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·18 de setembro de 2026

Corinthians se posiciona sobre possível restrição às bets e alerta para impacto no futebol brasileiro

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O Corinthians se manifestou oficialmente, na noite desta quinta-feira (17), diante das discussões envolvendo possíveis mudanças nas regras para o mercado de apostas no Brasil. Em comunicado publicado em seu site, o clube defendeu a manutenção do setor regulamentado e demonstrou preocupação com os efeitos que eventuais restrições poderiam provocar nas receitas do futebol nacional.

O posicionamento acontece em meio à discussão, no Governo Federal, de uma Medida Provisória relacionada ao setor. Segundo informações publicadas pela Reuters, o texto em preparação tem como foco a proibição dos cassinos on-line e, conforme duas fontes ouvidas pela agência, não incluiria o veto às apostas esportivas nem aos patrocínios de clubes e competições. Ainda assim, haveria reflexos no futebol, já que diversas empresas atuam simultaneamente nos dois segmentos. O conteúdo definitivo da MP ainda não havia sido publicado até o momento das informações disponíveis.


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Foto: Divulgação / Corinthians

A movimentação provocou uma reação conjunta de clubes e entidades do futebol brasileiro. Federações e equipes divulgaram manifestações defendendo o modelo regulamentado e argumentando que mudanças bruscas podem atingir contratos de patrocínio, planejamentos financeiros e investimentos realizados no esporte.

Corinthians defende fiscalização em vez de ruptura do modelo

No comunicado, intitulado “O fim do futebol brasileiro”, o Corinthians reconhece os problemas sociais relacionados à expansão das apostas e afirma considerar necessária a adoção de mecanismos mais rígidos de proteção, fiscalização, educação e prevenção.

A divergência apresentada pelo clube está na forma de enfrentar esses problemas. O Alvinegro sustenta que o caminho deve passar pelo aperfeiçoamento do sistema regulamentado, e não por uma mudança que inviabilize o funcionamento das empresas legalizadas.

O posicionamento também ocorre enquanto o próprio Governo Federal amplia medidas de combate ao mercado clandestino. Na última segunda-feira (14), a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda publicou uma portaria para reforçar a identificação e repressão de transações financeiras ligadas à exploração irregular de apostas de quota fixa.

Na avaliação apresentada pelo Corinthians, a existência de empresas autorizadas permite maior controle do Estado sobre o setor, além da cobrança de impostos e da aplicação de obrigações relacionadas à proteção dos consumidores. O clube argumenta ainda que uma eventual redução significativa do mercado legal poderia favorecer a migração de usuários para plataformas clandestinas.

Clube cita impacto sobre diferentes áreas do futebol

Outro ponto central do manifesto é a dependência financeira criada pelo futebol brasileiro em relação aos investimentos provenientes das empresas de apostas.

O Corinthians argumenta que esses recursos não ficam restritos aos grandes clubes. Segundo a nota, equipes menores, divisões inferiores e competições com menor capacidade comercial também passaram a receber investimentos do segmento.

O clube ainda cita áreas que poderiam ser afetadas por uma redução abrupta das receitas, como centros de treinamento, projetos sociais, categorias de formação e departamentos que não possuem capacidade de se sustentar exclusivamente com receitas próprias, incluindo parte do futebol feminino.

A preocupação é compartilhada por outras equipes e federações que aderiram ao movimento. O manifesto ganhou participação de clubes de São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados durante a quinta-feira.

Corinthians possui acordo com empresa do setor

O tema tem impacto direto no planejamento comercial do Corinthians. Atualmente, uma empresa do ramo de apostas ocupa o espaço de patrocinador máster da camisa alvinegra, o que torna o setor uma fonte relevante de receita para o clube.

No manifesto, o Corinthians também chama atenção para os contratos já firmados dentro das regras vigentes. Na visão apresentada pelo clube, alterações repentinas poderiam criar insegurança para compromissos financeiros e planejamentos de longo prazo estabelecidos a partir do marco regulatório aprovado pelo Estado.

Por outro lado, a discussão no Governo Federal está relacionada também às consequências sociais provocadas pelos jogos e apostas on-line, entre elas a preocupação com endividamento e comportamento compulsivo. A regulamentação atual já prevê instrumentos de proteção, como a plataforma federal de autoexclusão, pela qual uma pessoa pode solicitar o bloqueio do próprio acesso às casas de apostas autorizadas.

O Corinthians encerra seu posicionamento afirmando estar disposto a participar das discussões com Governo Federal, Congresso Nacional e autoridades estaduais e municipais. A defesa feita pelo clube é de maior fiscalização e combate às plataformas ilegais, preservando o mercado autorizado.

Confira a nota oficial publicada pelo Corinthians na íntegra:

“O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO

O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.

Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.

O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.

Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.

Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.

Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.

Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte.Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.

Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.

Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.

A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.

O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado. O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.

O futebol está mobilizado, reconhece suas responsabilidades e quer participar da solução, de uma forma racional e consciente.

O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.

SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.

O FUTEBOL É QUEM ACABA.”

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