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·26 de agosto de 2026
Dirigido por amadores afirma Presidente do Conselho sobre gestão do São Paulo

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Dirigido por amadores afirma Presidente do Conselho sobre gestão do São Paulo
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A crise financeira e administrativa do São Paulo ganhou um novo capítulo nesta semana. Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo do clube, fez duras críticas à atual estrutura de gestão do Tricolor e afirmou que a dívida do São Paulo já pode ter ultrapassado a marca de R$ 1 bilhão.
Em entrevista, o dirigente classificou como “absolutamente amadora” a forma como o clube vem sendo administrado e defendeu mudanças profundas na governança.
“Eu sou presidido e dirigido por pessoas absolutamente amadoras.”
A declaração expõe a dimensão da crise interna em um momento no qual o São Paulo enfrenta dificuldades financeiras, problemas de fluxo de caixa e uma grave crise esportiva no Campeonato Brasileiro.
O último balanço oficial disponível, referente ao exercício de 2025, apontou uma dívida de aproximadamente R$ 858 milhões. O valor representou uma redução em relação aos cerca de R$ 968 milhões registrados em 2024.
“Hoje, nós devemos estar já acima de R$ 1 bilhão.”
O número citado pelo presidente do Conselho Deliberativo, entretanto, é uma estimativa e ainda não consta em um novo balanço oficial do São Paulo.
A declaração indica que o crescimento dos encargos financeiros e a necessidade de buscar recursos para manter o funcionamento do clube podem ter elevado novamente o passivo.
Olten Ayres também apontou o custo do dinheiro no mercado financeiro como um dos principais obstáculos para a recuperação do São Paulo.
O dirigente argumenta que, enquanto o clube precisar recorrer constantemente ao mercado para conseguir recursos, os juros elevados continuarão pressionando as contas.
Na avaliação dele, o São Paulo precisa encontrar formas de captar dinheiro e, principalmente, construir uma estrutura capaz de transformar o potencial econômico da instituição em receitas.
O problema é que a necessidade de capital de curto prazo pode criar um ciclo perigoso: o clube antecipa receitas para resolver problemas imediatos e, posteriormente, compromete parte de suas receitas futuras.
A frase mais forte de Olten Ayres, porém, foi direcionada à própria estrutura administrativa do São Paulo.
Ao defender a profissionalização do clube, o presidente do Conselho Deliberativo afirmou:
“Eu sou presidido e dirigido por pessoas absolutamente amadoras.”
A crítica está relacionada à influência política existente dentro do clube e à forma como cargos e decisões são conduzidos.
Para Olten, o São Paulo possui uma marca gigantesca, patrimônio relevante e capacidade de geração de receitas, mas não consegue explorar todo esse potencial devido ao modelo administrativo.
A discussão sobre profissionalização não é nova no São Paulo, mas ganhou força diante da atual combinação de crise financeira e crise esportiva.
O Tricolor precisa lidar simultaneamente com dívida elevada, compromissos financeiros, necessidade de reforçar o elenco e pressão por resultados dentro de campo.
Para Olten Ayres, uma mudança estrutural seria necessária para que o clube consiga recuperar sua capacidade de investimento.
A transformação em SAF também aparece dentro desse debate, embora o dirigente não trate necessariamente esse modelo como a única alternativa.
O ponto central defendido por ele é a necessidade de uma gestão mais profissional e capaz de acessar recursos do mercado sem aprofundar o problema financeiro.
O cenário descrito por Olten não fica restrito aos números do balanço.
A dificuldade financeira do São Paulo tem impacto direto na operação do futebol.
O clube vem buscando alternativas para antecipar receitas, reorganizar dívidas e manter o fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades para honrar compromissos relacionados a contratações e pagamentos.
O resultado é uma situação na qual o futebol passa a conviver com restrições que vão muito além das quatro linhas.
E isso ocorre justamente quando o time atravessa uma das piores fases recentes no Campeonato Brasileiro.
A declaração de Olten Ayres também ganha peso porque parte do próprio comando institucional do clube.
Não se trata apenas de uma crítica externa.
O presidente do Conselho Deliberativo é uma figura central na estrutura política do São Paulo e, ao questionar publicamente o modelo administrativo, aumenta a pressão sobre a direção executiva.
A crise, portanto, possui duas frentes.
No futebol, o São Paulo luta para escapar da zona de rebaixamento.
Na administração, cresce o debate sobre dívida, governança, profissionalização e o futuro do clube.
O dirigente relacionou o problema à influência política na estrutura do clube e afirmou que decisões administrativas acabam sendo contaminadas por interesses internos.
Na visão de Olten, isso impede que o São Paulo seja administrado de acordo com seu potencial econômico.
Ele também fez críticas históricas ao funcionamento político da instituição e afirmou que, ao longo dos anos, houve um enfraquecimento do respeito às regras internas.
“A partir do terceiro mandato de Juvenal Juvêncio, todos no clube passaram a se sentir livres para desrespeitar o estatuto.”
Apesar das críticas, Olten Ayres também destacou que o São Paulo possui ativos importantes.
A força da marca, o tamanho da torcida, o Morumbis, o patrimônio e o potencial comercial são apontados como elementos que poderiam tornar o clube atrativo para novos investidores e parceiros financeiros.
O problema, portanto, não seria necessariamente a ausência de ativos.
A questão é como transformar esses ativos em receitas suficientes para reduzir o endividamento sem comprometer ainda mais o futuro financeiro do clube.
A estimativa de uma dívida superior a R$ 1 bilhão ainda precisa ser confirmada oficialmente.
O próximo balanço financeiro do São Paulo será fundamental para mostrar se o passivo realmente voltou a crescer nessa proporção.
Caso o número se confirme, o clube terá de enfrentar uma discussão ainda mais profunda sobre seu modelo de gestão.
E a frase de Olten Ayres pode ganhar ainda mais repercussão:
“Eu sou presidido e dirigido por pessoas absolutamente amadoras.”
Em um momento no qual o São Paulo luta para sobreviver esportivamente no Brasileirão e financeiramente no mercado, a discussão sobre quem administra o clube e como ele é administrado deixou de ser apenas política.
Virou uma questão de sobrevivência institucional.
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