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·08 de março de 2026

De Cidade de Deus ao ouro olímpico: a história de superação de Rafaela Silva

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Direto do Grand Prix na Áustria, Rafaela Silva conquistou mais uma medalha de ouro neste sábado (7), um dia antes do Dia Internacional das Mulheres (8 de março), esta vitória é especial.

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Foto: Divulgação/IJF


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Rafaela Silva, campeã olímpica e bicampeã mundial é uma mulher negra, lésbica, nascida e criada na comunidade da Cidade de Deus e hoje é a estrela do judô brasileiro. A carioca de 33 anos merece muitos aplausos por sua persistência, porque o caminho para que ela se tornasse a vitoriosa que ela é hoje, não foi nada fácil.

Olimpíadas de Londres 2012

Em sua estreia, Rafa foi desclassificada na terra da rainha, por causa de uma catada de perna ilegal feita na sua adversária, a húngara Hedvig Karakas. Pelo antigo Twitter (atualmente X), a atleta sofreu racismo sendo chamada de “macaca”. Após de cometer o erro, a judoca desaba no tatame.

Depois do que vivenciou nas Olimpíadas de Londres, a judoca estava determinada a desistir do judô, porém com ajuda psicológica, Rafaela superou barreiras e voltou a treinar. Ela mais uma vez fez história e ganhou a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Judô na categoria peso leve e a medalha de prata por equipes.

Olimpíadas Rio 216

Quatro anos depois, em sua terra natal, atleta leva o ouro, com muita garra, nas Olimpíadas do Rio  2016 na categoria até 57kg. Rafaela Silva fez história porque se tornou a única mulher brasileira com título mundial e olímpico na modalidade.

A gente não pode ter medo.  A gente tem que acreditar. A gente tem um sonho. A gente tem um objetivo. Então, acho que, a gente precisa acreditar mais na gente. Eu quero que a minha história seja contata pra outras pessoas para elas se inspirarem e se tornarem pessoas grandes também”, motiva Rafaela.

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Foto: divulgação/COB

Barrada pelo Exame

A judoca teve que dar a volta por cima em 2019 com a conquista do ouro no Pan-Americano de Lima, no Peru, porque a Rafa foi submetida a um exame antidoping que revelou a presença da substância fenoterol, um broncodilatador proibido pela agência antidopagem. Segundo a atleta o resultado positivo ocorreu porque ela teve contato com um bebê que estava fazendo tratamento para asma cinco dias antes da competição, mas mesmo com a justificativa a Federação Internacional de Judô invalidou a conquista da judoca.

Ainda não parou por aí, Silva foi suspensa por dois anos e ficou proibida de lutar judô. Devido a suspensão, a judoca ficou de fora dos jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Em meio ao afastamento, a campeã olímpica pensou na transição para o MMA e começou a treinar artes marciais mistas, porém não se adaptou.

A volta da Judoca

Rafa Silva volta competir como judoca no Campeonato Mundial de Judô em 2022, e conquista o ouro. No ano seguinte, com sede de ganhar, leva mais um ouro no Pan de Santiago em 2023. Nas Olimpíadas de Paris 2024 atleta fez o ponto decisivo para o Brasil ganhar o bronze por equipes, assim ela leva a sua segunda medalha olímpica.

Como Rafaela Silva se tornou judoca

(…) No judô, encontrei disciplina, passei a respeitar os outros e comecei a levar o esporte a sério. O judô me mostrou o mundo. Com os recursos que ganho, garanto meu sustento e ajudo a minha família a pagar as contas, ” conta judoca.

Aos 8 anos, Rafaela começou no judô no Instituto Reação, ONG do judoca Flávio Canto, bronze olímpico na categoria até 81kg em Atenas 2004. Atleta e sua irmã foram levadas pelos seus pais senhor Luiz Carlos e senhora Zenilda Silva para o instituto, porque estavam preocupados com o tempo ocioso e também para evitar que as filhas tivessem contato com más influências.

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