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·29 de setembro de 2026

Desespero de aprovação por contrato milionário do Presidente no São Paulo será posto à prova hoje

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O Conselho Deliberativo do São Paulo começa, nesta terça-feira, a votação do contrato entre o clube e a Ticketmaster para a gestão de ingressos do Morumbis. Questionado por grupos de conselheiros ao longo das últimas semanas, o acordo é tratado pela diretoria como uma solução de curto prazo para uma série de problemas financeiros — e a razão para tanta urgência está em números concretos. O ge fez uma lista de itens que deixam Massis neste estado.

O motivo direto da pressa: R$ 140 milhões em até 45 dias

O principal fator por trás da urgência da diretoria é a antecipação financeira prevista no contrato: R$ 110 milhões, a serem recebidos pelo clube em até 45 dias após a aprovação. Esse valor funciona como uma espécie de empréstimo, a ser devolvido à Ticketmaster ao longo de cinco anos, com juros de CDI mais 1,99%.

A proposta também prevê a gestão do camarote 29A do Morumbis por cinco anos, com a Ticketmaster pagando R$ 30 milhões ao clube logo após a assinatura do contrato, como contrapartida pelo direito de explorar o espaço em shows e jogos. Somando as duas frentes, caso o Conselho aprove o acordo na votação que se encerra às 17h desta quarta-feira, o São Paulo terá R$ 140 milhões em caixa em até 45 dias — prazo que ajuda a explicar por que a diretoria tem pressionado tanto pela rapidez na tramitação do processo.

Como a diretoria conecta o contrato às dívidas com o elenco

Nas últimas semanas, o São Paulo passou a tratar publicamente a aprovação do contrato com a Ticketmaster como a única solução viável para quitar as dívidas acumuladas com o próprio elenco. Quando atrasou os salários dos jogadores no início deste mês — episódio inédito na atual gestão —, o clube atribuiu parte do problema justamente à demora na tramitação do contrato no Conselho Deliberativo, chegando a lamentar publicamente, em nota, que o tema estivesse “sendo tratado como algo político e eleitoreiro”, reforçando que o contrato havia sido aprovado pelo Conselho de Administração em 19 de agosto e estava, desde o dia 27 daquele mês, nas mãos do presidente do Conselho Deliberativo.

Antes disso, o clube já havia descumprido um compromisso assumido com o próprio elenco: o de quitar os direitos de imagem em atraso até o fim de agosto. A diretoria condicionou esse pagamento justamente à aprovação do contrato com a Ticketmaster e estabeleceu novo prazo — o fim deste mês de setembro, data que coincide exatamente com a semana da votação.

Como o dinheiro seria usado e devolvido

Assim que o contrato for assinado, o São Paulo recebe imediatamente R$ 30 milhões pelo camarote 29A. Em até 45 dias, mais R$ 110 milhões entram no caixa — os R$ 140 milhões completos, portanto, antes do fim do ano. A devolução dos R$ 110 milhões à Ticketmaster acontece de forma vinculada à própria receita gerada pelo Morumbis em dias de jogo, com um teto mensal de R$ 1,8 milhão. Ou seja: em um mês de arrecadação líquida de R$ 10 milhões, por exemplo, apenas R$ 1,8 milhão seria devolvido à empresa — mecanismo que também se aplica, no sentido inverso, a meses de baixa ou nenhuma arrecadação, como ocorreu durante a pausa da Copa do Mundo deste ano.

O acordo ainda prevê R$ 6 milhões destinados especificamente à reforma do Museu São Paulo. Pela administração da venda de ingressos, a Ticketmaster cobrará taxa de até 10% por ingresso (8% em caso de entrada física, não digital), com a mesma taxa de 8% aplicada também à gestão do sócio-torcedor.

A disputa com a Feng pelo sócio-torcedor

A negociação com a Ticketmaster também passou a incluir a gestão do programa de sócio-torcedor — serviço hoje administrado pela empresa Feng. O São Paulo defende que unificar as duas operações sob uma mesma gestora traz benefício direto ao torcedor e reduz o custo total do clube, já que atualmente cada serviço é operado por uma empresa diferente, com estruturas de custo próprias.

O que disse a comissão que investigou o processo

No início do mês, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, determinou a criação de uma comissão para analisar formalmente a proposta da Ticketmaster — decisão motivada por uma denúncia da NewC, outra empresa que disputava a gestão de ingressos, sobre possíveis irregularidades nas negociações.

Ao longo de quase 20 dias de trabalho, com consultas ao presidente Harry Massis, ao diretor financeiro Sérgio Pimenta e ao diretor de marketing André Marques — responsável direto pela negociação —, a comissão concluiu que a proposta da Ticketmaster era, na comparação final com a NewC, mais vantajosa tanto econômica quanto tecnicamente. Em números: a Ticketmaster ofereceu cerca de R$ 110 milhões de antecipação contra aproximadamente R$ 90 milhões da NewC, e cerca de R$ 30 milhões pelo camarote corporativo, ante os cerca de R$ 13 milhões oferecidos pela concorrente.

Ainda assim, o parecer da comissão não isentou o processo de críticas: foram identificadas inconsistências na documentação, falta de uniformidade na entrada dos participantes na concorrência, alterações de parâmetros ao longo do processo e dificuldade para reconstruir integralmente os critérios que levaram à formação das duas finalistas. Para a comissão, essas falhas impedem que o procedimento seja considerado plenamente regular e isonômico — embora não tenham sido encontrados elementos suficientes para caracterizar direcionamento ou favorecimento deliberado. Mesmo com essas ressalvas, o documento concluiu que elas não seriam suficientes para afastar a avaliação de que a proposta da Ticketmaster foi, entre as opções efetivamente comparadas, a mais vantajosa para o São Paulo.

O que está em jogo agora

Com a votação em andamento e prazo até as 17h de quarta-feira, o desfecho do processo definirá não apenas o futuro da bilheteria e do sócio-torcedor do Morumbis, mas também se o São Paulo conseguirá, finalmente, equacionar dívidas salariais que já se arrastam há meses — um alívio de caixa que a própria diretoria trata publicamente como condição quase indispensável para normalizar a relação financeira com o elenco na reta final da temporada.

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