Deus me Dibre
·07 de setembro de 2026
Cruzeiro encontra as respostas depois de já ter perdido as perguntas

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·07 de setembro de 2026

O Cruzeiro voltou a vencer no Campeonato Brasileiro neste domingo, bateu o Athletico-PR por 3 a 1 no Mineirão, diante de 26 mil pessoas, e recuperou a sexta colocação na competição. Depois de tropeçar diante do Vasco e ser eliminado pelo Atlético na Copa do Brasil, o time apresentou uma atuação capaz de devolver um pouco de confiança à torcida e, principalmente, mostrar que algumas soluções estavam bem mais próximas do que parecia.
A primeira delas apareceu antes mesmo de a bola rolar. Na escalação, Artur Jorge tirou um atacante e reforçou o meio-campo com quatro jogadores: Romero, Matheus Henrique, Gerson e Matheus Pereira. O latifúndio que tantas vezes apareceu no setor começou a desaparecer. Com mais gente por ali, o Cruzeiro ocupou melhor os espaços, protegeu mais a defesa e encontrou caminhos para chegar ao ataque.
A mudança produziu efeitos rapidamente. O Cruzeiro perdeu duas oportunidades incríveis no início, criou boas jogadas e chegou ao gol em uma construção que resume bem o que um meio-campo mais povoado pode oferecer. Kaio Jorge participou da jogada, Gerson recebeu e encontrou Matheus Pereira com um passe milimétrico para um belo gol. Tabela, aproximação e jogadores chegando de trás. Coisas aparentemente simples, mas que nem sempre fizeram parte do repertório recente da equipe.
O Athletico-PR empatou em um daqueles gols que parecem ter sido desenhados para contrariar quem está jogando melhor. Um chute de fora da área ganhou uma curva enorme e enganou Otávio, que mais uma vez foi um dos destaques do Cruzeiro e não teve culpa no lance. O 1 a 1 no intervalo não traduzia exatamente o que havia acontecido nos primeiros 45 minutos, mas o futebol tem dessas pequenas injustiças que não costumam pedir licença.
No segundo tempo, o Cruzeiro não voltou com a mesma inspiração, mas encontrou novamente o caminho do gol. E que gol. Gerson tocou para Matheus Pereira, que encontrou Romero em profundidade. O volante dominou a situação com a tranquilidade de quem parece ter tempo sobrando, driblou o zagueiro e tocou na saída do goleiro para fazer um golaço.
Romero já virou uma espécie de personagem indispensável dessa história. Desarma, arma, toca, conduz, aparece na frente e agora também faz gol. É o tipo de jogador que não precisa de legenda para explicar sua importância. A torcida já o trata como ídolo, e, se continuar entregando partidas assim, vai ficando cada vez mais difícil argumentar contra essa ideia.
O terceiro gol nasceu de outra característica conhecida de Kaio Jorge. O atacante recebeu em profundidade, ganhou da defesa na corrida e foi derrubado pelo goleiro na entrada da área. E aí apareceu outro capítulo interessante da tarde. Depois de uma pequena discussão sobre quem cobraria, Kaio Jorge assumiu a responsabilidade e converteu o pênalti que matou a partida.
Talvez seja justamente aí que esteja a maior ironia da tarde.
Matheus Pereira havia perdido um pênalti no primeiro tempo e, depois da partida, Artur Jorge explicou que ele era o primeiro cobrador da equipe e, por isso, havia assumido a cobrança. Tudo dentro da hierarquia estabelecida. Só que Kaio Jorge vinha de uma cobrança muito bem executada contra o Atlético e, diante do Athletico-PR, acabou sendo o escolhido. Fez o gol e resolveu a partida.
E fica uma pergunta difícil de escapar: por que algumas dessas decisões só apareceram agora?
Por que o Cruzeiro precisou ser eliminado da Copa do Brasil para jogar com quatro homens no meio-campo? Por que não ocupar melhor aquele setor justamente diante do Atlético, quando o time precisava proteger uma vantagem e controlar uma partida decisiva? Por que essa alternativa não apareceu também diante do Flamengo, na Libertadores? Por que, em jogos que valiam a sobrevivência nas competições, a equipe não recebeu a mesma proteção e a mesma possibilidade de aproximação que apresentou neste domingo?
Até a substituição no intervalo reforça a dúvida. Gabriel Rojas, que já tinha cartão amarelo, saiu para a entrada de Villalba. Uma troca simples, quase protocolar diante do risco de uma expulsão. E novamente fica a pergunta incômoda: por que decisões como essa parecem tão evidentes depois que determinadas partidas já terminaram?
O Cruzeiro venceu o terceiro colocado do Campeonato Brasileiro, voltou à sexta posição e mostrou que ainda pode competir. O problema é que algumas das respostas encontradas contra o Athletico-PR parecem ter chegado depois das perguntas mais importantes da temporada.
Agora resta ao Cruzeiro um único caminho até o fim do ano. Depois de cair na Libertadores e na Copa do Brasil, sobrou o Campeonato Brasileiro. A briga pelo título é extremamente difícil, com Flamengo e Palmeiras abrindo vantagem superior a dez pontos, mas a competição ainda oferece objetivos possíveis, entre eles a luta pelo G4.
E, se o futebol permite algum tipo de licença poética, talvez ainda seja possível acreditar em um milagre. Não custa tentar. Afinal, depois de tantas decisões tomadas tarde demais, quem sabe o Cruzeiro não consiga, pelo menos desta vez, chegar ao objetivo antes que seja tarde.







































