Portal dos Dragões
·17 de julho de 2026
“É o dia mais feliz da minha vida desportiva”, diz Fernando Cardinal

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Fernando Cardinal foi apresentado como capitão da equipa de futsal do FC Porto, num momento que o pivô de 41 anos coloca no topo da sua vida desportiva. Na quadra do Dragão Arena, falou da responsabilidade da braçadeira, da ambição de subir já à Segunda Divisão e de uma ligação ao clube que começou muito antes de entrar em pista. Emocionado, resumiu o impacto do dia e garantiu: “Não há palavras para este momento.”
O novo número 7 portista chega como um dos pioneiros de uma nova modalidade no Clube, carregando uma história pessoal feita de portismo, futsal e persistência. Fernando Cardinal apresentou-se com uma mensagem que atravessou toda a conversa: o orgulho de vestir azul e branco não diminui a exigência de estar à altura da camisola.
O primeiro impacto da apresentação foi assumidamente emocional. Cardinal não escondeu que a concretização deste momento ultrapassa qualquer expectativa que pudesse ter alimentado ao longo da carreira.
“É um sentimento inexplicável. Este é, sem dúvida alguma, o dia mais feliz da minha vida desportiva.”, afirmou. “Estou muito emocionado, muito feliz, sinto um orgulho que não me cabe no peito. Sinto-me um privilegiado por vestir esta camisola e por representar o clube do meu coração, por ser um dos pioneiros nesta modalidade e estou ansioso para começar a treinar.”
O capitão voltou a colocar este instante acima de todos os outros vividos no futsal. A camisola do FC Porto, explicou, dá ao momento uma dimensão diferente.
“Este é o melhor momento da minha carreira, sem dúvida alguma. Está no topo. Este momento ultrapassa todos os outros, porque vestir a camisola do FC Porto e representar o clube do meu coração é um sentimento totalmente diferente.”, descreveu. “É esse sentimento que estou a viver agora, estou sem palavras. Estou nas nuvens. Estou na melhor fase da minha carreira emocionalmente. Estou mesmo muito feliz e só tenho a agradecer ao FC Porto pela oportunidade.”
Não era apenas uma apresentação, mas a materialização de um desejo antigo. A emoção de Cardinal nasce precisamente desse encontro entre uma carreira longa e o clube que sempre acompanhou.
O dia começou com a ansiedade própria de quem aguardava uma assinatura e tudo o que ela representa. Depois dos exames médicos, a prioridade passou rapidamente para o trabalho.
“Quando acordei, hoje de manhã, sentia-me ansioso pelo momento de assinar contrato, de sair nas redes sociais do Clube, de fazer os exames médicos e, graças a Deus, correu tudo bem.”, explicou. “Agora o mais importante é começar a treinar para me preparar bem para estar à altura deste Clube, como sempre. Hoje é um dia especial e vou dormir com a camisola vestida.”
A vontade de começar não esconde o peso simbólico de cada detalhe. Até o número escolhido transporta uma memória particular da carreira internacional.
“Eu sempre gostei do 9 e joguei muitos anos com ele. Na primeira vez em que fui à seleção, na minha primeira internacionalização, fui o 7. Esse foi um momento muito especial e na seleção sempre joguei com o 7, então comecei a gostar do 7.”, contou. “Aqui vou dar continuidade ao número 7, de que gosto muito.”
O 7 será, assim, o sinal visível de uma continuidade pessoal num capítulo inteiramente novo. Mas a novidade mais profunda está na própria criação de uma equipa sénior de futsal do FC Porto.
Cardinal recordou que durante anos ouviu falar da possibilidade de o Clube entrar na modalidade, sem que o projeto avançasse. Chegou a perder a esperança, mas vê agora no momento uma oportunidade que também considera importante para o futsal português.
“Nunca imaginei isto, porque o FC Porto não tinha futsal. Falava-se, ano após ano, mas nunca ia para a frente e eu cheguei a perder a esperança. Continuei a trabalhar, joguei em muitos clubes, passei pelos melhores campeonatos do mundo, por muitos países e culturas diferentes.”, reconheceu. “E, sinceramente, cheguei a perder a esperança de estar aqui hoje, mas como Deus é grande e é maravilhoso, deu-me a oportunidade de estar cá. Quero agradecer à Direção do FC Porto por abrir esta modalidade, uma medida muito importante para o Clube e para o futsal português. Até a nível europeu. Para um Clube com a história do FC Porto é importante ter futsal.”
A criação da equipa é, para o pivô, uma resposta a uma ausência que durante muito tempo pareceu definitiva. E é também a oportunidade de levar para a pista um sentimento familiar, construído desde criança.
O portismo de Cardinal foi-lhe transmitido pelos pais e está ligado às primeiras imagens que guarda do FC Porto. Ao falar desse percurso, deixou uma homenagem à família.
“Foram os meus pais que me transmitiram o portismo. É um sentimento muito forte. A minha família sempre foi portista, o meu pai jogou cá e as primeiras imagens que eu tenho do FC Porto são a ir ao estádio com ele.”, recordou. “Eu sei que eles estão lá em cima a ver. O meu pai, a minha mãe e o meu irmão estão orgulhosos, de certeza absoluta, por eu estar a viver este momento e a concretizar o meu sonho.”
As memórias do clube aparecem-lhe, por isso, associadas a uma infância vivida nas bancadas e a celebrações que ficaram gravadas.
“Lembro-me de ir com o meu pai ao Estádio das Antas, ficava na Arquibancada com ele. Lembro-me de estar na piscina e de a minha mãe me ir buscar e dizer que fomos campeões. Fomos campeões na Luz, o Timofte marcou um golo, e fomos festejar.”, contou. “São essas imagens que guardo na minha memória.”
Essa ligação não ficou presa ao passado. Cardinal descreve-se como alguém que acompanhou o FC Porto nas grandes conquistas e que pretende continuar a fazê-lo sempre que os compromissos de jogador o permitirem.
“Sou um apaixonado pelo FC Porto desde sempre. Acho que não preciso de dizer muita coisa… tem sido notório durante toda a minha vida. Durante muitos anos acompanhei o FC Porto em muitas conquistas. As maiores alegrias da minha vida foram-me proporcionadas pelo FC Porto.”, sublinhou. “Estive na final da Liga dos Campeões, na final da Taça UEFA e na final da Liga Europa. Estive presente nas maiores conquistas do FC Porto, sempre acompanhei o Clube e vou continuar a acompanhar quando não tiver treinos nem jogos, porque não dá para faltar aos treinos para ir ver o FC Porto. Se for uma competição europeia, eu falo com a Direção e com o treinador para eles me darem autorização. É mais fácil.”
O novo capitão fala, portanto, da passagem da bancada para a pista sem abdicar do olhar de adepto. As modalidades fazem parte dessa relação, agora reforçada pela entrada no futsal.
“Acompanho as modalidades, na última época estive aqui a ver o hóquei em patins contra o Sporting e certamente que agora vou acompanhar muito mais.”, afirmou.
É no Dragão Arena que Cardinal já projeta o cenário que gostaria de encontrar. A imaginação é feita de golos, pavilhão cheio e uma concentração que terá de resistir à emoção.
“Só imagino o pavilhão cheio num jogo de futsal comigo a marcar muitos golos. Vai ser difícil não cantar durante o jogo, mas tenho de controlar bem as emoções e de me manter concentrado.”, admitiu.
O entusiasmo não o afasta da exigência. Aos 41 anos, Cardinal garante sentir-se preparado para o desafio e aponta o cuidado físico como uma das razões para continuar a jogar.
“Ainda me sinto preparado e bem fisicamente, por isso é que nunca anunciei o fim de carreira. Uma coisa era o corpo não me deixar, mas enquanto estiver preparado e o corpo aguentar eu terei calma.”, garantiu.
Questionado sobre a idade, respondeu com confiança nas suas capacidades e nos exames realizados. Ainda assim, distinguiu a preparação de ginásio da exigência específica do futsal.
“Eu costumo dizer que a idade é só um número. Eu conheço as minhas capacidades, sei do que sou capaz e estou bem fisicamente. Os exames comprovaram que estou ótimo. Tenho um bom coração, o médico disse que já não via um coração assim há muito tempo.”, explicou. “Estou muito feliz, mas sempre me cuidei bastante, mas um treino de ginásio é diferente de um treino de futsal. Mas vou-me preparar ao máximo, sei que sou capaz e sei que vou estar à altura.”
A confiança física acompanha um retrato competitivo sem meias-medidas. Cardinal identifica na ambição, nos golos e na recusa em desistir os traços que pretende colocar ao serviço do FC Porto.
“Sou um jogador muito ambicioso, que marca muitos golos e que nunca dá um lance por perdido. Tenho muita raça e nunca desisto, e acho que isso casa perfeitamente com o nosso Clube.”, definiu.
Essa ideia de compromisso estende-se à forma como entende cada jogo. Para o pivô, a camisola obriga a procurar a vitória, independentemente do marcador.
“Compromisso. Nós temos um compromisso com o Clube e temos que cuidar de tudo até ao fim. Esteja 0-0 ou estejamos a ganhar, temos de ser ambiciosos e querer sempre mais.”, sintetizou. “Sabemos que ninguém ganha sempre, mas temos de lutar sempre para ganhar.”
Antes de chegar a este momento, Cardinal transportou também a marca do Bairro do Aleixo, onde nasceu e cresceu. Fala desse lugar com orgulho, nostalgia e consciência de tudo o que ali viveu.
“Aquele bairro ensinou-me muito. Se eu sou o que sou hoje, posso dizer que lá aprendi muito. Vivi lá muitas coisas, os momentos mais felizes e mais tristes da minha vida. Fez-me crescer por tudo aquilo que passei, por aquilo que vi.”, recordou. “É um orgulho enorme ter nascido e crescido no Bairro do Aleixo, vai estar sempre na minha memória. Infelizmente hoje já não existe, com muita pena minha, mas fui muito feliz lá.”
O caminho no futsal foi, segundo o próprio, uma escolha sustentada pela paixão pela modalidade, pela avó e pelos irmãos. Uma trajetória que apresenta como fruto de orientação e trabalho.
“Costumo dizer que Deus me iluminou pelos caminhos certos. Toda a gente conhecia o Bairro do Aleixo e sabe o que acontecia lá. Eu perdi os meus pais muito novo, e a minha avó tomou conta de mim. Sempre tive uma paixão pelo futsal, comecei a treinar no Miramar e eles gostaram muito de mim.”, explicou. “Dei continuidade ao futsal e tinha na mesma os meus amigos. Tudo o que os meus amigos faziam, era com eles, mas eu não tinha problemas com isso e jamais deixariam de ser meus amigos. Fizessem o que fizessem, para mim estava sempre tudo bem. O importante era eu saber o que tinha de fazer e o caminho que tinha de seguir se queria ser alguém na vida. Graças a Deus, Ele iluminou-me com a ajuda da minha avó e dos meus irmãos.”
O Aleixo continua presente, mesmo depois de as torres terem desaparecido. Cardinal passa por lá e faz questão de mostrar aos filhos o lugar onde nasceu.
“Nunca sai de mim, passo lá muitas vezes. Mostrei aos meus filhos, aos mais novos, onde nasci e cresci. Já lhes mostrei vídeos e já tirei lá fotografias.”, contou. “Agora não tem as torres e quando passo lá é um momento muito difícil, uma nostalgia muito grande. Começo a recordar coisas do passado, a reviver momentos felizes que lá vivi. A escola que já não existe, o campo que já não existe… É com muita tristeza que passo lá, mas faço questão de passar sempre.”
A longevidade competitiva, entende, não acontece por acaso. Cardinal deixou uma mensagem dirigida aos mais jovens, centrada na alimentação, no descanso e na vontade de treinar.
“Chegar ao topo não é difícil, o difícil é mantermo-nos lá. Aos 41 anos sinto-me muito bem, mas é tudo fruto do meu trabalho, durante anos. Da minha alimentação, do meu descanso, da minha vontade de treinar. Isso não é fácil.”, analisou. “Hoje em dia, cada vez mais, acho que os jovens não estão preparados, mas deviam, para dar longevidade ao seu corpo. Se querem jogar muitos anos, preparem-se. Principalmente na alimentação, no descanso e no treino. Se aos 41 anos estou aqui, é tudo fruto do meu trabalho.”
A carreira deixou-lhe também jogos e golos que guarda como especiais. Entre os episódios recordados, surgem momentos pela seleção, pelo ElPozo de Múrcia e em finais do play-off.
“Há muitos, alguns foram especiais. Posso dar o exemplo de um no Mundial na Colômbia. Estávamos a perder 1-0 contra a Colômbia, eu empatei no último segundo com 15 mil pessoas nas bancadas. Foi um momento único marcar no último segundo no Mundial pela seleção.”, lembrou. “No ElPozo de Múrcia classificámo-nos para uma final quando eu marquei um golo no último segundo. Quando ganhei a minha primeira Champions…”
Sobre os golos preferidos, não escolheu um só. Preferiu deixar uma coleção de referências que ajuda a explicar a dimensão das memórias acumuladas.
“Isso é mais difícil, porque foram muitos. Na seleção, fizemos um particular contra a França, gostei muito desse golo. Contra o Brasil, também pela seleção.”, afirmou. “Depois, nas finais do play-off contra o Benfica, gostei dos golos que marquei na Luz. Tenho muitos golos especiais.”
A braçadeira é o novo símbolo da responsabilidade que assume no FC Porto. Cardinal diz-se preparado, mas recusa reduzir a liderança a um sinal no braço.
“É um orgulho e uma responsabilidade muito grande. Fiquei muito orgulhoso quando recebi a braçadeira e senti uma satisfação enorme. Estou preparado para esta responsabilidade. Sinceramente, acho que faz todo o sentido. É um orgulho ser o primeiro capitão do futsal do FC Porto.”, garantiu. “É um orgulho enorme e estou preparado para este momento. Mas eu não preciso da braçadeira para ser capitão, capitão é-se pelo exemplo. Prefiro liderar pelo exemplo do que exigir aos meus companheiros. É por aí que eu vou.”
A liderança, explicou, será construída numa lógica de igualdade e entreajuda. A experiência é um recurso que quer partilhar, mas sem perder a noção de que o caminho será coletivo.
“Acredito que o FC Porto vai formar uma equipa muito competitiva para ganhar e para atingir os objetivos. Quero que os meus companheiros percebam que estou aqui para os ajudar. Sou igual a eles, não sou diferente. Aqui somos todos iguais, vamos todos remar para o mesmo lado e com o mesmo objetivo.”, sublinhou. “Quero que eles percebam que eu estou aqui para ajudá-los com a minha experiência, mas também vou precisar que eles me ajudem. Temos de remar todos juntos, para o mesmo lado, para sermos mais fortes.”
O primeiro objetivo desportivo está definido sem margem para ambiguidades. A ambição é entrar em cada jogo para ganhar e alcançar já a subida à Segunda Divisão.
“Os objetivos são claros: quem veste esta camisola e quem representa a instituição FC Porto tem de entrar em todos os jogos para ganhar. Como é lógico, o objetivo principal é subir já à Segunda Divisão.”, afirmou.
Cardinal quer ainda acompanhar a formação, convencido de que pode ser útil aos jovens do Clube. É uma extensão natural da responsabilidade que assume dentro da nova estrutura.
“Quando tiver tempo vou acompanhar a formação, porque acho que sou uma mais-valia para o Clube. Vou acompanhar bastante os nossos jovens tenho todo o gosto em fazê-lo, como é lógico.”, disse.
O topo surge como horizonte, mas não como atalho. O capitão pede passos seguros, concentração no treino e no jogo, e confiança nas condições que vê à volta da equipa.
“Acho que podemos chegar ao topo e esse é o nosso objetivo, por isso é que o FC Porto criou o futsal. Mas temos de ir passo a passo, porque ainda estamos no início. Eu costumo dizer primeiro começa-se, depois melhora-se.”, analisou. “Com esta estrutura, com tudo aquilo que eu tenho visto aqui à volta, acho que não nos vai faltar nada. O mais importante é estarmos concentrados em treinar e em jogar para alcançarmos os objetivos. Não há limites para onde o FC Porto pode chegar.”
Para os adeptos, deixou um convite direto. Cardinal acredita que a nova equipa encontrará nas bancadas uma força decisiva.
“A minha mensagem é clara. Os adeptos do FC Porto nunca falham e com certeza estarão muito felizes pela criação do futsal. Muitos deles queriam isto há muitos anos. Como adepto e como jogador de futsal do nosso Clube quero convidá-los a virem a todos os jogos.”, apelou. “Vão ser uma grande ajuda para nós e tenho a certeza de que vão comparecer sempre.”
A estreia em casa já ocupa espaço na imaginação do novo capitão. E o sonho, garante, é maior do que aquilo que consegue traduzir.
“Já imaginei o meu primeiro jogo, mas ninguém tem noção do que eu já imaginei. Esse sonho vai cumprir-se com certeza absoluta.”, afirmou.
É nessa certeza que Fernando Cardinal fecha um dia que define como um dos mais felizes da sua vida desportiva. Entre a emoção de chegar ao FC Porto e a ambição de começar a jogar, o capitão não esconde o privilégio que sente.
“Este é um dos dias mais felizes da minha vida a nível desportivo, sem dúvida alguma. Estou muito emocionado, muito feliz, muito orgulhoso. Sinto-me um privilegiado.”, concluiu. “Não há palavras para este momento.”







































