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·26 de setembro de 2026

Edilson relembra queda na Libertadores de 2000 e analisa momento atual do Corinthians

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

Um dos principais nomes do Corinthians no fim da década de 1990 e início dos anos 2000, Edilson voltou a falar sobre a equipe multicampeã da qual fez parte e as eliminações diante do Palmeiras na Copa Libertadores. Para o ex-atacante, o excesso de confiança contribuiu para o Timão deixar escapar o torneio continental, especialmente em 2000. O Capetinha também comentou a relação que mantém com o clube e analisou o atual momento alvinegro. As declarações foram dadas ao Abre Aspas, do ge. Texto colado

Edilson defendeu o Corinthians entre 1997 e 2000 e integrou uma geração marcada por nomes como Marcelinho Carioca, Dida, Vampeta, Ricardinho, Rincón e Luizão. Ao recordar aquele período, o ex-jogador colocou a equipe entre as mais completas que viu durante a carreira e, na avaliação dele, como a melhor já formada pelo clube.


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Foto: Pisco Del Gaiso/Placar

“Foi o melhor time que joguei e, na minha concepção, respeito a opinião de todos também, acho que foi o melhor time que o Corinthians já teve em todos os tempos. Acho que o Corinthians nunca formou um time tão bom, tão eclético. Tinha todos os jogadores, todo o perfil de jogador: driblador, batedor de falta, cabeceador, cara rápido, habilidoso, defesa forte, meio de campo forte e habilidoso, que sabe jogar, atacantes que faziam muitos gols, e driblava e cabeceava… Acho que um time eclético igual àquele eu nunca vi no Corinthians”, afirmou.

Edilson aponta excesso de confiança em eliminação na Libertadores

Apesar das conquistas acumuladas por aquela geração, a Libertadores ficou fora da coleção de troféus. Edilson acredita que a postura adotada pelo próprio Corinthians teve influência direta nas eliminações.

Ao recordar um dos confrontos contra o Palmeiras, o ex-atacante afirmou que o Timão se considerava superior ao rival e não soube administrar a vantagem que havia construído durante a partida. Para ele, uma postura diferente poderia ter mudado o destino da equipe na competição.

“A Libertadores, a gente só não ganhou porque desdenhou de todos os outros times. Principalmente do Palmeiras. A gente estava ganhando do Palmeiras fácil, num jogo em que a gente achava que ia passar fácil, ganhando de 3 a 1 e queria ganhar de seis. Se a gente tivesse um pouquinho de humildade para dizer assim: ‘Vou jogar no erro do Palmeiras, recuar um pouquinho e vou matar o jogo a hora que quiser’. A gente estava dando três e queria dar cinco, seis. Acabamos tomando o empate e perdemos nos pênaltis. A gente era muito superior, perdemos para nós mesmos”, completou.

Na edição seguinte, em 2000, Corinthians e Palmeiras voltaram a se encontrar na Libertadores. Edilson também recordou a expulsão sofrida no confronto e contestou a decisão tomada pelo ex-árbitro Oscar Roberto Godoi. Segundo o ex-jogador, ele tentou separar uma confusão envolvendo Marcelinho Carioca e Júnior, mas acabou recebendo o cartão vermelho.

“Foram duas (Libertadores) em que a gente saiu para o Palmeiras, né? Uma, o (ex-árbitro Oscar Roberto) Godoi me expulsou erradamente. Eu tenho uma mágoa do Godoi até hoje por causa disso. Porque a briga foi entre Marcelinho e Júnior, eu fui separar a briga e ele acabou me expulsando, eu e o Júnior”, afirmou.

Na visão de Edilson, sua saída também provocou uma mudança importante nas características ofensivas do Corinthians. O ex-atacante acredita que a equipe perdeu capacidade de quebrar linhas e ficou limitada ofensivamente com Marcelinho e Luizão.

“Quando ele me expulsa, o Corinthians perde essa força e fica com o Marcelinho e o Luizão sozinhos na frente. O Marcelinho não é esse perfil de jogador de quebrar linhas; ele é de passe, de lançamento, de chute. Quando o Godoi transfere a expulsão do Marcelinho para mim ele prejudica muito mais o Corinthians do que o Palmeiras. Isso foi na segunda Libertadores. A gente ainda consegue ganhar o jogo de 2 a 0, vai para os pênaltis e perde”, acrescentou.

Irreverência dentro de campo marcou geração

A confiança mencionada pelo ex-atacante também estava presente no estilo de jogo daquele Corinthians. Edilson relembrou que ele e Marcelinho Carioca tinham o hábito de buscar jogadas de efeito mesmo quando a equipe já controlava as partidas.

Foi nesse contexto que surgiu uma das imagens mais lembradas de sua passagem pelo Parque São Jorge: as embaixadinhas realizadas na decisão do Campeonato Paulista de 1999 contra o Palmeiras. Edilson reconheceu que a mesma postura que produzia espetáculo também poderia levar a excessos.

“A gente tinha muito isso. Eu e Marcelinho principalmente, a gente brincava muito em campo. Ganhava o jogo a hora que queria e brincava a hora que queria também. Tivemos muitas brigas por causa disso. A gente jogava e queria dar espetáculo. Muitas vezes a gente fazia coisas que não era para fazer. Aí ficava brincando, dava um chapéu, ficava fazendo tabelinha, em vez de ir para frente ia para trás. Várias vezes a gente fez isso e talvez essa soberba tirou aquela Libertadores. E as embaixadinhas vêm dessa brincadeira. A embaixadinha não é nada mais do que isso, do que a gente fazia dentro de campo, brincava nos treinos e levava isso para campo. A embaixadinha veio daí”, disse.

O lance, segundo ele, não havia sido preparado previamente. Tratava-se de uma característica que aparecia nos treinamentos e acabava sendo levada naturalmente para as partidas.

“Aquilo não foi pensado em nada. Aquilo era dos treinos, daquilo que a gente fazia dentro de campo. Se você pegar alguns jogos daquele Corinthians, vai ver que teve jogadas que você fala assim: ‘Os caras estão brincando’. O nosso time era tão bom que a gente às vezes se desligava. Achava que ia ganhar a qualquer hora, a qualquer momento, e aí às vezes caía nessa maldição, né? E foi isso que aconteceu na Libertadores, que é uma pena aquele time não ter ganho”, contou.

Embaixadinhas se tornaram símbolo da passagem pelo Corinthians

Mais de duas décadas depois, a cena segue diretamente associada ao ex-atacante. Edilson contou que encontra referências ao episódio nas arquibancadas e que até eternizou o momento no próprio corpo.

“Foi até bom, cara, porque eu estou falando da Copa América e tem muita gente que nem lembra que o Brasil foi campeão, mas das embaixadinhas… Esquece, todo mundo (lembra), até porque até hoje passa. Vai ter um jogo Palmeiras x Corinthians, a primeira coisa que passa é aquilo. Então eu fiquei marcado. Hoje eu sou ídolo do Corinthians por causa das embaixadinhas. Eu vou ao estádio, o que mais tem é camisa das embaixadinhas, tem bandeira das embaixadinhas. Eu tenho as embaixadinhas tatuadas aqui no meu corpo também. Vou levar para o resto da vida”, afirmou.

Além dos episódios marcantes dentro de campo, o Capetinha destacou a sintonia que construiu com Marcelinho Carioca. Para ele, o entendimento entre os dois permitia antecipar as decisões do companheiro durante as partidas.

“O Marcelinho foi o meu melhor companheiro de todos os clubes, de me entender. ‘Pô, o Edilson pegou na bola, eu já sei o que ele vai fazer’. Se o Marcelinho pegava na bola, eu sabia o que ia fazer. É uma coisa impressionante. Se você me vir jogando hoje peladinha com o Marcelinho, vai dizer: ‘Caramba, é tipo Pelé e Pepe’. E o Marcelinho tinha a vaidade de ser o líder do time, o capitão, aquele cara que a torcida mais ovacionava”, contou.

Edilson também reconheceu que aquele elenco reunia jogadores de personalidades fortes. Segundo ele, porém, as diferenças ficavam fora de campo quando começavam as partidas.

“A vantagem desse time é que tinha muita vaidade, mas tudo era resolvido dentro de campo. Quando a gente entrava em campo, deixava tudo do lado de fora. A gente era companheiro para caramba, era amigo, era parceiro o tempo inteiro. A gente jogava em um time em que todo mundo almejava a Seleção Brasileira: eu, Ricardinho, Vampeta, Luizão e Dida. Cinco desse time são pentacampeões mundiais”, disse.

“E a gente tinha outros, como Gamarra, que jogava na seleção paraguaia, Rincón, que jogava na seleção colombiana, e o Marcelinho não foi para a Copa do Mundo, mas tinha condições de ir. Sylvinho, Kleber e Fábio Luciano também jogaram na Seleção Brasileira. Então, era tipo uma seleção no Corinthians, não tem como não ter vaidade. Era uma vaidade enorme. É só você saber lidar com ela”, completou.

Relação com Luxemburgo também teve conflitos

Ao recordar os bastidores daquela geração, Edilson ainda falou sobre Vanderlei Luxemburgo. O ex-atacante rejeitou a ideia de que os dois formavam uma parceria sem conflitos e relembrou o período em que chegou a ser afastado das atividades do elenco.

“Não, que afinada nada. O Vanderlei era tiro, porrada e bomba. O Vanderlei me cortou (depois) das embaixadinhas, me afastou no Corinthians, não sei se vocês se recordam, ele me afastou e eu fiquei um mês treinando em Itaquera, onde é o estádio do Corinthians hoje, sozinho, por causa de uma briga que tive com um policial (detido por desacato). Não tinha nada a ver com o clube. Acho que ele penalizou o clube durante um bom tempo por ter me afastado”, afirmou.

Edilson fala sobre identificação e momento atual do Corinthians

A ligação com o Corinthians permaneceu mesmo depois do encerramento da carreira. Edilson afirmou que passou a se considerar corinthiano após defender o clube e destacou a proximidade que ainda mantém com o ambiente alvinegro.

“Depois que vesti a camisa do clube, tornei-me corinthiano e tenho o maior prazer nisso. É totalmente diferente dos outros times. Tenho tanta liberdade no Corinthians que, quando vou em dia de jogo, se pudesse, pegava a camisa, vestia, botava a chuteira e entrava em campo. É muita liberdade e parceria com a diretoria e com os jogadores. Isso é muito legal. Hoje, minha imagem é muito ligada ao Corinthians”, declarou.

Questionado também sobre o cenário atual vivido pelo clube, o ex-atacante lamentou a situação e ressaltou o tamanho que enxerga no Corinthians para buscar uma recuperação.

“É uma pena (a atual situação), porque o clube tem um potencial enorme para dar a volta por cima. Com a força da torcida, as pessoas que querem o bem do Corinthians ficam 24 horas pensando em como tirá-lo dessa situação”, afirmou.

Edilson ainda abordou a situação de Memphis Depay. O ex-jogador elogiou a capacidade técnica do holandês, mas avaliou que a decisão sobre sua permanência colocava a diretoria diante de um cenário complexo.

“Gosto do Memphis. No nível em que o futebol está hoje, dizer que não gosta dele seria até um pecado. O Memphis é um excelente jogador, capaz de decidir uma partida a qualquer momento. A capacidade técnica dele é totalmente diferente da de muitos. Acho que ele é um dos melhores atuando no futebol brasileiro hoje, principalmente quando está bem fisicamente. Na minha opinião, renovar com o Memphis era um abacaxi grande, e não renovar era outro. Eles não sabiam o que era pior: continuar ou deixá-lo seguir. Foi uma decisão da diretoria, mas o Corinthians vai se prejudicar com essa renovação, assim como se prejudicaria com a não renovação”, completou.

Entre lembranças das eliminações na Libertadores, dos títulos e de episódios que atravessaram gerações de torcedores, Edilson mantém a trajetória fortemente associada ao Parque São Jorge. Atualmente aposentado, o ex-atacante continua participando de eventos ligados ao Corinthians e acompanhando o clube que defendeu entre 1997 e 2000.

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