Esporte News Mundo
·05 de julho de 2026
Eliminação precoce expõe falhas da CBF e do planejamento da Seleção Brasileira

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·05 de julho de 2026

O Brasil deu adeus de forma precoce — e vexatória — à Copa do Mundo de 2026 ao ser eliminado pela Noruega nas oitavas de final. Erling Haaland marcou os dois gols que decretaram a queda da Seleção Brasileira. Neymar ainda descontou, mas a reação veio tarde demais.
Doze anos após o traumático 7 a 1 contra a Alemanha na Copa de 2014, a expectativa era de uma profunda reformulação do futebol brasileiro, começando pelas categorias de base, passando pela formação de atletas nos clubes e chegando a uma mudança de mentalidade dentro da estrutura da Seleção.
No entanto, o Brasil parece não ter absorvido as lições daquela derrota histórica. Desde então, acumula episódios incompatíveis com a tradição de um país pentacampeão mundial, berço de alguns dos maiores jogadores da história do futebol e que, há pelo menos duas décadas, deixou de ser unanimidade como “o país do futebol”.

Autor do gol na eliminação para a Noruega, a convocação do Neymar foi o principal debate para o Mundial — (Foto: Buda Mendes/Getty Images)
O ciclo rumo à Copa do Mundo de 2026 ficou marcado pelo improviso e pela falta de planejamento. O ex-técnico da Seleção nas duas últimas Copas, Tite, já havia anunciado que deixaria o cargo após o Mundial de 2022, independentemente do resultado.
Mesmo com a saída previamente conhecida, a CBF demorou para definir um substituto. Nesse período, a Seleção passou pelas mãos de Ramón Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior.
Embora Diniz e Dorival tenham trabalhos relevantes em clubes, a avaliação de grande parte da crítica esportiva era de que o cenário exigia um treinador com experiência consolidada em seleções e em competições de alto nível internacional.
Além da instabilidade técnica, o futebol brasileiro enfrentou um período turbulento nos bastidores. A reeleição e posterior destituição de Ednaldo Rodrigues aumentaram a sensação de desorganização institucional.
Em meio à crise, a CBF conseguiu confirmar a contratação de Carlo Ancelotti, mas o técnico italiano assumiu o comando apenas no fim de maio de 2025, a menos de um ano da Copa do Mundo.
A questão central passou a ser: como um treinador recém-chegado, sem contato profundo com o futebol brasileiro e sua cultura esportiva, conseguiria resolver problemas estruturais em tão pouco tempo?
É importante destacar que Ancelotti representava, no papel, a melhor alternativa disponível para a Seleção Brasileira. O problema não era necessariamente o nome escolhido, mas o momento da contratação.
Qualquer treinador, independentemente do currículo, precisa de tempo para se adaptar a uma nova cultura, conhecer os jogadores em profundidade e implementar um modelo de jogo consistente. Sem um ciclo completo de preparação para a Copa, o trabalho começou já sob forte pressão e com margem mínima para ajustes.
A eliminação na Copa de 2026 reforça a necessidade de mudanças estruturais no futebol brasileiro. O caminho para recuperar protagonismo internacional passa pela profissionalização da gestão da CBF e por uma revisão profunda da política interna da entidade.
Também será necessário investir na formação de atletas desde as categorias de base, priorizando aspectos técnicos, táticos, mentais e disciplinares.
Um exemplo frequentemente citado é o da Alemanha. Após perder a final da Copa do Mundo de 2002 para o Brasil, os alemães iniciaram um amplo processo de reestruturação do futebol nacional, com foco no longo prazo. O projeto resultou na conquista da Copa do Mundo de 2014 e no fortalecimento de clubes como o Bayern de Munique no cenário europeu.
A pergunta que permanece é: os dirigentes do futebol brasileiro estão dispostos a abrir mão de interesses políticos para promover uma reformulação verdadeira?
Mais do que trocar treinadores, o desafio é construir um planejamento de longo prazo, algo que o Brasil ainda não conseguiu consolidar desde o último título mundial conquistado em 2002.
Sem mudanças estruturais, a eliminação precoce na Copa do Mundo de 2026 corre o risco de se tornar apenas mais um capítulo de uma crise que já dura décadas.







































