Gazeta Esportiva.com
·14 de março de 2026
Diretor do Corinthians detalha visita de promotor do MP, e Tuma revela mal-estar

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·14 de março de 2026

Por Tiago Salazar e André Costa
O promotor do Ministério Público de São Paulo, Cássio Roberto Conserino, esteve no Parque São Jorge, sede social do Corinthians, na tarde da última quinta-feira, para o recolhimento de documentos que ajudem a compor a investigação acerca de supostos gastos indevidos nas administrações de Andrés Sanchez (2018-2020), Duilio Monteiro Alves (2021-2023) e Augusto Melo (2024-2025).
Conserino conheceu processos administrativos do clube, como a prática de reembolso, que faz parte das argumentações de Andrés e Duílio quando questionados sobre gastos com cartão corporativo. O promotor também pôde conferir que, de fato, há a ausência de documentos importantes, fundamentalmente no período da gestão Augusto Melo, e que estão sob suspeita de subtração.
O promotor chegou à sede social escoltado por seis viaturas da Polícia Militar e outras autoridades, como o delegado César Saad. Eles foram recebidos pelo presidente do clube, Osmar Stabile, e pelo diretor jurídico Pedro Soares, que concedeu entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva e detalhou o encontro.
Segundo Pedro Soares, a iniciativa de visitar o Parque São Jorge partiu do próprio promotor. O clube concordou em abrir as portas da sede social a Cássio Conserino, que conheceu as instalações e entendeu como se dá o processo de armazenamento de documentos e reembolso de despesas.
“Temos um bom relacionamento. Tudo o que ele pediu, nós fornecemos prontamente. Por ofício, ele manifestou a vontade de vir aqui. Nós respondemos que estamos de portas abertas para demonstrar total transparência e preservar os interesses do clube. Ele veio, visitou as instalações do clube, viu onde são armazenados os documentos. Veio no quarto andar, onde ficam os documentos mais recentes, foi no almoxarifado, lá próximo da Fazendinha, e até o subsolo”, disse o diretor jurídico do Corinthians.
“Ele verificou as instalações, viu como as coisas são armazenadas, fez questionamentos. Uma coisa importante foi que ele entendeu o funcionamento da coisa, acho que ele queria entender isso também, como funcionava o reembolso de despesas, por exemplo. Ele teve esses esclarecimentos que vão ajudá-lo a chegar nessas conclusões que ele está buscando, acredito que ele se deu por satisfeito. Serviu para a gente estreitar o relacionamento e para ele entender que não queremos esconder nada. Ele disse que nós fomos muito colaborativos”, acrescentou.

(Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians)
O dirigente também explicou a presença de César Saad no encontro e afirmou que já esperava a ida do delegado ao Parque São Jorge.
“Sim, sabia [que César Saad estaria presente]. Não existia nada formal, mas como todos os órgãos estão praticamente juntos, porque tem o Drade, o Jecrim, ele [César Saad] acompanhou também. Tinha alguns inquéritos que ele acompanhava, então aproveitou para sanar as dúvidas juntamente com o Dr. Cássio”, justificou.
Pedro Soares revelou quais documentos foram entregues pela diretoria do Corinthians às autoridades. Segundo ele, Cássio levou atas dos Conselhos Deliberativo e Fiscal.
“Levaram documentos que eles nos solicitaram. Eles questionaram se poderiam levar, nós deixamos à vontade. Só tínhamos que ver certinho qual documento seria, temos sempre que preservar o clube. Não dá, por exemplo, para levar o contrato de um atleta. Se for especificamente sobre o assunto, não tem problema. Eles levaram atas que são ou deveriam ser públicas dos Conselhos Deliberativo e Fiscal, aprovando ou reprovando contas. Nada além das atas”, disse.
“Ele levou apenas cópias que nós imprimimos. Não tem nenhum documento sigiloso, extrato bancário, nada disso”, completou.
Segundo relatos ouvidos pela reportagem da Gazeta Esportiva, a visita da promotoria ao Parque São Jorge causou certo mal-estar na sede social do Corinthians.
O presidente do Conselho Deliberativo do clube, por exemplo, não foi convidado para o encontro e tomou conhecimento da situação por meio de sua secretária, que se sentiu constrangida ao receber ordens para liberar o acesso a documentos do CD.

(Foto: André Costa/Gazeta Press)
À reportagem, Pedro Soares admitiu que a secretária de Romeu ficou “em choque” e revelou ter ligado para o presidente do Conselho durante a visita de Cássio Conserino devido a ausência de mandado judicial para busca e apreensão de documentos. De acordo com Pedro Soares, Tuma permitiu o acesso às atas do Conselho Deliberativo.
“Eu liguei para o Dr. Romeu Tuma, ele também me ligou. A secretária dele entrou nisso, articulou. Ela ficou em choque. Ele me ligou, perguntou o que estava acontecendo, eu expliquei que foi uma cortesia nossa, estávamos permitindo que ele levasse documentos. Perguntei se poderíamos dar uma olhada, ele permitiu, disse para ficar à vontade. Ele foi comunicado e conversou com o Cássio, foi permissivo”, disse o dirigente.
“Têm documentos do Conselho Fiscal que não estavam com a secretária, então, eu, com ciência do presidente do Conselho, entrei em contato com membros do Conselho Fiscal da época, de 2018 a 2025, e solicitei o encaminhamento das atas dessa época. Eles conseguiram disponibilizar, nós imprimimos e ele [Cássio] já levou. Dos documentos que não conseguimos, ficamos com cinco dias para entregar para ele”, acrescentou.
Pedro também explicou o motivo de a diretoria executiva do Corinthians não ter convidado Romeu, tendo em vista que as autoridades tiveram acesso a documentos relacionados ao Conselho Deliberativo, órgão presidido por ele.
“Não sabíamos se ele tinha o intuito de recolher documentos do Conselho ou não. Como diz o próprio ofício, a solicitação foi conosco. Atendemos ele dessa forma. Ele aproveitou que estávamos ali e perguntou se nós tínhamos as atas. Como as atas estavam no nosso site, o que nós encontramos a gente entregou para ele. Os outros documentos que não encontramos, fizemos esse contato e procedemos da forma que eu falei”, justificou.
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A Gazeta Esportiva também entrou em contato com Romeu Tuma Júnior. O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians confirmou que não foi previamente consultado sobre o fornecimento de documentos do CD e disse que colaborou com o pedido do MP para “evitar constrangimentos institucionais”.
“Não. Na condição de presidente do Conselho Deliberativo, não fui previamente consultado nem informado sobre qualquer diligência dessa natureza.
Tomei conhecimento do fato apenas quando a secretaria do Conselho entrou em contato comigo informando que o diretor jurídico do clube, Dr. Pedro Luís Soares, estava solicitando documentos para entrega ao promotor Dr. Cássio Conserino, que naquele momento exigia as atas do Conselho Deliberativo relativas às votações das contas entre 2018 e 2025, além de documentos do Conselho Fiscal.
Expliquei que a secretária responsável pelos arquivos estava afastada por motivo de saúde e perguntei se seria possível encaminhar os documentos no dia seguinte, mas fui informado de que a entrega precisaria ocorrer naquele momento, pois haveria lavratura de auto de apreensão.
Diante disso, para evitar constrangimentos institucionais ao Conselho e à funcionária que estava no local acompanhada de agentes policiais, procurei colaborar dentro do possível, localizando em meus próprios arquivos de e-mail, pois todo Conselheiro tem Atas passadas, assim como o Presidente por ser vitalício deveria ter, algumas atas que enviei, também por e-mail para impressão e entrega física como requeriam.
Também esclareci que as atas do Conselho Fiscal não ficam arquivadas no Conselho Deliberativo, mas sob responsabilidade dos respectivos secretários do próprio Conselho Fiscal.
Reitero, portanto, que não houve autorização prévia do presidente do Conselho Deliberativo para qualquer diligência em sua sala. Minha atuação limitou-se a buscar informações e colaborar para evitar um agravamento da situação que já estava em curso sem comunicação prévia ao Conselho, e para não obstar a ação do MP.”
A investigação do Ministério Público identificou retiradas de cerca de R$ 3,5 milhões em espécie durante a gestão de Andrés Sanchez. A informação foi revelada pelo promotor Cássio Roberto Conserino após a diligência realizada na última quinta. Segundo ele, o Corinthians se comprometeu a colaborar com a apuração e abrir sigilo bancário.
“Reunião muito produtiva. Conseguimos delinear uma linha de raciocínio para exteriorizar as provas necessárias para a demonstração da materialidade delituosa. Convencionamos de fazer uma remessa da documentação que dizia respeito às planilhas que davam a entender sobre adiantamento de despesas em espécie”, disse o promotor no Parque São Jorge.
Segundo o promotor, o material será entregue pela diretoria alvinegra em “até dez dias”.
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