De dinamarquês ao leme, Benfica eliminou Aarhus em 1987: «A liderança dele era fraca» | OneFootball

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·20 de agosto de 2026

De dinamarquês ao leme, Benfica eliminou Aarhus em 1987: «A liderança dele era fraca»

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Esta quinta-feira, o Benfica arranca a última fase rumo ao seu objetivo de marcar presença na fase de liga da Liga Europa e reencontra um adversário de boa memória: o Aarhus, da Dinamarca.

Sempre que os encarnados encontraram o Aarhus, chegaram a uma final europeia. Isso ocorreu por duas vezes e ambas na Liga dos Campeões. Nessa última ocasião, onde Nunes foi herói, marcando o golo da vitória na 2ª mão (1-0), depois do 0-0 na 1ª, houve um pormenor que saltou à vista.


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É que, nessa altura, o treinador do Benfica era, precisamente… um dinamarquês. Tratava-se de Ebbe Skovdahl, técnico que faleceu em 2020, aos 75 anos, depois de uma árdua e longa luta contra o cancro. Foi, de resto, o único treinador dinamarquês da história do Benfica.

Mas quem era, afinal, Ebbe Skovdahl? O Benfica queria que fosse o novo Sven-Goran Eriksson, mas não foi bem assim...

É uma boa questão, até porque o antigo treinador nórdico fez apenas 16 jogos pelo Benfica. Começou a temporada 1987/88, mas saiu em novembro, fruto de uma série de resultados menos positivos e alguma pressão vinda dos adeptos - e até barreiras comunicacionais. Acabou por ser substituído por Toni.

«Foi um bom período da minha carreira, muito bom para a minha vida e não saí a mal do Benfica. Foram cerca de seis meses e, pelo que me lembro, estávamos em segundo lugar do campeonato e nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus. Aliás, nesse ano o Benfica chegou à final, mas perdeu para o PSV. Adorei estar em Portugal», afirmou o técnico, anos mais tarde, numa entrevista ao Maisfutebol.

Apesar de Ebbe ter gostado, aparentemente, da estadia em Portugal, esse prazer não terá sido recíproco.

«Era um homem simpático, mas rapidamente percebi que dificilmente conseguiria ser o líder de que uma equipa precisa. Não por questões técnicas, até porque não me lembro como treinava. Mas a liderança dele era fraca. Eu percebi isso na pré-época, na Suíça. Surgiu lá uma questão e pela forma como ele lidou com ela, percebi que não iria dar certo. Foi a única vez com um treinador em que senti tão claramente isto», começa por contar ao zerozero Rui Águas, lenda do Benfica.

«Não acho que fosse uma questão comunicacional. Até porque tenho ideia de que era o Toni que fazia a tradução, tal como acontecia na altura do Mortimer. Era mesmo uma questão de atitude e personalidade», acrescenta.

Relativamente a essa eliminatória com o Aarhus, Rui Águas recorda-se bem da 1ª mão: «Lembro-me mais do jogo fora, da dificuldade que foi. Lembro-me de uma oportunidade de golo grande que tive. Passados tantos anos, uma pessoa lembra-se de coisas parvas. Foi um jogo difícil, equilibrado, em que tive ali meia oportunidade de golo.»

Rei do Brondby e o «Tio Ebbe» na Escócia

«Estatísticas são como mini-saias... elas dão boas ideias, mas escondem as partes mais importantes»

A frase emblemática pertence, nada mais, nada menos, a Ebbe, o Tio Ebbe, como ficou conhecido na Escócia, aquando da sua passagem pelo Aberdeen. De resto, os escoceses ficaram apaixonados pelo dinamarquês pelos constantes bitaites e frases fortes em conferências de imprensa.

«O seu humor seco e a sua atitude descontraída fizeram com que se tornasse imediatamente popular entre os adeptos dos Dons, e contava com um grupo de adeptos leais. Isto apesar dos altos e baixos da equipa durante o seu mandato», afirmou o antigo presidente Stewart Milne, em declarações à BBC Escócia, aquando do falecimento de Ebbe.

Altos e baixos parece, de resto, uma descrição algo simpática. Ebbe Skovdahl até liderou o Aberdeen rumo a duas finais da Taça, mas só evitou a ida ao playoff de despromoção, e possível descida de divisão, logo na sua época de estreia porque o Falkirk - que lutava pela subida -não cumpriu os requisitos relativos ao estádio para a primeira divisão escocesa.

Onde Skovdahl - curiosamente, tio dos antigos internacionais dinamarqueses Brian Laudrup e Michael Laudrup - teve mais sucesso na carreira foi no seu país natal, a Dinamarca. Mais propriamente no comando do Brøndby.

Passou por lá em três ocasiões distintas da carreira e é, até hoje, considerado o treinador mais bem-sucedido da história do clube. Conquistou quatro campeonatos, três taças nacionais e levou a equipa a campanhas bem-sucedidas no futebol europeu, incluindo a primeira qualificação do clube para a fase de grupos da Liga dos Campeões e uma famosa vitória sobre o Liverpool (0-1), em Anfield.

O seu impacto no clube foi tal que, em 2017, o Brøndby batizou a Ebbe Skovdahl Fan Lounge - um espaço dedicados aos adeptos e eventos - no seu estádio, em sua homenagem.

Só voltou à Dinamarca em 2003, depois da passagem pela Escócia, para assumir o comando do mais desconhecido Frem, mas saiu logo após descer de divisão na primeira temporada. Foi o final da carreira de treinador.

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