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·14 de maio de 2026
Crise arrastada chega ao seu ápice: São Paulo irá para o terceiro treinador em 2026

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·14 de maio de 2026

A crise arrastada do São Paulo parece mais severa do que nunca. Não é mistério para ninguém que o Tricolor Paulista vive um momento delicado em sua história, mas, com a eliminação para o Juventude na Copa do Brasil e com a demissão de Roger Machado, a situação pode ter chegado em seu ápice.
O clube do Morumbis atravessa um período delicado há alguns anos. A dívida do clube sobe exponencialmente com o passar das temporadas, e o resultado dentro das quatro linhas acompanha a escalada, com a Copa do Brasil de 2023 parecendo, cada vez mais, um "lapso de grandeza". E, aos poucos, a situação vai se mostrando mais preocupante para os torcedores são-paulinos.
Todo o caos ganhou proporção estratosférica no dia 27 de novembro de 2025. Não havia dúvidas que o São Paulo atravessava um momento complicado, mas a derrota sofrida para o Fluminense por 6 a 0, somadas às fortes declarações de Luiz Gustavo após a partida, mostraram que o problema era maior que o imaginado.
A grande verdade é que por trás de anos sem título, acúmulo de lesões, sucateamento das estruturas e vexames acumulados, existiam esquemas de corrupção e um rombo econômico, colocando o clube nas páginas policiais de todo o Brasil.
Mesmo com todas as questões arrastadas, o Tricolor começou bem a temporada de 2026, principalmente o Brasileirão. No campeonato nacional, a equipe comandada por Hernán Crespo, que segurou as pontas em 2025 e recebeu respaldo para continuar na temporada posterior, largou com gás e ostentou a ponta nas primeiras seis rodadas, somando cinco vitórias e um empate.
Paralelamente ao Brasileirão, os comandados do treinador argentino disputavam o Paulistão. No campeonato regional, o clube teve algumas dificuldades na primeira fase, avançando ao mata-mata apenas na última rodada, mas tirou o Bragantino e terminou sua história nas semifinais, após derrota mínima contra o Palmeiras.
E foi aí que nasceu o problema. Em momento de cautela por conta de todos os problemas extracampo, a postura do treinador Crespo correspondia: era colocar os pés no chão, afirmando constantemente que a briga do clube no Brasileirão era pela permanência, visto o momento de instabilidade vivido nos bastidores.
Isso irritou a diretoria, que, num devaneio na pausa para a Data Fifa após a queda para o Palmeiras no Paulistão, anunciou a demissão do treinador, reforçando a ideia de que, mesmo em tempos de crise, o São Paulo tinha de se portar como um gigante, brigando por títulos. A realidade, porém, se mostrou completamente oposta.
O São Paulo não entrava em campo há oito dias quando a bomba explodiu nas redes sociais do clube. Para o lugar do hermano, a diretoria optou por contratar Roger Machado, o que gerou desconfiança e protestos da torcida, muito mais pela demissão contraditória. Como tirar um treinador que, diante de uma das maiores bombas de sua história, coloca o clube na liderança do Brasileirão?
Desde que assumiu o cargo no Morumbi, Roger Machado somou sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, totalizando 46% de aproveitamento. Os números não parecem assombrosos, ainda que o clube está na quarta colocação do Brasileirão, mas a impressão que fica é que o Tricolor "perdeu tempo" com o recém-demitido.
A equipe treinada por Roger não foi um primor técnico e conviveu com problemas, tanto ofensivamente quanto defensivamente. A questão física, que foi um dilema em 2025 e parecia ter se resolvido em 2026 com Crespo no comando, voltou a se tornar um problema com a reformulação do setor de capacitação física: na era Roger Machado, o clube teve sete lesões musculares.
O fim melancólico do trabalho ocorreu na última quarta-feira (12). Em uma sequência de cinco partidas sem vencer, somando quatro derrotas e um empate, o São Paulo viajou até Caxias do Sul para enfrentar o Juventude pela volta da quinta fase da Copa do Brasil, com a impressão que a vantagem magra construída na ida poderia pesar.
E foi o que aconteceu. O Tricolor abdicou de jogar bola no Alfredo Jaconi, deixou o Juventude ir ao ataque e praticamente repetiu o que aconteceu na Copa do Brasil em 2025: com expulsão infantil, dessa vez no fim da primeira etapa, o São Paulo perdeu forças, teve de se retrair ainda mais e cedeu à pressão jaconera. Vitória alviverde por 3 a 1 e mais uma frustração para conta do torcedor.
A equipe do Morumbi relembrou os traumas de 2016, quando o mesmo Juventude eliminou o São Paulo na mesma Copa do Brasil, e pode chegar ao pior estágio de sua crise arrastada. O Tricolor vai para o terceiro treinador no ano de 2026, já sem a Copa do Brasil a disputar, apenas em maio.
Agora, o clube terá de juntar os cacos para não dar um fim ainda mais melancólico à temporada atual.







































