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Papo na Colina

·03 de outubro de 2026

Dirigente ligado ao Athletico provoca o Vasco, mas contrato com Lamacchia mostra o contrário

Imagem do artigo:Dirigente ligado ao Athletico provoca o Vasco, mas contrato com Lamacchia mostra o contrário

O modelo de SAF do Vasco virou exemplo negativo em uma discussão sobre o futuro do Athletico. O advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, presidente da OAB-PR e que trabalha para o clube paranaense no caso da dívida da Arena da Baixada, colocou o Cruz-Maltino na lista de clubes que, segundo ele, “se entregaram” à SAF para quitar débitos.

A declaração foi dada no podcast Carneiro & Mafuz e chega em um momento sensível para o Vasco, a poucos dias da votação no Conselho Deliberativo sobre a venda da SAF para Marcos Lamacchia.


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O que disse o presidente da OAB-PR sobre o Vasco

Ao defender que o Athletico migre para a SAF depois da era Petraglia, Pereira comparou a situação do Furacão com a de outros clubes:

“O Athletico não vai se entregar para a SAF como se entregaram, por exemplo, Botafogo, Vasco e Cruzeiro, para pagar dívida. Ou o próprio Coritiba.”

Segundo ele, a diferença está no patrimônio. O advogado afirmou que o Athletico tem patrimônio líquido positivo de R$ 1 bilhão, chamou isso de “exceção da exceção” e disse que nem a Arena nem o CT precisariam de investimentos. Por isso, todo o dinheiro de um investidor iria para o futebol.

Pereira ainda citou Bahia e Coritiba como exemplos de SAFs que precisam destinar parte do dinheiro a melhorias em estádios e centros de treinamento.

“Não basta ter dinheiro”

O presidente da OAB-PR também disse que o Athletico estabeleceu condições para uma eventual venda:

“Não basta ter dinheiro, quero saber qual é o projeto do grupo que está chegando.”

Para ele, o clube deve migrar para a SAF “sem pressa nenhuma”, escolher o melhor investidor possível e criar uma governança que não fique refém de eleições que, nas palavras dele, “às vezes põem o torcedor na presidência”.

O contrato com Lamacchia rebate a crítica

A fala toca em um ponto que o próprio Vasco tentou resolver na nova negociação. O memorando de entendimento com a Almirante Participações, empresa de Lamacchia, prevê um aporte mínimo de R$ 500 milhões exclusivamente para o futebol até 2030. E o documento é explícito: esse dinheiro não pode ser usado para pagar dívidas nem para cumprir outras obrigações da SAF.

As dívidas, como a da Recuperação Judicial e os débitos tributários, são tratadas em compromissos separados. Se faltar dinheiro para honrá-las, o contrato obriga Lamacchia a fazer aportes adicionais, sem aumentar sua participação na SAF.

O acordo ainda prevê R$ 120 milhões para o CT profissional em 10 anos e R$ 30 milhões para a base em dois anos. Ou seja, ao contrário do cenário do Athletico descrito por Pereira, o Vasco precisa investir em estrutura, mas esses valores não saem da conta do futebol.

O trauma da 777 Partners

É verdade que a primeira experiência do Vasco com a SAF deixou marcas. A venda para a 777 Partners, em 2022, foi fortemente motivada pela crise financeira do clube. O grupo americano não cumpriu os aportes prometidos, e o Vasco retomou o controle do futebol na Justiça em 2024.

Foi justamente esse histórico que levou o clube a buscar garantias mais duras no novo contrato. Entre elas estão a procuração para cobrar diretamente Lamacchia em caso de calote, a proibição de distribuir dividendos por 10 anos e a proibição de vender novas ações no mesmo período.

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Próximo passo: votação no Conselho

O negócio com Lamacchia será votado pelo Conselho Deliberativo na terça-feira (6). Se aprovado, ainda precisará passar pelos sócios em Assembleia Geral Extraordinária. A Almirante ficará com 90% da SAF, e os outros 10% continuam com o clube associativo.

E o Athletico?

Enquanto o Vasco caminha para a segunda SAF, o Athletico segue sem novidades. O clube procura investidores há alguns anos por meio do banco BTG Pactual, mas nenhuma negociação avançou.

As próximas eleições do Furacão só acontecem no fim de 2027. O presidente Mario Celso Petraglia, que ficou duas semanas internado em julho, voltou às atividades normalmente.

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