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·18 de agosto de 2026
Em Assunção, o problema do Palmeiras não é o Cerro Porteño

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·18 de agosto de 2026

Existe uma estatística sobre esse confronto que explica melhor a quarta-feira do que qualquer escalação provável. Em 270 minutos contra o Cerro Porteño nesta temporada, o Palmeiras esteve à frente do placar por 51. Cinquenta e um minutos. O resto do tempo foi empatando, perdendo ou correndo atrás — e o time terminou os três jogos sem vitória.
Não é um problema de talento. É um problema de o que fazer com a vantagem quando ela aparece.
Na ida, no Nubank Parque, o Palmeiras passou a maior parte do jogo sem conseguir furar a marcação individual do time paraguaio, ficou com um a menos depois da expulsão de Andreas Pereira, e mesmo assim abriu o placar aos 82 minutos com Flaco López. Faltavam oito minutos. Tomou o gol aos 48 do segundo tempo. No sábado, no Maracanã, esteve à frente duas vezes e perdeu de 3 a 2.
Vale lembrar do que o Cerro Porteño representa historicamente para o Palmeiras: quase nada de medo. São 20 jogos no confronto, 11 vitórias palmeirenses, e as três derrotas aconteceram todas em São Paulo. Em Assunção, nove visitas, cinco vitórias, quatro empates, nenhuma derrota, 17 gols marcados e 4 sofridos. Em 2018 e em 2022, os dois mata-matas anteriores, quem passou foi o Verdão.
A Nueva Olla vai estar cheia — os ingressos esgotaram dois dias antes. O gramado pode voltar a ser encurtado, como foi em abril, quando o Cerro deixou o campo com 64 metros de largura e a Conmebol precisou criar um protocolo para impedir que os clubes mudassem as medidas no meio da competição. Ariel Holan já disse que treina pênaltis e que estuda o goleiro adversário. Tudo isso é verdade e tudo isso é secundário.
O que decide a quarta-feira é se este Palmeiras consegue segurar um placar.
Sem Andreas, suspenso, e sem Ramón Sosa, lesionado, a dúvida no meio-campo virou o assunto da semana. Emiliano Martínez entrega proteção, permite que Allan e Joaquín Piquerez subam pelos lados e desenha um time que espera. Maurício entrega um jogador a mais perto da área, aproxima o time de Vitor Roque e Jhon Arias e desenha um time que vai buscar.
Abel Ferreira tem fama de escolher a proteção em jogo fora de casa, e o raciocínio nunca foi ilegítimo: contra o Cerro, empate no tempo normal leva aos pênaltis, e pênaltis é sorteio com testemunhas. Só que a sequência recente cobra uma pergunta incômoda. Nos últimos quatro jogos, o time recuado tomou sete gols. Proteger virou sinônimo de sofrer.
Se existe um argumento a favor de começar com Maurício, é esse. Não é ousadia gratuita: é reconhecer que este elenco tem defendido melhor com a bola do que sem ela.
Marcar cedo resolve metade do problema. O Cerro é um time que joga em cima do adversário, com marcação individual em todo o campo, e times assim se desorganizam quando precisam correr atrás do placar diante da própria torcida. O primeiro gol palmeirense, se vier antes do intervalo, transforma a Nueva Olla em um lugar bem menos hostil.
O contrário também é verdadeiro, e é o cenário que assusta. Um gol paraguaio no primeiro tempo obriga o Palmeiras a fazer exatamente o que ele não tem conseguido: construir sob pressão, fora de casa, com o goleiro Carlos Miguel sob escrutínio depois da falha na ida e um estádio inteiro empurrando o outro lado.
Maurício resumiu isso melhor do que qualquer análise ao dizer que “o próximo jogo é sempre o jogo da nossa vida”. A frase é batida no futebol. Nesta quarta-feira, é literal — a Libertadores é o título mais viável de 2026, e a eliminação nas oitavas transformaria o resto da temporada em administração de crise.
O Palmeiras tem repertório e histórico de sobra para passar do Cerro Porteño em Assunção. O que ele não tem, neste momento, é confiança para administrar um jogo controlado — e é justamente isso que um mata-mata fora de casa exige. Abel acerta se montar o time para buscar o gol cedo, e não para esperar os pênaltis.
A conta na quarta-feira é simples de enunciar e difícil de executar: vencer classifica, e qualquer empate empurra a vaga para a marca da cal. Os 51 minutos de vantagem em 270 dizem que o Palmeiras raramente esteve no controle desse confronto. Está na hora de mudar essa estatística.







































