Esporte News Mundo
·08 de março de 2026
De Cidade de Deus ao ouro olímpico: a história de superação de Rafaela Silva

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·08 de março de 2026

Direto do Grand Prix na Áustria, Rafaela Silva conquistou mais uma medalha de ouro neste sábado (7), um dia antes do Dia Internacional das Mulheres (8 de março), esta vitória é especial.

Foto: Divulgação/IJF
Rafaela Silva, campeã olímpica e bicampeã mundial é uma mulher negra, lésbica, nascida e criada na comunidade da Cidade de Deus e hoje é a estrela do judô brasileiro. A carioca de 33 anos merece muitos aplausos por sua persistência, porque o caminho para que ela se tornasse a vitoriosa que ela é hoje, não foi nada fácil.
Em sua estreia, Rafa foi desclassificada na terra da rainha, por causa de uma catada de perna ilegal feita na sua adversária, a húngara Hedvig Karakas. Pelo antigo Twitter (atualmente X), a atleta sofreu racismo sendo chamada de “macaca”. Após de cometer o erro, a judoca desaba no tatame.
Depois do que vivenciou nas Olimpíadas de Londres, a judoca estava determinada a desistir do judô, porém com ajuda psicológica, Rafaela superou barreiras e voltou a treinar. Ela mais uma vez fez história e ganhou a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Judô na categoria peso leve e a medalha de prata por equipes.
Quatro anos depois, em sua terra natal, atleta leva o ouro, com muita garra, nas Olimpíadas do Rio 2016 na categoria até 57kg. Rafaela Silva fez história porque se tornou a única mulher brasileira com título mundial e olímpico na modalidade.
“A gente não pode ter medo. A gente tem que acreditar. A gente tem um sonho. A gente tem um objetivo. Então, acho que, a gente precisa acreditar mais na gente. Eu quero que a minha história seja contata pra outras pessoas para elas se inspirarem e se tornarem pessoas grandes também”, motiva Rafaela.

Foto: divulgação/COB
A judoca teve que dar a volta por cima em 2019 com a conquista do ouro no Pan-Americano de Lima, no Peru, porque a Rafa foi submetida a um exame antidoping que revelou a presença da substância fenoterol, um broncodilatador proibido pela agência antidopagem. Segundo a atleta o resultado positivo ocorreu porque ela teve contato com um bebê que estava fazendo tratamento para asma cinco dias antes da competição, mas mesmo com a justificativa a Federação Internacional de Judô invalidou a conquista da judoca.
Ainda não parou por aí, Silva foi suspensa por dois anos e ficou proibida de lutar judô. Devido a suspensão, a judoca ficou de fora dos jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Em meio ao afastamento, a campeã olímpica pensou na transição para o MMA e começou a treinar artes marciais mistas, porém não se adaptou.
Rafa Silva volta competir como judoca no Campeonato Mundial de Judô em 2022, e conquista o ouro. No ano seguinte, com sede de ganhar, leva mais um ouro no Pan de Santiago em 2023. Nas Olimpíadas de Paris 2024 atleta fez o ponto decisivo para o Brasil ganhar o bronze por equipes, assim ela leva a sua segunda medalha olímpica.
“(…) No judô, encontrei disciplina, passei a respeitar os outros e comecei a levar o esporte a sério. O judô me mostrou o mundo. Com os recursos que ganho, garanto meu sustento e ajudo a minha família a pagar as contas, ” conta judoca.
Aos 8 anos, Rafaela começou no judô no Instituto Reação, ONG do judoca Flávio Canto, bronze olímpico na categoria até 81kg em Atenas 2004. Atleta e sua irmã foram levadas pelos seus pais senhor Luiz Carlos e senhora Zenilda Silva para o instituto, porque estavam preocupados com o tempo ocioso e também para evitar que as filhas tivessem contato com más influências.









































