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·27 de setembro de 2026

Do Fortaleza à Betano: como as bets tomaram o futebol brasileiro

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O futebol brasileiro entrou na era das casas de apostas em janeiro de 2019. O Fortaleza foi o primeiro clube do país a estampar uma empresa do setor no uniforme, ao fechar contrato com a NetBet para aquela temporada.

A Agência RTI Esporte apurou que a parceria surgiu pouco mais de um mês após a promulgação da Lei 13.756, de dezembro de 2018, que abriu caminho para a regulamentação das apostas esportivas no Brasil.


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O contrato tinha validade até dezembro de 2019, mas o valor não foi divulgado. Na época, o Fortaleza informou que receberia repasses mensais, enquanto o jornal O Povo apontou que a NetBet pagaria mais do que a Alubar, outra patrocinadora do clube.

O Fortaleza não tinha participação nas apostas dos usuários. Em 2019, primeiro ano da parceria, conquistou o Campeonato Cearense e a Copa do Nordeste. A Série B do Campeonato Brasileiro havia sido vencida em 2018, antes da chegada da NetBet.

O primeiro contrato do Fortaleza era distante dos valores atuais

Naquele momento, as casas de apostas ainda ocupavam propriedades comerciais menores. O Fortaleza foi pioneiro, mas o modelo estava longe dos contratos que posteriormente transformariam o mercado de patrocínios do futebol brasileiro.

A expansão aconteceu rapidamente. No início de 2020, 13 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro já tinham alguma marca de apostas associada ao uniforme, embora as empresas ainda ocupassem principalmente espaços secundários.

A mudança de escala veio quando as plataformas passaram a disputar também o espaço máster dos clubes da elite nacional. Após o Leão do Pici, o Atlético-MG foi um dos clubes que ajudaram a consolidar esse movimento.

Betano muda o tamanho dos contratos

A Betano assumiu o espaço máster do Atlético-MG em janeiro de 2021. O primeiro acordo previa um ano de contrato, com opção de renovação por metas atingidas. O valor daquele vínculo era de R$ 10 milhões anuais.

A parceria coincidiu com uma temporada histórica do clube. Em 2021, o Atlético-MG conquistou o Campeonato Mineiro, o Brasileirão e a Copa do Brasil. No ano seguinte, renovou o contrato com a Betano até o fim de 2024, com valor anual superior a R$ 15 milhões.

O Fluminense também entrou nessa fase. Em junho de 2021, fechou seu primeiro contrato máster com a Betano por dois anos, no valor aproximado de R$ 15 milhões no total. O vínculo foi posteriormente renovado até junho de 2025.

Durante esse ciclo, o Tricolor das Laranjeiras conquistou o Campeonato Carioca em 2022 e 2023, além da Copa Libertadores da América de 2023, primeiro título continental do clube, e da Recopa Sul-Americana de 2024.

De milhões para centenas de milhões

A evolução dos contratos mostra a dimensão que as bets alcançaram no futebol brasileiro. Em 2024, por exemplo, o Corinthians tinha acordo de R$ 120 milhões anuais com a Vai de Bet, enquanto o Flamengo recebia R$ 85 milhões por temporada da Pixbet.

O salto mais expressivo veio depois. Em 2025, o Flamengo aprovou contrato com a Betano de R$ 268,5 milhões fixos por temporada, válido até o fim de 2028. O acordo prevê R$ 895 milhões em 40 meses, sem considerar eventuais valores adicionais.

O caminho iniciado pelo Fortaleza em 2019 mudou de escala. O primeiro contrato tinha valor não divulgado e durava uma temporada. Poucos anos depois, as bets passaram a disputar o espaço máster das camisas em acordos de centenas de milhões de reais.

Por fim, a história mostra como um mercado que começou de forma experimental no uniforme de um clube nordestino se transformou em uma das principais fontes de receita comercial do futebol brasileiro nos últimos anos.

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