Fala Galo
·04 de março de 2026
Dadá Maravilha: 80 anos do homem que parou no ar no Maracanã e mudou a história atleticana

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Foto: Montagem ( Reprodução / Imortais do futebol e Reprodução/ Atlético)
Por: Thiago Florêncio
No dia 4 de março de 1946, em Marechal Hermes, no Rio de Janeiro, nasceu Dário José dos Santos. O futebol brasileiro ainda nem sabia que, um dia, aquele menino seria chamado de Dadá Maravilha, nem que ele “voaria” no Maracanã para decidir um título nacional e que faria 211 gols com a camisa do Clube Atlético Mineiro.
Eu nasci muito tempo depois de Dadá marcar sua história no futebol. Não o vi jogar. Mas cresci ouvindo as histórias contadas pelo meu pai e pelo meu avô, dois atleticanos que tiveram a honra de assistir ao “voo do beija-flor alvinegro”, in loco, em 1971.
Eles falavam daquele centroavante que tratava a área como território próprio, que subia mais alto que qualquer zagueiro e que repetia, com a convicção de quem sabia o que fazia: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”.
A vida de Dadá começou bem longe do glamour. Teve uma infância difícil, viu, infelizmente, a sua mãe atear fogo contra o próprio corpo, e ser deixado no Serviço de Assistência aos Menores, pois seu pai não tinha condições de criá-lo. Cresceu revoltado, solitário, zombado pelas características físicas. Encontrava paz nas copas das árvores. Ali, segundo ele, viu o espírito de sua mãe, e decidiu que não seguiria o caminho errado que parecia desenhado.
O futebol não apareceu de imediato. Na Escola Quinze de Novembro, em Quintino, começou como zagueiro. Não tinha intimidade com a bola. Não parecia talhado para o ofício. Aos 18 anos, no Exército, quase foi expulso por indisciplina. Fez um acordo com o capitão do regimento: sairia da solitária se fosse artilheiro do campeonato interno. Cumpriu a promessa. Foi artilheiro e campeão. Ali nasceu o centroavante.
Antes de desembarcar nas Alterosas, passou pelo Campo Grande, sofreu com o racismo, a desconfiança e portas fechadas. Mas, como bom brasileiro, não desistiu. Jorge Tavares Ferreira, então diretor do Galo na época, enxergou o que muitos não viram e o levou para Belo Horizonte.
Em 18 de maio de 1968, estreou pelo Atlético. Vitória por 1 a 0 sobre o Uberaba. Começava ali uma história que não caberia apenas nas estatísticas. Passou um ano e meio na reserva. Esperou, trabalhou, e em 1969, o técnico Yustrich lhe deu a primeira grande oportunidade. Treinos intensos, repetição e cabeceios à exaustão faziam parte da rotina de Dário.
Vieram os gols, apelidos, como o “Peito de Aço”, e frases que atravessaram gerações: “Vocês vêm com a problemática e eu dou a solucionática.”, “Pra pegar Dadá na corrida, só se for de táxi.” Ele falava como quem tinha certeza. E tinha!
Em 1970, conquistou o Campeonato Mineiro. No mesmo ano, chegou à Seleção Brasileira. Fez parte do grupo que disputou a Copa do Mundo no México. A Seleção do tri, a lendária equipe de Pelé, Gérson, Rivellino, Jairzinho, Tostão e tantos outros. Poucos lembram disso com a dimensão que merece. Dadá vestiu a camisa amarela no momento mais alto do futebol mundial, mas foi em 1971 que ele se tornou eterno para os atleticanos.
Na final do Brasileirão daquele ano, o Atlético enfrentou o Botafogo, no Maracanã. Não era só uma decisão, era a chance de Minas ocupar o mapa do futebol nacional. No dia 19 de dezembro, cerca de 47 mil pessoas testemunharam Dadá “parando no ar”, marcando o gol que deu ao Glorioso seu segundo título brasileiro, um gol que atravessou décadas, marcou gerações e que jamais pode cair no esquecimento.
Depois ainda levantaria o Mineiro em 1978. Ao todo, 290 jogos e 211 gols. Segundo maior artilheiro da história do clube, só perde em média de gols para outra lenda alvinegra, Dr. Mário de Castro. Foram 0.73 gols por partida. Ou seja, a cada 4 jogos, em três, Dadá marcava.
O tempo passou, vieram outros ídolos e conquistas. O futebol ficou mais veloz e físico, mais midiático e imediato. Mas, algumas histórias não envelhecem, e sim, permanecem como referência.
Dadá, hoje, completa 80 anos. E jamais pode ser tratado como um simples personagem de arquivo, não é lembrança em preto e branco, mas é parte da identidade atleticana, é o “homem helicóptero” que decidiu no Maracanã, é o Peito de Aço que transformou a desconfiança e o preconceito em gols.
Craques vêm e vão, a história fica. E a do Atlético não se conta sem Dário José dos Santos. Porque, com Dadá em campo, nunca houve placar em branco.
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