mas o fato dado de realidade é que eu não posso autorizar alguém a ir na sua casa. Verdade. Ele chegou a se despedir de você, né? Sim, por quê? Despediu? Não, ele foi comunicar que estava indo terminar o processo de definição de assinatura de contrato, que é antecedido do quê? De exame médico, de análise fisioterápica. Isso é inerente à contratação. Quando você me dá ok numa contratação do Valentim, ele tem que conversar contigo.”









































