Jogada10
·08 de agosto de 2026
Corinthians tem pior campanha na Copa do Brasil em 5 anos e perde “álibi” recente

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·08 de agosto de 2026

A eliminação da Copa do Brasil nas oitavas de final privou o Corinthians de uma premiação financeira expressiva e também desenhou um cenário inédito para o clube em relação às últimas temporadas. Ao cair para o Internacional, na Neo Química Arena, a equipe fez sua pior campanha no torneio em cinco anos. Assim, perdeu aquela que foi a “tábua de salvação” dos anos anteriores, quando a pouca perspectiva no Brasileirão foi compensada pelo protagonismo na competição de mata-mata.
Entre 2022 e 2025, o Corinthians sempre chegou entre os quatro primeiros da Copa do Brasil. No período, o Timão foi eliminado em duas semifinais e disputou duas finais, terminando com um título e um vice-campeonato. Ou seja, até o fim de cada uma dessas temporadas houve mobilização por uma conquista nacional em meio ao desempenho irregular no Campeonato Brasileiro, distante da briga pelo troféu nos pontos corridos.
Há outro fator que muda o cenário agora e, embora possa parecer positivo, na prática é um desafio gigante. O Corinthians está nas oitavas de final da Copa Libertadores, fase em que terá pela frente o argentino Rosário Central. Porém, a conquista continental não é tão acessível para o clube atualmente quanto a Copa do Brasil. Para dar uma ideia da dificuldade, desde que foi campeão em 2012 o estágio mais avançado que o time atingiu no torneio da Conmebol foram as quartas de final de 2022. Ademais, as premiações generosas do mata-mata nacional vinham ajudando os combalidos cofres do Alvinegro.
“O Corinthians já tem uma história de anos que foi acumulando dívidas. O presidente (Osmar Stabile) é um cara muito sério, está tentando pagar dívidas e colocar o Corinthians em boa direção. Se não fosse assim, como vai fazer? As punições de transfer ban não são por conta dessa gestão, há uma herança acumulada”, declarou o técnico Fernando Diniz após a eliminação para o Inter, em referência aos problemas financeiros que impedem o clube de fazer novas contratações.

Em 2025, título da Copa do Brasil “salvou” a temporada corintiana – Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Em 2022, com o técnico português Vitor Pereira, o Corinthians teve uma temporada bastante satisfatória, mesmo sem títulos. A começar pelo fato de ter feito sua melhor campanha no Brasileirão desde o título de 2017. Embora não tenha brigado em nenhum momento pela taça, a equipe terminou no G4 (na quarta colocação).
Na Libertadores a trajetória foi marcante por ser a primeira vez desde a conquista de 2012 que chegou às quartas de final. A eliminação foi para o Flamengo, que também seria o algoz na Copa do Brasil. As equipes fizeram a final do torneio e o Rubro-Negro ficou com o título na disputa por penaltis, no Maracanã.
No ano seguinte, a realidade foi outra e a equipe lutou contra o rebaixamento no Brasileirão até a penúltima rodada. Na Copa do Brasil, o Corinthians foi semifinalista, mas pesou negativamente o fato de a eliminação ter sido para o rival São Paulo, que acabaria erguendo o troféu pela primeira e única vez em sua história. Ainda assim, foi a campanha de maior fôlego ano ano e irrigou um pouco as finanças com as seguidas premiações.
Na temporada de 2024, o Corinthians repetiu o roteiro do ano anterior em Copa do Brasil e Brasileirão, mas com nuances importantes. Sob o comando do argentino Ramón Diaz, novamente o Timão alcançou as semifinais do torneio mata-mata. E mais uma vez parou no Flamengo, ao empatar por 0 a 0 na Neo Química Arena – os cariocas haviam triunfado por 1 a 0 na ida, no Maracanã. Paralelamente, também houve a melhor trajetória na história da Copa Sul-Americana, parando apenas nas semifinais para o Racing, da Argentina.
Já a campanha do Brasileirão ficou marcada pela arrancada recordista na reta final que não só evitou a queda para a Série B como produziu uma inesperada classificação para as fases preliminares da Copa Libertadores.
Em julho, quando Díaz assumiu a função, a equipe estava na zona do rebaixamento na reta final do primeiro turno. Com o lema “no va bajar” (“não vamos cair”, em português), o mesmo que adotou no Vasco no ano anterior, o técnico conduziu o time a uma sequência com nove vitórias seguidas nas rodadas finais e a sétima posição na tabela. Ele contou com auxílio decisivo do astro holandês Memphis Depay, que chegou em setembro daquele ano, e com a pontaria de Yuri Alberto, artilheiro da temporada.
Apesar de ter conquistado o Paulistão no início do ano seguinte, encerrando jejum de taças de seis anos, Díaz foi demitido após uma derrota para o Fluminense, no Brasileirão. No lugar, chegou Dorival Júnior, técnico que tornaria a Copa do Brasil uma “tábua de salvação” efetiva.

Na temporada de 2024, Timão contou com a chegada de Memphis Depay em arrancada na reta final – Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
No ano passado, o Corinthians conquistou seu primeiro título de âmbito nacional em oito anos. A equipe superou na final o Vasco por 2 a 1, no Maracanã, e chegou ao topo do torneio pela quarta vez. Ademais, Dorival Júnior igualou Felipão como técnico mais vencedor da história da disputa, com quatro títulos.
A conquista recolocou o Corinthians na fase de grupos da Libertados e serviu para apagar a campanha apática no Brasileirão. Na competição por pontos corridos, o Timão terminou em 13º lugar. Embora não tenha vivido sob a ameaça do rebaixamento, a equipe em nenhum momento esboçou brigar por objetivos maiores na principal competição nacional.
Menos de dois meses depois da conquista da Copa do Brasil, o Corinthians “vingou-se” da sequência de reveses decisivos para o Flamengo nas últimas temporadas e levou também a Supercopa do Brasil. Apesar dessa dupla conquista, Dorival teve o trabalho interrompido após derrota para o Internacional, no Brasileirão. O mesmo adversário que acaba de frustrar a expectativa de uma nova campanha exitosa na Copa do Brasil.
Sem o torneio nacional, Diniz, sucessor de Dorival, terá que encontrar forças para ir longe na Libertadores ou seguir a campanha de recuperação no Brasileirão para aproximar-se do G4. Desafios mais árduos em meio ao caos político e financeiro, com o clube impedido de inscrever novos jogadores devido a bloqueios da Fifa. Neste domingo (9), a equipe precisa virar a chave diante do Red Bull Bragantino, fora de casa. Quatro dias depois, já terá o primeiro duelo contra o Rosário Central, na Argentina, pelas oitavas de final da Libertadores. A sequência irá testar a paciência da Fiel após o adeus do torneio que foi “tábua de salvação” nos anos recentes.
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