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·27 de fevereiro de 2026

Do estrelato à melancolia: longe dos holofotes, Cavani convive com vaias no Boca

Imagem do artigo:Do estrelato à melancolia: longe dos holofotes, Cavani convive com vaias no Boca

Quando Edinson Cavani desembarcou na Bombonera em 2023, cercado de grande expectativa, o Boca Juniors acreditava ter encontrado o líder técnico e simbólico capaz de recolocar o clube no topo da América.

A trajetória do uruguaio na Europa, com protagonismo por Paris Saint-Germain, Napoli e Manchester United, trazia (à época) a sensação de que, mesmo aos 36 anos, ele seria decisivo em jogos grandes. 


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A biografia de Cavani não deixava dúvidas. Ídolo da seleção uruguaia e dono de quatro participações em Copas do Mundo, o centroavante deixou para trás a possibilidade de permanecer na Europa após deixar o Sevilla (ainda que numa prateleira abaixo da dos considerados gigantes) e escolheu por voltar para seu continente para vestir azul e amarelo.

Num primeiro momento, inclusive, Edinson Cavani deu indícios de que corresponderia à projeção feita pelo clube e torcida. Em sua primeira temporada completa nos Xeneizeo uruguaio marcou 20 gols e distribuiu duas assistências em 39 jogos e foi um dos grandes protagonistas do clube, apesar de não ter isso traduzido em conquistas.

Da boa impressão ao declínio

No ano seguinte, a idade avançada passou a cobrar o preço dentro do nível de intensidade e competitividade do futebol argentino. Problemas musculares começaram a surgir, os gols diminuíram consideravelmente, e Cavani passou a ser o principal rosto da frustração esportiva e administrativa do Boca. Assim é o futebol.

E um episódio emblemático ajudou a endossar essa montanha russa. Na precoce eliminação para o Alianza Lima, na Pré-Libertadores em 2025, Cavani acabou marcado como vilão.

Aos 53 minutos do segundo tempo, no último lance da partida, o uruguaio teve a chance de marcar o gol que classificaria o Boca, mas desperdiçou a finalização dentro da pequena área, de forma inacreditável.  Nas penalidades, os argentinos deram adeus à competição, aprofundando a crise e direcionando parte da revolta ao seu principal nome.

Cavani viu seu declínio ganhar contornos ainda mais dolorosos justamente pelo momento em que vivia (e vive) o clube. Trocas de comando, reformulação de elenco, instabilidade política... elementos que não deixam o uruguaio sequer ter margem para buscar uma mudança. 

E a tensão não parou de escalonar. O último episódio foi na última sexta-feira (20), quando Cavani voltou a ser titular no Boca no duelo contra o Racing, algo que não acontecia desde setembro passado. Em teoria, uma oportunidade de recomeço. Na prática, mais passo a caminho do fim.

O uruguaio permaneceu em campo até os 34 do segundo tempo, mas pouco contribuiu para evitar o 0 a 0 no placar. Sem dar uma finalização sequer no jogo, o centroavante ainda foi flagrado em impedimento duas vezes e perdeu a posse de bola em oito oportunidades...  o suficiente para ser substituído sob uma estrondosa vaia vinda das arquibancadas.

A situação despertou reações além dos muros do clube. Campeão do mundo em 1986, o ex-zagueiro Óscar Ruggeri lamentou publicamente o tratamento dado ao uruguaio, em entrevista ao programa “F90”.

“Ele tem que parar de jogar. É um pecado que essa estrela seja insultada dessa maneira, com a imensa carreira que tem. Não o conheço, nos encontramos duas ou três vezes, mas me dói vê-lo assim”, declarou Ruggeri.

Do estrelato europeu e da idolatria celeste à melancolia momentânea na Bombonera, Cavani vive talvez o capítulo mais complexo da carreira. Entre aplausos e vaias, sua trajetória no Boca expõe a essência do futebol sul-americano: apaixonado, intenso e implacável com seus próprios ídolos.

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